quarta-feira, 30 de março de 2011

Bit of friendly advice, Portugal

Aqui fica o inío de posts sem ser da nossa autoria. Os próximos serão convidados mas este primeiro foi roubado aqui. Have fun!

Sunday March 27 2011

Dear Portugal,

this is Ireland here. I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession.

They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months.

Anyway, I notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you'll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come.

For this you will be expected to be grateful. If you want to look up the proper Portuguese for bailout, I would suggest you get your English-Portuguese dictionary and look up words like: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off. This will give you a more accurate translation of what will be happening you.

I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.

We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on.

Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while.
And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland.

Sunday Independent

segunda-feira, 28 de março de 2011

Caiu-me tudo

O Primeiro-Ministro demitiu-se, o líder da oposição ajudou, mas a culpa é dos dois. Resumidamente foi isto que aconteceu na política portuguesa. A crise saiu a ganhar porque todos a assumiram finalmente com todas as letras, como se não estivesse já instaurada há uns anos por causa da má gestão de dois partidos (que não vou dizer quem são, porque não sou de intrigas), e por causa de uma oposição demasiado literal na sua função.
Tudo isto pôs-me a pensar: Mas afinal quem é que eu quero que me represente no parlamento?
O que mais me assustou foi realizar o que de alguma forma já sabia, mas que andava a evitar: Não simpatizo nem com um líder, nem com outro, nem simpatizo especialmente com ninguém de nenhum partido. Pior ainda, não simpatizo com a crise.
E foi aí que percebi que, mais do que ter caído um governo, caíram todos os meus ideais.
Com isto não quero dizer que desisti de alguma coisa, mas é difícil pensar que ainda faltam muitos anos para haver uma nova geração de políticos que podem, eventualmente, estar na mesma luta que eu, por terem passado pelas mesmas dificuldades. Volto a salientar o eventualmente.
Porque, agora, existem, partidos que não se falam, duas gerações que não se falam  e outras pessoas que não se falam, muito à imagem dos dois líderes dos maiores partidos em Portugal. Parece que trabalhar de costas viradas uns para os outros sem pensar nos problemas de uns e de outros (que é como quem diz, pensar nos problemas em geral), está enraizada na nossa cultura.


  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ai Portugal, Portugal

O Primeiro-ministro está numa de amuar e fazer birrinha (ou passam o PEC ou não brinca mais); o Líder do PSD gosta de fazer bluff (como se alguém quisesse pegar no país nesta altura); o líder da oposição mais à esquerda, durante o debate quinzenal com o Primeiro-ministro, falou de uma possível venda de armas ao Líbano (porque é um assunto que, agora, nos interessa imenso); o líder do CDS-PP diz... coisas; o Presidente da República, por seu lado, gosta de não falar; os sindicatos parece que nunca viveram o FMI (é que se entrar por aí o FMI a classe que defendem vai ser a primeira a sofrer as consequências); temos 230 deputados que, passo a citar do site do parlamento “ (...) representam todo o país e não apenas os círculos por que são eleitos” mas nenhum deles, após reclamar e criticar este último PEC, apresentou qualquer solução/retificação/negociação.

E é neste ambiente que aguardamos, com ansiedade, resultados para que os interesses do país sejam defendidos. Esperemos é que os interesses da classe política sejam os mesmo que os nossos.


segunda-feira, 14 de março de 2011

O Mobilizamento

Queridos sindicatos, siglas que fingem não pertencer a partidos e afins:

No último Sábado, dia 12 de março, um grupo de pessoas saiu à rua para se manifestar. É engraçado reparar que, apesar de ser a voz de uma geração que se queria revoltar, indivíduos de todas as idades, classes sociais, de diferentes ideais, juntaram-se nas ruas de onze cidades portuguesas.

Isto acontece quando se partilham as razões e causas do descontentamento. Isto acontece quando não há uma luta “deles”, “nossa” ou “doutros”, porque quando há uma razão forte, a luta é de todos. Isto acontece quando se escolhe um dia pertinente para sair à rua para mostrar o descontentamento (porque, quer queiram quer não, fazer manifestações à sexta ou à segunda não é de bom tom, seja qual for o timbre em que se pretende fazer ouvir).

E assim se enchem as ruas de vozes que ajudam outras a chegar onde é preciso.

Senhores trabalhadores de todas as profissões, pessoas descontentes e injustiçadas por esse Portugal fora, seja qual for o motivo da vossa revolta, distribuam panfletos, façam uso das novas tecnologias, façam o que tiverem que fazer para percebermos o que vos chateia. Porque enquanto não o fazem vão ser acusados de estarem a manifestar-se para terem o fim de semana grande ou para ir às compras. A não ser que essa seja uma razão: tirar um dia de greve.
 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Festival da Canção

O Festival da Canção mudou. Longe vão os tempos em que se cantavam letras sobre amores de verão, sobre viagens pelo mundo, sobre amores desencontrados, sobre noitadas até às quinhentas, sobre amores felizes, sobre cantar sem desafinar em playback (clap clap), sobre primeiros amores, etc...
Talvez num reflexo da crise, e a uma semana de uma manifestação contra o estado da classe política, os grandes vencedores do festival da canção este ano foram os Homens da luta com o tema “Luta é alegria”.
Se é bom ou se é mau não sei. Tendo em conta que já fomos representados por artistas que exalavam vergonha alheia, é bom; tendo em conta que já tivemos músicas bem produzidas (há muito, muito tempo, eu sei), é mau.
Mas a verdade é que nem este festival, nem o da Eurovisão são o que eram. Já ninguém trauteia músicas da Rosa Lobato Faria, do José Calvário e do Ary dos Santos até à exaustão, e ninguém se lembra quem ganhou o festival há dois ou três anos atrás sem recorrer à wikipedia.
Portanto, agora que cheguei ao final desta pequena reflexão, ao menos os Homens da Luta puseram o festival outra vez na boca do mundo. Pode ser que, para o ano, fiquemos todos acordados até de madrugada, qual noite dos Óscares, para ver quem vence.




segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Senhores que regem o país, metam os olhos nisto

As pessoas pensam sempre que mudar o mundo implica grandes ações, ou grandes inaugurações, ou grandes subsídios, ou grandes seja lá o que for. Para mim, mudar o mundo implica pequenos gestos que façam a diferença. Um exemplo disso é a manifestação convocada para dia 12 de março.  Três pessoas revoltadas com a situação pela qual estavam a passar, decidiram agir e, do seu pequeno mundo, estão a chegar a cerca de 27 mil mundos que ficaram com vontade de ir para a rua mostrar o que sentem. Estas três pessoas conseguiram mobilizar de forma apartidária e puramente cívica uma multidão. Não precisaram de apoios financeiros, nem de grandes discursos porque, quando a mensagem é pertinente, não são precisos grandes adornos para fazer com que as pessoas acreditem e, por isso, adiram de forma espontânea a uma ideia.
Senhores do poder, metam os olhos nisto: Não arranjem grandes desculpa mas sim pequenas soluções que sejam exequíveis. Deixem de olhar para os vossos umbigos laranjas, vermelhos, cor-de-rosa, pretos, azuis ou de tons semelhantes porque ser próativo não tem cor. E já agora, se não fosse pedir muito, acreditem em nós que ainda não demos nenhuma razão para sermos desacreditados, muito ao contrário de Vexas..
Manif. dia 12 de Março 2011


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não consigo não falar disto, eu adiei mas não consigo

A banda é engraçada, a música é engraçada mas não acho piada nenhuma a que apelidem a minha geração de parva. Tirámos cursos com boas notas, tivemos estágios e trabalhos onde brilhámos, muito embora, agora, grande parte de nós esteja desempregado ou em situações precárias. Mas a culpa não é só nossa, não somos nós que pagamos o nosso ordenado, são uns parvos que nos querem explorar, nem somos nós que queremos ser estagiários, são uns parvos que se aproveitam do excesso de mão-de-obra qualificada e pagam-na barata (ou nem sequer a pagam) só porque sim, nem somos nós que queremos viver em casa dos pais, são uns parvos que inventam a EPUL  jovem para os filhinhos ricos poderem ter casa com benefícios enquanto quem precisa não arranja condições; parvos são os partidos políticos que só veem as cores de uma ideologia e não lutam por um futuro coeso. 


A pressa de ter resultados, de fazer dinheiro, de ter sucesso, de ganhar votos, de celebrar o carnaval destruiu a minha geração mas, agora, há uma data de parvos que nos querem atirar areia aos olhos. 


Claro que também temos alguma culpa nisto por aceitarmos, e nos conformarmos, com várias situações.  Nós não nos opusemos à falta de visão a longo prazo que já vem de há muito tempo. E dou por mim a pensar no que será do país daqui a 10 ou 20 anos, quando quem estiver à frente de Portugal serão uma data de estagiários que, pela primeira vez, vão ter empregos de jeito mas na altura errada, pessoas que, sem experiência, vão ter que gerir um país destruído por uma cambada de parvos que se desresponsabilizaram, apelidando o futuro com o defeito que melhor os caracteriza. 


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ortografia

Há línguas mortas, há línguas incompreensíveis, há más língua, há língua estufada, há línguas de perguntador, há línguas de veado e esta variedade mostra como são versáteis. Tal como qualquer sociedade que evolui, o idioma está também em constante mutação. Há muitas palavras novas que aparecem e muitas vezes nem damos conta. Não deverá a ortografia acompanhar esta tendência dinâmica do nosso linguajar?
Se este post acabasse no parágrafo anterior, era ver catrefadas de comentários a dizer “o novo acordo é feio e cheira mal” e coisas piores ainda, visto que a língua também é traiçoeira.
Então, para os ferrenhos do não, piores que adeptos ferrenhos de coisas que não me lembro, qual é a palavra portuguesa para ketchup? Quetechupe (com o novo acordo ortográfico, o K, Y e W vão fazer parte do nosso abecedário)?;
Quantos de vocês dizem “adopetar” e que grande diferença fará escrever adotar a nível de compreensão (com o novo acordo ortográfico, as letras que não se pronunciam vão ser suprimidas)? Não se preocupem que continuam a poder dizer contacto, adaptado, bactéria, entre outras coisas.
Claro que, como em todas as mudanças, também há pontos maus. Mas, se a feieza e o mau cheiro provêm apenas do reacionarismo, recorram a uns banhos thermaes ou a uma pharmácia para ver se elles vos apontam a cura.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ativo

Todos sabemos que a crise anda por aí, aliás, estamos tão familiarizados com ela que nos habituámos, já há vários anos, a culpá-la de tudo. A ela, ao presidente, ao primeiro ministro, ao patrão, aos ordenados que não sobem, ao tempo que no ano passado isto não era nada assim, àquele último shot de whisky que estragou tudo, e por aí fora.
Mas, se somos portugueses, a culpa da crise no país não será de todos nós? A resposta parece óbvia, mas a verdade é que nunca ninguém admitiu qualquer tipo de responsabilidade. E, para que fique claro, não me estou a referir a pessoas com cargos elevados cuja responsabilização é óbvia (mas seria demasiado fácil ir por aí), nem àquela mancha generalizada que todos culpam quando dizem “os portugueses”, numa auto-exclusão e negligência. Estou a falar de cada um de nós.
Hoje, venho aqui admitir que a culpa da crise é minha. Se é só minha, calculo que não, mas eu contribui com a minha inércia e não quero contribuir mais. Foi com esse objectivo que nasceu o Blog Ativo: um sítio onde as boas ideias são bem vindas, partilhadas e executadas de forma a acabar com as culpas e desculpas.