Todos tentam resolver a crise de forma estratégica, económica e burocrática. Por mais impostos, por mais PECs, por mais cortes orçamentais, o que será do nosso país, daqui a uns anos, quando não estiver cá ninguém para o governar?
Grita-se por aí que nunca houve tanta gente a emigrar desde a década de 60, que há uma enorme exportação de pessoas qualificadas, mas ninguém faz nada para os travar, muito pelo contrário. O Estado anda a abrir portas para se fugir mais rápido. Exemplo disso é InovContacto. Neste programa cofinanciado pelo Estado, é dada uma oportunidade aos jovens de irem fazer um estágio remunerado no estrangeiro por um período mínimo de 6 meses. Até aqui tudo bem e bonito. O problema é que quando estes jovens voltam, recebem uma palmadinha nas costas e um grande “Agora que já viste como é bom estar lá fora, bem-vindo ao desemprego e aos recibos verdes”.
Que fique claro que sou muito a favor do InovContacto, mas sou completamente contra o desaproveitamento da experiência que cada um dos não sei quantos mil jovens traz.
Isto é só um exemplo que nos faz fugir, mas há mais. Casos de pessoas que trabalhavam em projetos interessantes, que só foram reconhecidas quando foram para o estrangeiro; artistas que lutam, mas só depois de exposições “lá fora” são apreciados pelos seus conterrâneos; depois há o fenómeno “temos um granda génio, vamos dar-lhe toda a atenção e esquecer que podem haver mais”, e é ver os subsídios, por exemplo, do cinema a irem sempre parar aos mesmos tipos, ano após ano, que já deviam ter vergonha na cara, ser autossuficiente e deviam dar oportunidade a quem está a começar.
Caros senhores dirigentes, não exigimos nada de muito complicado, pedimos apenas a esses grandes cérebros que nos governam o mesmo que pediram à Europa: sejam criativos. É que, depois, não se admirem de não estar cá ninguém para votar em Vexas., muito embora já tenham um nome para isso: abstenção.









