quarta-feira, 4 de maio de 2011

A beleza da internet

A Goole lançou uma nova aplicação onde é possível visitar museus de todo o mundo. Através do http://www.googleartproject.com/ abrem-se as portas das mais variadas exposições e pode-se ver de perto qualquer obra exposta, bem como obter informações relevantes sobre as mesmas.

 Desta forma, a Google conseguiu fazer com que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo tenha acesso à cultura. Claro que não é mesma coisa do que ver o quadro de perto, mas é substancialmente mais barato já que não temos que tirar férias, comprar bilhetes de avião e pagar estadias, a única viagem a efetuar é virtual.

 É bom que os portugueses conheçam este projeto porque somos um povo com pouca tradição artística e/ou cultural. Num país onde o dinheiro disponibilizado para esta área é cada vez mais reduzido, corremos o risco de, a longo prazo, esta ser a única forma de nos cultivarmos.

Tirada daqui. Original de William Borguerau

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fundação Odemira


O Fusível Ativo foi convidado pela Tânia Mestre, coordenadora do projeto Agora! para ajudar as turmas B e D do segundo ano dos cursos CEF (nível II) da Fundação Odemira a fazer uma curta-metragem. A Fundação Odemira, através da sua Escola Profissional, promove diversos cursos técnicos na área da Hotelaria e Restauração, Informática e Produção Agrária. Com estes cursos, de nível II e IV, os jovens podem obter uma dupla certificação: escolar e profissional.

O projeto Agora, promovido pela Fundação Odemira e financiado pelo Programa Escolhas 4º geração, tem como objetivo a inclusão social de jovens que pertencem a um meio socioeconómico desfavorecido. Através de atividades em diferentes áreas, pretende chegar ao seu público-alvo através da educação não formal apoiada na inovação, criatividade, interculturalidade e respeito pela diferença.

O desafio lançado era grande: os alunos tinham que estruturar um argumento, filmar e montar um filme em 4 dias de aulas sob o tema "A floresta". Pegámos no material da escola, pedimos à Helena Lobo que participasse connosco neste projeto e andámos por Odemira a filmar "O Negócio" (filme com argumento original dos alunos e cujo resultado podem consultar aqui no vimeo ou no youtube, o makingof também aqui no vimeo ou no youtube). Para ver mais alguns pormenores é só consultar a nossa página das Atividades.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os ecoinlógicos

Ser ecológico, hoje em dia, é fixe. Mas ser fixe não é necessariamente ser ecológico. Isto entra muitas vezes em conflito dentro das pessoas. Se por um lado se usa a bicicleta, por outro come-se comida que vem dentro de uma embalagem, que vem dentro de outra embalagem que vem dentro de um pacote; se por um lado se recicla, por outro refila-se que não há lugares no centro de Lisboa para parar o carro; se por um lado se anda de transportes, por outro toma-se um banho demorado onde a água potável é desperdiçada aos litros.

A moda da ecologia fez com que as pessoas se tornassem socialmente ecológicas e pessoalmente irresponsáveis. Este tipo de atitudes não ajuda em nada o mundo, ou o grau de fixeza de cada um.

Também não acho que para ser ecológico se tenha que ter um estilo de vida radicalmente diferente. Ser ecológico é assumir responsabilidade pelo mundo e ser coerente nas medidas que escolhemos optar. Mais importante ainda, é lembrar que a nossa pegada ecológica não funciona como o karma onde se anula o mal com o bem e vice-versa. Para mudar as consequências da nossa existência no mundo só é mesmo possível através de ações eficazes que podem nem sequer ser fixes.

Película para janela "Céu azul" - Um fabuloso produto D-Mail

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Teatro ao Largo, um exemplo a seguir

 
O Teatro ao Largo é um projeto extraordinário e admiro  muito tudo o que fazem: adoro ver a mudança de quem monta o palco, horas mais tarde, ser um dos atores;  das ideias criativas que têm para cenários, adereços e músicas; da genialidade da adaptação ou elaboração de cada peça; do manager cheio de iniciativas, entre muitas outras coisas. 
 Aconselho vivamente qualquer espetáculo porque qualquer um faz rir crianças, velhos, jovens e adultos de qualquer extrato social. Esse é o grande desafio e a grande genialidade deste grupo: conseguem cativar toda a gente. 
 E, numa altura em que os subsídios têm uma conotação tão negativa, é bom lembrar que nem sempre são inúteis, principalmente num país onde não se dá o devido valor à cultura e em que projetos deste género são dos que marcam mais a diferença. 


http://www.teatroaolargo.com/

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Boa, boa, continuem a empurrar os jovens para o estrangeiro.

Todos tentam resolver a crise de forma estratégica, económica e burocrática. Por mais impostos, por mais PECs, por mais cortes orçamentais, o que será do nosso país, daqui a uns anos, quando não estiver cá ninguém para o governar?

Grita-se por aí que nunca houve tanta gente a emigrar desde a década de 60, que há uma enorme exportação de pessoas qualificadas, mas ninguém faz nada para os travar, muito pelo contrário. O Estado anda a abrir portas para se fugir mais rápido. Exemplo disso é InovContacto. Neste programa cofinanciado pelo Estado, é dada uma oportunidade aos jovens de irem fazer um estágio remunerado no estrangeiro por um período mínimo de 6 meses. Até aqui tudo bem e bonito. O problema é que quando estes jovens voltam, recebem uma palmadinha nas costas e um grande “Agora que já viste como é bom estar lá fora, bem-vindo ao desemprego e aos recibos verdes”.

Que fique claro que sou muito a favor do InovContacto, mas sou completamente contra o desaproveitamento da experiência que cada um dos não sei quantos mil jovens traz. 

Isto é só um exemplo que nos faz fugir, mas há mais. Casos de pessoas que trabalhavam  em projetos interessantes, que só foram reconhecidas quando foram para o estrangeiro; artistas que lutam, mas só depois de exposições “lá fora” são apreciados pelos seus conterrâneos; depois há o fenómeno “temos um granda génio, vamos dar-lhe toda a atenção e esquecer que podem haver mais”, e é ver os subsídios, por exemplo, do cinema a irem sempre parar aos mesmos tipos, ano após ano, que já deviam ter vergonha na cara, ser autossuficiente e deviam dar oportunidade a quem está a começar.

Caros senhores dirigentes, não exigimos nada de muito complicado, pedimos apenas a esses grandes cérebros que nos governam o mesmo que pediram à Europa: sejam criativos. É que, depois, não se admirem de não estar cá ninguém para votar em Vexas., muito embora já tenham um nome para isso: abstenção. 


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Complexo narcisista invertido-dissimulado (querendo com isto dizer: crítica do nosso reflexo)

Toda a gente está muito surpreendida com o comportamento dos políticos portugueses e da forma como metem os seus interesses à frente dos interesses do país. Ora, como sabemos, eles são tão portugueses como o mais comum dos mortais português. Estão a comportar-se exatamente como se comporta toda a população, ou seja, todos nós. São o reflexo do povo e julgá-los, para 99.9% da população, é ser hipócrita.

Basta olhar à nossa volta, e para nós próprios, para perceber que não temos comportamentos muito melhores. É ir na autoestrada e ver a faixa do meio sempre cheia de carros enquanto a faixa da direita (mais conhecida como a “não viril”) está sempre vazia; é ver a quantidade de pessoas que se gabam por conseguirem enganar os empregadores para não fazerem nada na hora de expediente; é ver grandes, médias, pequenas empresas e pessoas individuais a fugir aos impostos por ganância; é ver carros parados em segunda fila a perturbarem todo o funcionamento e circulação das cidades; é sermos o país das cunhas; é a quantidade de gente a viver de subsídios sem precisar; é a inveja do sucesso dos outros; é todo um conjunto de coisas que todos fazemos contribuindo para que o país seja pior e para que ele sofra as consequências dos nossos erros caindo em crise. Quem é que paga? Todos.

Eu, tu, ele nós, vós eles, todos fazemos parte deste sistema e os políticos também porque, tal como nós, são portugueses. Sim, é pior porque gerem um país, mas é importante que não nos desresponsabilizemos porque também nós mandamos em Portugal.

Portanto, antes de criticar toda a classe política (por mais que eles mereçam) devemos refletir na nossa intervenção cívica e melhorá-la. Caso contrário somos tão hipócritas como eles. 

 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bit of friendly advice, Portugal

Aqui fica o inío de posts sem ser da nossa autoria. Os próximos serão convidados mas este primeiro foi roubado aqui. Have fun!

Sunday March 27 2011

Dear Portugal,

this is Ireland here. I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession.

They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months.

Anyway, I notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you'll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come.

For this you will be expected to be grateful. If you want to look up the proper Portuguese for bailout, I would suggest you get your English-Portuguese dictionary and look up words like: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off. This will give you a more accurate translation of what will be happening you.

I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.

We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on.

Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while.
And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland.

Sunday Independent

segunda-feira, 28 de março de 2011

Caiu-me tudo

O Primeiro-Ministro demitiu-se, o líder da oposição ajudou, mas a culpa é dos dois. Resumidamente foi isto que aconteceu na política portuguesa. A crise saiu a ganhar porque todos a assumiram finalmente com todas as letras, como se não estivesse já instaurada há uns anos por causa da má gestão de dois partidos (que não vou dizer quem são, porque não sou de intrigas), e por causa de uma oposição demasiado literal na sua função.
Tudo isto pôs-me a pensar: Mas afinal quem é que eu quero que me represente no parlamento?
O que mais me assustou foi realizar o que de alguma forma já sabia, mas que andava a evitar: Não simpatizo nem com um líder, nem com outro, nem simpatizo especialmente com ninguém de nenhum partido. Pior ainda, não simpatizo com a crise.
E foi aí que percebi que, mais do que ter caído um governo, caíram todos os meus ideais.
Com isto não quero dizer que desisti de alguma coisa, mas é difícil pensar que ainda faltam muitos anos para haver uma nova geração de políticos que podem, eventualmente, estar na mesma luta que eu, por terem passado pelas mesmas dificuldades. Volto a salientar o eventualmente.
Porque, agora, existem, partidos que não se falam, duas gerações que não se falam  e outras pessoas que não se falam, muito à imagem dos dois líderes dos maiores partidos em Portugal. Parece que trabalhar de costas viradas uns para os outros sem pensar nos problemas de uns e de outros (que é como quem diz, pensar nos problemas em geral), está enraizada na nossa cultura.


  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ai Portugal, Portugal

O Primeiro-ministro está numa de amuar e fazer birrinha (ou passam o PEC ou não brinca mais); o Líder do PSD gosta de fazer bluff (como se alguém quisesse pegar no país nesta altura); o líder da oposição mais à esquerda, durante o debate quinzenal com o Primeiro-ministro, falou de uma possível venda de armas ao Líbano (porque é um assunto que, agora, nos interessa imenso); o líder do CDS-PP diz... coisas; o Presidente da República, por seu lado, gosta de não falar; os sindicatos parece que nunca viveram o FMI (é que se entrar por aí o FMI a classe que defendem vai ser a primeira a sofrer as consequências); temos 230 deputados que, passo a citar do site do parlamento “ (...) representam todo o país e não apenas os círculos por que são eleitos” mas nenhum deles, após reclamar e criticar este último PEC, apresentou qualquer solução/retificação/negociação.

E é neste ambiente que aguardamos, com ansiedade, resultados para que os interesses do país sejam defendidos. Esperemos é que os interesses da classe política sejam os mesmo que os nossos.


segunda-feira, 14 de março de 2011

O Mobilizamento

Queridos sindicatos, siglas que fingem não pertencer a partidos e afins:

No último Sábado, dia 12 de março, um grupo de pessoas saiu à rua para se manifestar. É engraçado reparar que, apesar de ser a voz de uma geração que se queria revoltar, indivíduos de todas as idades, classes sociais, de diferentes ideais, juntaram-se nas ruas de onze cidades portuguesas.

Isto acontece quando se partilham as razões e causas do descontentamento. Isto acontece quando não há uma luta “deles”, “nossa” ou “doutros”, porque quando há uma razão forte, a luta é de todos. Isto acontece quando se escolhe um dia pertinente para sair à rua para mostrar o descontentamento (porque, quer queiram quer não, fazer manifestações à sexta ou à segunda não é de bom tom, seja qual for o timbre em que se pretende fazer ouvir).

E assim se enchem as ruas de vozes que ajudam outras a chegar onde é preciso.

Senhores trabalhadores de todas as profissões, pessoas descontentes e injustiçadas por esse Portugal fora, seja qual for o motivo da vossa revolta, distribuam panfletos, façam uso das novas tecnologias, façam o que tiverem que fazer para percebermos o que vos chateia. Porque enquanto não o fazem vão ser acusados de estarem a manifestar-se para terem o fim de semana grande ou para ir às compras. A não ser que essa seja uma razão: tirar um dia de greve.
 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Festival da Canção

O Festival da Canção mudou. Longe vão os tempos em que se cantavam letras sobre amores de verão, sobre viagens pelo mundo, sobre amores desencontrados, sobre noitadas até às quinhentas, sobre amores felizes, sobre cantar sem desafinar em playback (clap clap), sobre primeiros amores, etc...
Talvez num reflexo da crise, e a uma semana de uma manifestação contra o estado da classe política, os grandes vencedores do festival da canção este ano foram os Homens da luta com o tema “Luta é alegria”.
Se é bom ou se é mau não sei. Tendo em conta que já fomos representados por artistas que exalavam vergonha alheia, é bom; tendo em conta que já tivemos músicas bem produzidas (há muito, muito tempo, eu sei), é mau.
Mas a verdade é que nem este festival, nem o da Eurovisão são o que eram. Já ninguém trauteia músicas da Rosa Lobato Faria, do José Calvário e do Ary dos Santos até à exaustão, e ninguém se lembra quem ganhou o festival há dois ou três anos atrás sem recorrer à wikipedia.
Portanto, agora que cheguei ao final desta pequena reflexão, ao menos os Homens da Luta puseram o festival outra vez na boca do mundo. Pode ser que, para o ano, fiquemos todos acordados até de madrugada, qual noite dos Óscares, para ver quem vence.




segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Senhores que regem o país, metam os olhos nisto

As pessoas pensam sempre que mudar o mundo implica grandes ações, ou grandes inaugurações, ou grandes subsídios, ou grandes seja lá o que for. Para mim, mudar o mundo implica pequenos gestos que façam a diferença. Um exemplo disso é a manifestação convocada para dia 12 de março.  Três pessoas revoltadas com a situação pela qual estavam a passar, decidiram agir e, do seu pequeno mundo, estão a chegar a cerca de 27 mil mundos que ficaram com vontade de ir para a rua mostrar o que sentem. Estas três pessoas conseguiram mobilizar de forma apartidária e puramente cívica uma multidão. Não precisaram de apoios financeiros, nem de grandes discursos porque, quando a mensagem é pertinente, não são precisos grandes adornos para fazer com que as pessoas acreditem e, por isso, adiram de forma espontânea a uma ideia.
Senhores do poder, metam os olhos nisto: Não arranjem grandes desculpa mas sim pequenas soluções que sejam exequíveis. Deixem de olhar para os vossos umbigos laranjas, vermelhos, cor-de-rosa, pretos, azuis ou de tons semelhantes porque ser próativo não tem cor. E já agora, se não fosse pedir muito, acreditem em nós que ainda não demos nenhuma razão para sermos desacreditados, muito ao contrário de Vexas..
Manif. dia 12 de Março 2011


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não consigo não falar disto, eu adiei mas não consigo

A banda é engraçada, a música é engraçada mas não acho piada nenhuma a que apelidem a minha geração de parva. Tirámos cursos com boas notas, tivemos estágios e trabalhos onde brilhámos, muito embora, agora, grande parte de nós esteja desempregado ou em situações precárias. Mas a culpa não é só nossa, não somos nós que pagamos o nosso ordenado, são uns parvos que nos querem explorar, nem somos nós que queremos ser estagiários, são uns parvos que se aproveitam do excesso de mão-de-obra qualificada e pagam-na barata (ou nem sequer a pagam) só porque sim, nem somos nós que queremos viver em casa dos pais, são uns parvos que inventam a EPUL  jovem para os filhinhos ricos poderem ter casa com benefícios enquanto quem precisa não arranja condições; parvos são os partidos políticos que só veem as cores de uma ideologia e não lutam por um futuro coeso. 


A pressa de ter resultados, de fazer dinheiro, de ter sucesso, de ganhar votos, de celebrar o carnaval destruiu a minha geração mas, agora, há uma data de parvos que nos querem atirar areia aos olhos. 


Claro que também temos alguma culpa nisto por aceitarmos, e nos conformarmos, com várias situações.  Nós não nos opusemos à falta de visão a longo prazo que já vem de há muito tempo. E dou por mim a pensar no que será do país daqui a 10 ou 20 anos, quando quem estiver à frente de Portugal serão uma data de estagiários que, pela primeira vez, vão ter empregos de jeito mas na altura errada, pessoas que, sem experiência, vão ter que gerir um país destruído por uma cambada de parvos que se desresponsabilizaram, apelidando o futuro com o defeito que melhor os caracteriza. 


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ortografia

Há línguas mortas, há línguas incompreensíveis, há más língua, há língua estufada, há línguas de perguntador, há línguas de veado e esta variedade mostra como são versáteis. Tal como qualquer sociedade que evolui, o idioma está também em constante mutação. Há muitas palavras novas que aparecem e muitas vezes nem damos conta. Não deverá a ortografia acompanhar esta tendência dinâmica do nosso linguajar?
Se este post acabasse no parágrafo anterior, era ver catrefadas de comentários a dizer “o novo acordo é feio e cheira mal” e coisas piores ainda, visto que a língua também é traiçoeira.
Então, para os ferrenhos do não, piores que adeptos ferrenhos de coisas que não me lembro, qual é a palavra portuguesa para ketchup? Quetechupe (com o novo acordo ortográfico, o K, Y e W vão fazer parte do nosso abecedário)?;
Quantos de vocês dizem “adopetar” e que grande diferença fará escrever adotar a nível de compreensão (com o novo acordo ortográfico, as letras que não se pronunciam vão ser suprimidas)? Não se preocupem que continuam a poder dizer contacto, adaptado, bactéria, entre outras coisas.
Claro que, como em todas as mudanças, também há pontos maus. Mas, se a feieza e o mau cheiro provêm apenas do reacionarismo, recorram a uns banhos thermaes ou a uma pharmácia para ver se elles vos apontam a cura.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ativo

Todos sabemos que a crise anda por aí, aliás, estamos tão familiarizados com ela que nos habituámos, já há vários anos, a culpá-la de tudo. A ela, ao presidente, ao primeiro ministro, ao patrão, aos ordenados que não sobem, ao tempo que no ano passado isto não era nada assim, àquele último shot de whisky que estragou tudo, e por aí fora.
Mas, se somos portugueses, a culpa da crise no país não será de todos nós? A resposta parece óbvia, mas a verdade é que nunca ninguém admitiu qualquer tipo de responsabilidade. E, para que fique claro, não me estou a referir a pessoas com cargos elevados cuja responsabilização é óbvia (mas seria demasiado fácil ir por aí), nem àquela mancha generalizada que todos culpam quando dizem “os portugueses”, numa auto-exclusão e negligência. Estou a falar de cada um de nós.
Hoje, venho aqui admitir que a culpa da crise é minha. Se é só minha, calculo que não, mas eu contribui com a minha inércia e não quero contribuir mais. Foi com esse objectivo que nasceu o Blog Ativo: um sítio onde as boas ideias são bem vindas, partilhadas e executadas de forma a acabar com as culpas e desculpas.