segunda-feira, 18 de julho de 2011

Com o mal dos outros posso eu bem

Esta felicidade que temos em ver alguém pior que nós é perigosa. Isto acontece a todos os portugueses no seu dia-a-dia, mas quando acontece a nível nacional e político é perigoso, quase a roçar o parvo. A justificação permanente de que "Nós não somos como a Grécia, estamos muito melhor", é errada. Nós não somos realmente como a Grécia, por isso é irrelevante a nossa situação ser melhor ou pior que a dos gregos, porque o nosso país e a nossa economia não funcionam da mesma forma.

Não é pela Grécia estar pior que devemos ficar contentes, a desgraça dos outros não devia ser motivo para ficarmos descansados, e muito menos para acharmos que é mais fácil dar a volta por cima. Não se iludam, estamos mal, aliás, estamos muito mal. A corrupção e as injustiças são evidentes. A visão ampliada de que os políticos são o nosso mal é errada.

Quando olho à minha volta é claro que Portugal não está bem. Conheço casos de pessoas que trabalham cerca de 14 horas por dia em empresas privadas, sem receberem o equivalente pelo seu esforço e pelo seu desgaste; conheço pessoas que trabalham em empresas do Estado e, por serem demasiado competentes, foram postas na prateleira porque as chefias se sentiam ameaçadas; nos serviços públicos, mais concretamente nos hospitais, já foram várias as vezes em que vi casos simples como pernas partidas, serem diagnosticadas como entorses; entre outras coisas que me preocupam severamente, e cada vez mais, no nosso país.

Esta constante comparação com outros não ajuda a enfrentarmos com a devida preocupação os problemas que temos pela frente, muito pelo contrário, ameniza-os de uma forma infantil. Faz-me lembrar quando tinha que anunciar uma má nota aos meus pais e tentava justificar-me explicando que não sei quem também tinha tido uma nota terrível. A resposta era sempre a mesma: não quero saber da nota dos outros, os pais deles que se entendam, são as tuas notas que me preocupam. 

Acho que o nosso país precisa de pais mais exemplares.




sexta-feira, 15 de julho de 2011

Isso não é nada legal

Não é ilegal meter baixa médica sem estar doente? 

E não é um bocado escandaloso fazê-lo com o conhecimento público? 

Estejam certos ou errados no seu descontentamento com o sistema, estes polícias não deviam ser também penalizados por esta forma de protesto? 

Pior: não são eles os representantes máximos da ordem pública? 


Não perca o próximo episódio, porque nós também não!



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ler devagar

A Ler Devagar é um conceito especial em Lisboa. É um espaço que junta várias atividades à volta dos livros (sendo que eles não são o centro de cada evento).
A oferta é grande a nível de títulos, de debates, exposições, concertos, entre outros, num menu sensorial aberto a todas as bolsas, já que a maioria dos eventos são gratuitos.

A Ler Devagar nunca está igual quando a visitamos, nem que seja pelas paredes cobertas de livros sempre em mutação. Fala-se e lê-se em várias línguas, porque encontramos edições e pessoas de todas as nacionalidades.

Um café rápido transforma-se facilmente numa vagarosa estadia pela tarde fora. É por isso que apetece voltar regularmente.

   Rua Rodrigues de Faria, 103 - Edificio G.03 - 1300-501 Lisboa LX Factory (antiga Gráfica Mirandela, em Alcântara) - Tel. 213259992
 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bitaite, laracha, bocas, palpite, espingardar

Se há povo que sabe reclamar, somo nós, os portugueses. Mas se começamos por ser contidos, se alguém se junta à causa sai um rojo de críticas conjuntas direcionadas a quem de direito, mas sempre a uma distância de segurança.

Esta crítica verbal nunca passa disso mesmo. Em vez de agir, preferimos ficar a mandar bitaites, criar uma equipa que nos perceba e que nos ajude a dizer "não há direito". Ora, haver direito há, temos é que defendê-lo, enfrentar o que nos indigna de frente, pedir com licença e tirar as pedras do caminho, de preferência com estilo.

Quando alguém não se levanta num transporte para dar o seu lugar a outro que precise, a indignação não faz com que mude, mas um "olhe desculpe, pode dar-me o seu lugar?" ajuda; se somos mal atendidos em sítios públicos ou privados, não vale a pena ficarmos irritados e comparar o nosso mal com quem passou pelo mesmo. É preciso pedir o livro de reclamações ou chamar um responsável.

São estas ações que contribuem para um melhoramento dos serviços, porque os próprios serviços/comportamentos/atendimento podem não perceber que falham se não forem chamados à razão.

Sempre que reclamei, que me lembre, houve consequências a meu favor que me tornaram uma pessoa menos amarga e queixosa, porque quando vemos que é feito algo para acabar com a indignação, sentimos mais empatia pela entidade responsável pelo nosso desconforto. Vamos para casa mais satisfeitos porque as coisas funcionam e a voz de cada um, por mais pequena que seja, pode e deve ser ouvida. O melhor disto tudo é que, se todos lutarmos por este direito e optarmos por reclamar em vez de espingardar, conseguimos mudar uma sociedade. O principio é simples: Basta agir.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

No mood for Moodys

Caros e caras, aqui vai uma manifestação a que o Fusível Ativo vai aderir. Agradecimentos ao David Carvalho pela ideia, que será devidamente divulgada.

Já todos sabemos que o nosso Portugal está a ser alvo da Moodys (e outras, mas esta mais recentemente), sem reais avaliações e desrespeitando o esforço que os portugueses estão a fazer para ultrapassar este bocado!

A ideia é simples... querem guerra? Pois não sabem com que povo se estão a meter... vamos retaliar como podemos, dentro das nossas capacidades!
Comecemos pela internet... Um servidor web tem uma capacidade máxima de resposta. Não é qualquer servidor web que suporta milhares de conexões em simultâneo! Quando a capacidade é ultrapassada, provoca um bloqueio na resposta do servidor, deixando de ter capacidade para responder. Geralmente bloqueia o servidor web e muitas vezes obriga a um reinicio do sistema todo.

A prática é muito muito simples... à mesma hora, todos abrirmos o endereço http://www.moodys.com/ e fazermos uns quantos refreshs (actualizar) durante 3/4 minutos, de modo a cruzar os relógios de toda a gente.
Agora imaginem provocar uma inoperabilidade dos servidor web durante as horas de abertura da bolsa de nova iorque... em que a web, o e-mail e outras ferramentas asseguradas pelo servidor web são importantes!

Já sabem... a cada hora em ponto, entre as 15h00 (10am em NY) e as 21h00 (4pm em NY) vamos visitar o website da moodys e actualizá-lo inúmeras vezes durante uns minutos!!

Contra os canhões, marchar, marchar!!

Truques:

Podem usar este link:
http://pastehtml.com/view/​azp67iu5e.html

ou este:

http://paginas.fe.up.pt/~e​e07252/works/files/autoRef​resh.html
Escrever o endereço (http://www.moodys.com/), ponham instantaneamente e clicar activar!

Internet Explorer: Forçar o refresh de todo o conteudo, pressionando Ctrl+F5
Autorefresh para IE: http://download.cnet.com/A​utoRefresher-for-IE/3000-1​2512_4-10062693.html

Autorefresher para Firefox: https://addons.mozilla.org​/en-US/firefox/addon/reloa​devery/

Google Chrome: Instalar plugin que faz refresh à pagina de x em x tempo consoante definido por nós: https://chrome.google.com/​webstore/detail/hmooaemjme​diafeacjplpbpenjnpcneg?hl=​en


David e Golias - Caravaggio




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Salve a dor de Portugal

Não se falou muito nisso (não sei bem porquê) mas, no dia 27 de julho, morreu Salvador Caetano. Um homem que, vindo de uma família humilde (que é como quem diz pobre em politicamente correto), construiu um dos maiores impérios em Portugal. A vida dele pode ser resumida nos vários reconhecimentos que lhe foram atribuídos como por exemplo: 

- Cônsul honorário do México no Porto, desde 1994;
- Comendador da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial pelo governo português;
- Ordem do Tesouro Sagrado pelo governo japonês;
- Medalhas de Ouro das cidades de Vila Nova de Gaia e Ovar. 

E nos prémios que ganhou prémios: 

"Empresário do Ano 1980", pelo jornal Semanário;
"Troféu Expresso 1980", pelo jornal Expresso;
"Empresário do Ano 1983", pelo jornal O Tempo;
"Melhor Gestor 1984 - Ambiente empresarial e paz social na empresa", pelo jornal Semanário;
"Personalidade do Ano 2006", pela organização do troféu Carro do Ano / Volante de Cristal.

A única coisa que este homem não sabia fazer, pelo menos que se saiba, era cantar e representar. Caso contrário poderia ser ele o exemplo escolhido pela juventude portuguesa, ou o caso mediático escolhido pelos órgãos de comunicação social. Fiquei com a ideia de se anda a desinformar Portugal, mas isto são só ideias. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sempre a faturar

No outro dia tive que apanhar um táxi até ao aeroporto e, quando ia a sair, o taxista disse para eu esperar porque tinha que me passar uma fatura. A surpresa tomou conta de mim, já que nunca me tinha sucedido tal coisa. Mas rapidamente o senhor motorista explicou-se, dizendo que era normal as autoridades estarem no interior do edifício por de trás dos vidros espelhados com atenção a quem passava, ou não faturas.

Depois corei um pouco porque eu nunca peço faturas. Ou melhor, não tenho por hábito fazê-lo, só quando me lembro e são raras as vezes. Nem de propósito, este tema surgiu numa conversa no sábado, onde falávamos em como combater este mal. A verdade é que todos sabem o peso de uma fatura, mas ninguém se preocupa com as consequências porque não são imediatas ou óbvias. Além disso, lidamos displicentemente com este bocadinho de papel, o que levou ao esquecimento de que é obrigatório por lei pedir e passar faturas. A única solução que achámos viável, foi sugerida por um pequeno fusileiro que dizia: Porque não cobrar mais 1% de IVA que era devolvido na totalidade quando se faz os impostos, após a apresentação das faturas correspondentes?

Seja bem ou mal pensado, funcione ou não, é estranho fazermos parte de um povo que só age de forma cívica se for compensado imediatamente por isso, ou se for coagido. Depois destas histórias todas deu-me vontade de nunca mais ver faturas à frente, depois percebi que faço mesmo parte deste povo. Há que mudar.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ser poeta é ser mais alto, mas um engenheiro também pode ser

Criatividade, para mim, passa por resolver problemas de uma forma surpreendente, quase óbvia para quem está de fora, mas eficaz independentemente da complexidade do mesmo. Este substantivo, no entanto, está muito relacionado com as áreas das artes como se fosse uma coisa exclusiva dos artistas. Qual é, na verdade, a grande diferença entre criar uma pintura e criar um interface inovador? Qual a diferença entre compor uma música ou compor aulas de forma a cativar alunos? Qual a diferença entre esculpir uma pedra e juntar moléculas para fazer um nano carro? 

A grande diferença é o resultado. Nas áreas artísticas pudemos desfrutar do produto final de uma forma quase imediata e prazenteira. Nas outras áreas, como são dirigidas a um público muito específico, o prazer imediato passa para segundo plano, principalmente porque o intuito é, objetivamente, a funcionalidade. Mas está lá, num amor incondicional ao telemóvel, ou num agradecimento silencioso à Via Verde pelo tempo que poupa, na urgência de ter a cura rápida para uma dor de cabeça, no prazer em puder ralar queijo para pôr na comida, na simplicidade de se puder limpar o rabo na casa de banho, etc.. 

Com isto não quero dizer que os artistas raptaram a criatividade e declaram-na deles, muito pelo contrário. As outras áreas é que não a assumem como delas.
Por isso, quero agradecer a todas essas pessoas que se dizem “não criativas” por nos ajudarem todos os dias e dizer-lhes que se assumam, porque isto de ter boas ideias é sempre difícil, seja em que área for.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Mudam-se os tempos, expressam-se as vontades de 59,9% da população.

A abstenção sempre foi uma coisa que me fez confusão. Não percebo como é que se pode deixar em mãos alheias a escolha de quem vai governar o nosso país. Percebo que haja exceções onde, realmente, será impossível uma pessoa ir votar, porque azares acontecem. Mas a verdade é que, quando quase metade da população não vai votar não é por exceções, é por estupidez. E não me venham dizer que isto demonstra o descontentamento em relação aos políticos. Se há coisa que o voto em branco representa (muito embora represente quase nada) é isso.

Ontem, em conversas pós voto, este tema apareceu. As soluções pensadas passaram desde multas ou agravamentos fiscais para quem não fosse votar. O voto virtual também foi abordado numa perspetiva "2.0" da coisa. A verdade é que, na minha opinião, a solução passa por criar uma consciência cívica desde cedo nos cidadãos e sensibilizar os jovens para a importância do voto. Nesta situação os pais, as escolas e os políticos têm um poder fulcral. Na verdade, os políticos têm o papel mais relevante, mas só pensam nisso nos períodos eleitorais. Esta importância sazonal tira importância ao ato eleitoral. Será que os candidatos, políticos e partidos não percebem que são os principais afetados?



quarta-feira, 1 de junho de 2011

O comboio para o ocidente

A Patrícia Geraldes tirou o curso de belas artes no Porto, foi expondo por Portugal e por outros países, mas não é pelo currículo que queremos falar dela. Isso são tudo coisas escritas e documentadas que podem encontrar aqui.
Queremos falar da Patrícia porque já viajou por muitas partes do mundo onde se perdeu, mas veio viver para Portugal numa aldeia perdida.

Sendo transmontana, é impossível não se lembrar da pergunta frequente que todos os tibetanos lhe faziam: Na tua terra há montanhas? A saudade que eles lhe lembravam é agora a saudade que tem do povo que considerou ser o mais genuíno e bonito.

Os tibetanos que estão fora do Tibete, estão sempre a juntar dinheiro para regressarem ou conhecerem o seu país em extinção e isso inspirou-a para fazer a série de 4 telas coloridas em homenagem ao povo tibetano intitulada “Todos os cavalos brancos espalharam a noticia que no mundo não ia haver mais cavalos brancos. Passaram por mim tão depressa que nem tive tempo de falar”. 

O oriente foi uma forte inspiração, até porque Patrícia viveu os últimos 2 anos na Índia. Neste país foi o poder das castas que a marcou. A hierarquia racial que define à nascença quem deve, ou não, ter acesso a privilégios, fez acontecer a Red gallery. Esta galeria baseou-se na seguinte ideia: só uma elite muito rica tem acesso à cultura, se a cultura estiver na rua todos a podem apreciar sem qualquer restrição. Juntou-se com dois artistas indianos, 5 alunos de belas artes e uma artista russa. Durante uma semana ao final da tarde, fizeram uma intervenção num jardim público. Os convidados VIPs conviveram com todos os transeuntes, numa rara mistura cultural.

Este tipo de intervenção seria impensável na Tunísia, onde esteve a viver durante a ditadura do General Zine El Abidine Ben Ali. Neste país sentiu na pele a censura logo na chegada à fronteira, onde deixou para trás livros e CDs proibidos. Com o telefone sob escuta e com um polícia a vigiar o atelier onde trabalhava, decidiu expor à revelia. Numa casa particular, montou uma exposição que estava indicada na rua com setas feitas por ela. Cada vez que acabava de as pôr tinha que recomeçar porque iam sendo removidas por pessoas invisíveis. Os únicos que apareceram foram amigos, porque o medo era maior que a curiosidade. O resultado desta exposição foram as caixas de desenho, caixas transparentes inspiradas nas mulheres tunisinas, que se reúnem em casa umas das outras para pintarem os seus véus.  

Depois destas e muitas outras viagens, voltou para Portugal onde ficamos a aguardar resultados sabendo que esta não é a sua última paragem. Entretanto, podem conhecer o trabalho da Patrícia Geraldes neste site, ou podem vê-lo ao vivo e a cores na Fábrica do Braço de Prata até ao dia 29 de junho.

As palavras engolidas são sempre água nos meus olhos

 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Validação do voto em branco

Esta petição não podia vir em melhor altura. Fomos nós que lhe demos uns parágrafos um bocado aleatórios para o texto não ficar tão denso e ser mais fácil ler. De qualquer forma, podem sempre ler o texto original nos links que encontram ao longo deste post. Nós já assinámos. E tu?
 
 
Exmo. Senhor Presidente da República 

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República 

Exmo. Senhor Primeiro Ministro 

 
Assunto: Validação do Voto em Branco 
 

A Democracia, enquanto “sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade” (Dicionário da Língua Portuguesa – Porto Editora), tem, desde 25 de Abril de 1974, vigorado no nosso País. 
 

Nestes trinta e sete anos de regime democrático muitos têm sido os melhoramentos e aperfeiçoamentos que este tem sofrido, muitas deles plasmados nas sucessivas revisões constitucionais ocorridas desde a aprovação da Constituição da República Portuguesa em sessão plenária realizada em 02 de Abril de 1976 na Assembleia Constituinte. 
 

Pretendeu-se com estas alterações constitucionais, concretizar e efectivar aqueles princípios e valores democráticos, tornando real a autoridade dos cidadãos. 
No entanto, apesar da entrada em vigor de todas as modificações constitucionais e legislativas, persistem ainda no actual sistema político-partidário muitos entraves a uma plena acção dos cidadãos. 
 
Um dos sintomas do desagrado patenteado por estes com essa situação é o fenómeno crescente da abstenção. É através desta que os eleitores mostram a sua indignação com o funcionamento partidocrático, julgando na sua boa-fé, que com esse acto estão a penalizar os agentes políticos. 
 
Na verdade, apesar dos lamentos e expressões de necessidade de reflexão que os partidos políticos exprimem para comentar o fenómeno da abstenção, nada é feito de concreto para que este tipo de atitude seja modificado. A razão desta total ausência de medidas contra a abstenção, é porque à luz do actual sistema eleitoral, ela é perfeitamente inócua.
 
Independentemente do seu valor percentual, nenhum Presidente da República, deputado ou autarca deixará de ser eleito. Nenhuma real penalização sobre os agentes políticos se verificará. Compreende-se assim a inacção dos partidos políticos face a este fenómeno. Por outro lado, ao tacitamente estar-se a contribuir para que o fenómeno abstencionista alastre, está-se a atentar contra a própria democracia. 
 
A abstenção é a assunção clara de uma demissão, de uma recusa de participação no jogo democrático, de uma delegação em terceiros de decisões que a todos os cidadãos dizem respeito. 
No entendimento dos signatários desta petição, uma das razões que fomenta o fenómeno da abstenção, reside no facto de constitucional, jurídica e politicamente, o voto em branco não ser considerado validamente expresso, senão vejamos: no tocante à eleição para a Presidência da República, o Art. 126º, nº1 da CRP e o Art. 10º, nº1 da LEPR referem o seguinte: “Será eleito Presidente da República o candidato que obtiver mais de metade dos votos validamente expressos, não se considerando como tal os votos em branco.” 
Relativamente, às eleições para a Assembleia da República, Assembleias Legislativas Regionais dos Açores e da Madeira e Autarquias locais, o Art. 16º a) da LEAR, o Art. 16º a) da LEALA, o Art. 7º, nº1 da LEALM e o Art. 13º a) da LEOAL referem o seguinte: “Apura-se, em separado, o número de votos recebidos por cada lista no círculo eleitoral respectivo.” 
Finalmente no que toca às eleições para o Parlamento Europeu, temos que o Art. 1º da LEPE determina que a legislação aplicável, é a da eleição para a Assembleia da República, com as necessárias adaptações. O Art. 12º desta Lei, nos seus nºs 1 e 6, determina que o apuramento geral dos resultados será feito com as mesmas disposições relativas à eleição para a Assembleia da República, bem como para a Presidência da República. 

 
Como facilmente se constata, perante este quadro legal, o voto em branco não é válido. 
Efectivamente, se na eleição para os diversos Parlamentos, para a atribuição dos mandatos, só são contados e considerados os votos expressamente recebidos por cada lista, que importância e valor têm então os votos em branco? Nenhum mandato de deputado deixará de ser preenchido, independentemente da percentagem verificada de votos em branco. O mesmo verifica-se para a eleição do Presidente da República. Ao não se considerarem validamente expressos os votos em branco, mesmo que 51% ou mais dos eleitores votem em branco nesta eleição, tal facto não belisca minimamente a legitimidade eleitoral do PR eleito nessas condições. 
Neste pressuposto, os signatários desta petição, vêm por este meio, requerer à Assembleia da República que no âmbito de uma futura revisão constitucional se digne proceder à alteração deste preceito constitucional no sentido de validar o voto em branco. 
 
Esta medida traduzir-se-á concretamente na defesa da alteração do preceito constitucional que determina que os votos em branco não são considerados válidos na eleição para o cargo de Presidente da República, bem como na defesa da junção dos votos em branco aos votos que irão ser convertidos em mandatos pelo método de Hondt. 
Deste modo, a Assembleia da República, enquanto órgão representativo de todos os cidadãos portugueses, estará a dar a possibilidade a quem acreditando na democracia e simultaneamente rejeita as opções que lhe são apresentadas, poder através do seu voto exprimir essa sua opção com resultados imediatos e efectivos. 
 
É o voto de todos aqueles que não prescindem de votar, mas que legitimamente não se revêem em nenhuma das candidaturas políticas apresentadas, e assim coerentemente com as suas convicções, rejeitam liminarmente todas as opções presentes a sufrágio. 
Com a implementação desta medida, os cidadãos terão na sua posse um verdadeiro e eficaz instrumento penalizador da classe política. E esta, ciente dessa possibilidade, irá inevitavelmente alterar a sua práxis política, no sentido de ir ao encontro dos legítimos anseios dos cidadãos. 
 
A consequência óbvia desta alteração será a diminuição da abstenção e a emergência de uma mais consciente, responsável e participativa sociedade democrática digna desse nome! 

10 de Maio de 2011

Os signatários (para assinar a petição clica aqui)


Esta petição encontra-se alojada na internet no site Petição Publica que disponibiliza um serviço público gratuito para petições online. Caso tenha alguma questão para o autor da Petição poderá enviar através desta página: Contactar Autor
 
 
 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Aquele que não quer ver

A poucos dias das eleições, os portugueses andam mais preocupados com os fait-divers políticos do que propriamente com a política em si. Numa época repleta de novas tecnologias e meios de informação, são divulgadas as coisas menos importantes e relevantes para a decisão de voto.

Fala-se constantemente de manobras políticas, de quem ganhou debates, quem perdeu debates, quem teve piada e mostrou bandeiras, quem fez isto e aquilo, mas ninguém se indigna com o fato de nenhum candidato ser honesto.

Os partidos mais à esquerda prometem coisas impossíveis de cumprir, como aumento das pensões dos reformados, aumento dos ordenados, etc.. Isto é inverosímil, demagógico e desonesto; os partidos mais à direita apresentam-se como uma solução nova e fresca (sim, agora a sério); os inevitáveis ganhadores (PS e PSD) nunca explicam que imposições terá a troika nos seus programas e que influencias podem ter nas medidas políticas que querem tomar.

Honestamente, ninguém falou de quais serão realmente os problemas com que nos vamos defrontar e quais serão as possíveis reações que devemos ter. E é isso que nos devia interessar a todos. Somos cidadãos que estão numa posição fragilizada, mas estamos mais preocupados com a história da carochinha.

Não podemos só exigir que nos informem, temos que saber pedir a informação correta e, já agora, contribuir para que ela seja devidamente divulgada. 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tenho medo, tenho muito medo

À medida que o 5 de junho se aproxima, mais cresce a minha angústia. Pela primeira vez não faço a mínima ideia em quem, ou como, hei de votar. As opções que pondero têm sempre consequências negativas que me desequilibram a consciência. Um exemplo disso é o voto em branco: por um lado, se houver 50%+1 de votos em branco, os partidos têm que refazer as listas políticas renovando as pessoas que apresentam, já que a maioria dos votantes as considera incapazes (erro de interpretação meu, o voto em branco não conta - ver curto-circuitos em baixo e um pedido de desculpa ativo); por outro, numa altura de crise, esta expressão tem mais probabilidade de causar consequências negativas, já que se vai gastar mais dinheiro dos contribuintes em novas eleições, propagandas, subornos, perdão, eletrodomésticos, etc..

E esta dicotomia reflete-se em todos os votos hipotéticos:

- PS - O ponto positivo é não ter lá o Passos Coelho (mesmo sendo ele o melhor candidato a fazer farófias e o único, como o próprio diz, "Casado com África"), o ponto negativo é ficar lá quem não quer, já que o Sócrates disse, noutros tempos, que se recusava a governar um país com a intervenção do FMI;

- PSD - O ponto positivo é que sai de lá o Sócrates, mas o negativo é que fica lá o Passos Coelho que tem conseguido manter o seu nível de gafes e parvoíces bastante elevado e regular;

- CDS - O ponto positivo é que poderíamos ter bases aéreas com solários, o ponto negativo são muitos;

- PCP - O ponto positivo é terem um martelo para por ordem no parlamento, o negativo é o reacionarismo e o loop ideológico descontextualizado;

- BE - O ponto positivo é (por motivos técnicos este ponto não será preenchido por levar a um tempo demasiado extenso de ponderação para encontrar qualquer coisa para escrever), o ponto negativo é este ser um partido incoerente e seria um perigo dar-lhes poder;

- Os Verdes - hum…

- PNR - Acho que não preciso de dizer nada;

- PH - Ponto positivo é dar votos a partidos mais pequenos para que o governo tenha que fazer uma coligação e dialogar com todos, o ponto negativo é que os partidos representados na Assembleia da República não são muito dados ao diálogo e compreensão;

- POUS - Pois, não sei o que dizer;

- PSR - Quem?

- MPT - Ponto positivo é serem demasiado geeks, o ponto negativo é serem demasiado geeks;

E é por isto que sinto o peso da votação, principalmente quando percebo que a minha escolha não vai ser a mais acertada mas a menos má. Seja como for, vou votar. Alguma sugestão?
Tempo de antena - O Fusível Ativo faz um apelo ao voto, seja ele qual for. Além de este ser um direito, é a única forma de nos expressarmos e escolher quem nos vai governar. Dia 5 de Junho, votem.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alfabatização da memória

Tiago Pereira é um realizador português que, segundo o próprio, filma velhinhas porque elas cantam e porque gosta de as filmar.

Numa preocupação com o património português e com a cultura popular, desde 2002 que percorre Portugal em busca de cantares, afinados e desafinados, para os registar.

Com este trabalho conseguiu organizar um arquivo vivo, que continuará a crescer se continuarmos também a preservar as memórias das várias gerações de uma família. Para isso é preciso saber ouvir os mais velhos, ouvir as suas histórias, mesmo que as repitam todas as semanas.

Num combate ao preconceito contra o folclore e a ruralidade, Tiago Ferreira quer dar autoestima à música portuguesa, lembrando que a cultura é preciosa e frágil. Este é o blog onde podem ver um dos projetos que desenvolve e aqui está a intervenção que teve no TEDx O'Porto.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Luta e resiste

Não é novidade, o país está em crise. É impossível não perceber isto porque nos é anunciado todos os dias de forma drástica, de forma derrotista e, como sempre, atirando as culpas de um para os outros. 

Se culpa é deste ou daquele, já não é uma coisa importante porque a inquisição já não mora aqui há muitos séculos e não somos nenhuns EUA para podermos matar o culpado e ficarmos felizes para sempre.

É verdade que vão haver medidas injustas, vão haver tempos difíceis, mas o importante é pensarmos em formas de contribuir para um Portugal melhor, onde a crítica deixe de ser uma arma de arremesso e passe a ser uma arma de construção.

Foi com esse intuito que desenvolvemos o Fusível Ativo e o Fusível.  O objetivo é criar parcerias, partilhar contactos entre pessoas, criar postos de trabalho, etc.. Achamos que este é um contributo essencial e temos lutado por ele. Não culpámos ninguém por ser um projeto moroso, não culpámos ninguém por estarmos em sacrifício e isso fez-nos rodear de mais pessoas interessadas em fuz(s)ilar. 

Surpresa das surpresas para todos os meios de comunicação, políticos, economistas, FMIs e presidentes é que até nos temos safado e queríamos pedir aos mesmos para motivar o povo português.

E isto motiva-nos. O que é que te motiva a ti?




quarta-feira, 4 de maio de 2011

A beleza da internet

A Goole lançou uma nova aplicação onde é possível visitar museus de todo o mundo. Através do http://www.googleartproject.com/ abrem-se as portas das mais variadas exposições e pode-se ver de perto qualquer obra exposta, bem como obter informações relevantes sobre as mesmas.

 Desta forma, a Google conseguiu fazer com que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo tenha acesso à cultura. Claro que não é mesma coisa do que ver o quadro de perto, mas é substancialmente mais barato já que não temos que tirar férias, comprar bilhetes de avião e pagar estadias, a única viagem a efetuar é virtual.

 É bom que os portugueses conheçam este projeto porque somos um povo com pouca tradição artística e/ou cultural. Num país onde o dinheiro disponibilizado para esta área é cada vez mais reduzido, corremos o risco de, a longo prazo, esta ser a única forma de nos cultivarmos.

Tirada daqui. Original de William Borguerau

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Fundação Odemira


O Fusível Ativo foi convidado pela Tânia Mestre, coordenadora do projeto Agora! para ajudar as turmas B e D do segundo ano dos cursos CEF (nível II) da Fundação Odemira a fazer uma curta-metragem. A Fundação Odemira, através da sua Escola Profissional, promove diversos cursos técnicos na área da Hotelaria e Restauração, Informática e Produção Agrária. Com estes cursos, de nível II e IV, os jovens podem obter uma dupla certificação: escolar e profissional.

O projeto Agora, promovido pela Fundação Odemira e financiado pelo Programa Escolhas 4º geração, tem como objetivo a inclusão social de jovens que pertencem a um meio socioeconómico desfavorecido. Através de atividades em diferentes áreas, pretende chegar ao seu público-alvo através da educação não formal apoiada na inovação, criatividade, interculturalidade e respeito pela diferença.

O desafio lançado era grande: os alunos tinham que estruturar um argumento, filmar e montar um filme em 4 dias de aulas sob o tema "A floresta". Pegámos no material da escola, pedimos à Helena Lobo que participasse connosco neste projeto e andámos por Odemira a filmar "O Negócio" (filme com argumento original dos alunos e cujo resultado podem consultar aqui no vimeo ou no youtube, o makingof também aqui no vimeo ou no youtube). Para ver mais alguns pormenores é só consultar a nossa página das Atividades.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os ecoinlógicos

Ser ecológico, hoje em dia, é fixe. Mas ser fixe não é necessariamente ser ecológico. Isto entra muitas vezes em conflito dentro das pessoas. Se por um lado se usa a bicicleta, por outro come-se comida que vem dentro de uma embalagem, que vem dentro de outra embalagem que vem dentro de um pacote; se por um lado se recicla, por outro refila-se que não há lugares no centro de Lisboa para parar o carro; se por um lado se anda de transportes, por outro toma-se um banho demorado onde a água potável é desperdiçada aos litros.

A moda da ecologia fez com que as pessoas se tornassem socialmente ecológicas e pessoalmente irresponsáveis. Este tipo de atitudes não ajuda em nada o mundo, ou o grau de fixeza de cada um.

Também não acho que para ser ecológico se tenha que ter um estilo de vida radicalmente diferente. Ser ecológico é assumir responsabilidade pelo mundo e ser coerente nas medidas que escolhemos optar. Mais importante ainda, é lembrar que a nossa pegada ecológica não funciona como o karma onde se anula o mal com o bem e vice-versa. Para mudar as consequências da nossa existência no mundo só é mesmo possível através de ações eficazes que podem nem sequer ser fixes.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Teatro ao Largo, um exemplo a seguir

 
O Teatro ao Largo é um projeto extraordinário e admiro  muito tudo o que fazem: adoro ver a mudança de quem monta o palco, horas mais tarde, ser um dos atores;  das ideias criativas que têm para cenários, adereços e músicas; da genialidade da adaptação ou elaboração de cada peça; do manager cheio de iniciativas, entre muitas outras coisas. 
 Aconselho vivamente qualquer espetáculo porque qualquer um faz rir crianças, velhos, jovens e adultos de qualquer extrato social. Esse é o grande desafio e a grande genialidade deste grupo: conseguem cativar toda a gente. 
 E, numa altura em que os subsídios têm uma conotação tão negativa, é bom lembrar que nem sempre são inúteis, principalmente num país onde não se dá o devido valor à cultura e em que projetos deste género são dos que marcam mais a diferença. 


http://www.teatroaolargo.com/

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Boa, boa, continuem a empurrar os jovens para o estrangeiro.

Todos tentam resolver a crise de forma estratégica, económica e burocrática. Por mais impostos, por mais PECs, por mais cortes orçamentais, o que será do nosso país, daqui a uns anos, quando não estiver cá ninguém para o governar?

Grita-se por aí que nunca houve tanta gente a emigrar desde a década de 60, que há uma enorme exportação de pessoas qualificadas, mas ninguém faz nada para os travar, muito pelo contrário. O Estado anda a abrir portas para se fugir mais rápido. Exemplo disso é InovContacto. Neste programa cofinanciado pelo Estado, é dada uma oportunidade aos jovens de irem fazer um estágio remunerado no estrangeiro por um período mínimo de 6 meses. Até aqui tudo bem e bonito. O problema é que quando estes jovens voltam, recebem uma palmadinha nas costas e um grande “Agora que já viste como é bom estar lá fora, bem-vindo ao desemprego e aos recibos verdes”.

Que fique claro que sou muito a favor do InovContacto, mas sou completamente contra o desaproveitamento da experiência que cada um dos não sei quantos mil jovens traz. 

Isto é só um exemplo que nos faz fugir, mas há mais. Casos de pessoas que trabalhavam  em projetos interessantes, que só foram reconhecidas quando foram para o estrangeiro; artistas que lutam, mas só depois de exposições “lá fora” são apreciados pelos seus conterrâneos; depois há o fenómeno “temos um granda génio, vamos dar-lhe toda a atenção e esquecer que podem haver mais”, e é ver os subsídios, por exemplo, do cinema a irem sempre parar aos mesmos tipos, ano após ano, que já deviam ter vergonha na cara, ser autossuficiente e deviam dar oportunidade a quem está a começar.

Caros senhores dirigentes, não exigimos nada de muito complicado, pedimos apenas a esses grandes cérebros que nos governam o mesmo que pediram à Europa: sejam criativos. É que, depois, não se admirem de não estar cá ninguém para votar em Vexas., muito embora já tenham um nome para isso: abstenção. 


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Complexo narcisista invertido-dissimulado (querendo com isto dizer: crítica do nosso reflexo)

Toda a gente está muito surpreendida com o comportamento dos políticos portugueses e da forma como metem os seus interesses à frente dos interesses do país. Ora, como sabemos, eles são tão portugueses como o mais comum dos mortais português. Estão a comportar-se exatamente como se comporta toda a população, ou seja, todos nós. São o reflexo do povo e julgá-los, para 99.9% da população, é ser hipócrita.

Basta olhar à nossa volta, e para nós próprios, para perceber que não temos comportamentos muito melhores. É ir na autoestrada e ver a faixa do meio sempre cheia de carros enquanto a faixa da direita (mais conhecida como a “não viril”) está sempre vazia; é ver a quantidade de pessoas que se gabam por conseguirem enganar os empregadores para não fazerem nada na hora de expediente; é ver grandes, médias, pequenas empresas e pessoas individuais a fugir aos impostos por ganância; é ver carros parados em segunda fila a perturbarem todo o funcionamento e circulação das cidades; é sermos o país das cunhas; é a quantidade de gente a viver de subsídios sem precisar; é a inveja do sucesso dos outros; é todo um conjunto de coisas que todos fazemos contribuindo para que o país seja pior e para que ele sofra as consequências dos nossos erros caindo em crise. Quem é que paga? Todos.

Eu, tu, ele nós, vós eles, todos fazemos parte deste sistema e os políticos também porque, tal como nós, são portugueses. Sim, é pior porque gerem um país, mas é importante que não nos desresponsabilizemos porque também nós mandamos em Portugal.

Portanto, antes de criticar toda a classe política (por mais que eles mereçam) devemos refletir na nossa intervenção cívica e melhorá-la. Caso contrário somos tão hipócritas como eles. 

 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Bit of friendly advice, Portugal

Aqui fica o inío de posts sem ser da nossa autoria. Os próximos serão convidados mas este primeiro foi roubado aqui. Have fun!

Sunday March 27 2011

Dear Portugal,

this is Ireland here. I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession.

They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months.

Anyway, I notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you'll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come.

For this you will be expected to be grateful. If you want to look up the proper Portuguese for bailout, I would suggest you get your English-Portuguese dictionary and look up words like: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off. This will give you a more accurate translation of what will be happening you.

I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while.

We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on.

Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while.
And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland.

Sunday Independent

segunda-feira, 28 de março de 2011

Caiu-me tudo

O Primeiro-Ministro demitiu-se, o líder da oposição ajudou, mas a culpa é dos dois. Resumidamente foi isto que aconteceu na política portuguesa. A crise saiu a ganhar porque todos a assumiram finalmente com todas as letras, como se não estivesse já instaurada há uns anos por causa da má gestão de dois partidos (que não vou dizer quem são, porque não sou de intrigas), e por causa de uma oposição demasiado literal na sua função.
Tudo isto pôs-me a pensar: Mas afinal quem é que eu quero que me represente no parlamento?
O que mais me assustou foi realizar o que de alguma forma já sabia, mas que andava a evitar: Não simpatizo nem com um líder, nem com outro, nem simpatizo especialmente com ninguém de nenhum partido. Pior ainda, não simpatizo com a crise.
E foi aí que percebi que, mais do que ter caído um governo, caíram todos os meus ideais.
Com isto não quero dizer que desisti de alguma coisa, mas é difícil pensar que ainda faltam muitos anos para haver uma nova geração de políticos que podem, eventualmente, estar na mesma luta que eu, por terem passado pelas mesmas dificuldades. Volto a salientar o eventualmente.
Porque, agora, existem, partidos que não se falam, duas gerações que não se falam  e outras pessoas que não se falam, muito à imagem dos dois líderes dos maiores partidos em Portugal. Parece que trabalhar de costas viradas uns para os outros sem pensar nos problemas de uns e de outros (que é como quem diz, pensar nos problemas em geral), está enraizada na nossa cultura.


  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ai Portugal, Portugal

O Primeiro-ministro está numa de amuar e fazer birrinha (ou passam o PEC ou não brinca mais); o Líder do PSD gosta de fazer bluff (como se alguém quisesse pegar no país nesta altura); o líder da oposição mais à esquerda, durante o debate quinzenal com o Primeiro-ministro, falou de uma possível venda de armas ao Líbano (porque é um assunto que, agora, nos interessa imenso); o líder do CDS-PP diz... coisas; o Presidente da República, por seu lado, gosta de não falar; os sindicatos parece que nunca viveram o FMI (é que se entrar por aí o FMI a classe que defendem vai ser a primeira a sofrer as consequências); temos 230 deputados que, passo a citar do site do parlamento “ (...) representam todo o país e não apenas os círculos por que são eleitos” mas nenhum deles, após reclamar e criticar este último PEC, apresentou qualquer solução/retificação/negociação.

E é neste ambiente que aguardamos, com ansiedade, resultados para que os interesses do país sejam defendidos. Esperemos é que os interesses da classe política sejam os mesmo que os nossos.


segunda-feira, 14 de março de 2011

O Mobilizamento

Queridos sindicatos, siglas que fingem não pertencer a partidos e afins:

No último Sábado, dia 12 de março, um grupo de pessoas saiu à rua para se manifestar. É engraçado reparar que, apesar de ser a voz de uma geração que se queria revoltar, indivíduos de todas as idades, classes sociais, de diferentes ideais, juntaram-se nas ruas de onze cidades portuguesas.

Isto acontece quando se partilham as razões e causas do descontentamento. Isto acontece quando não há uma luta “deles”, “nossa” ou “doutros”, porque quando há uma razão forte, a luta é de todos. Isto acontece quando se escolhe um dia pertinente para sair à rua para mostrar o descontentamento (porque, quer queiram quer não, fazer manifestações à sexta ou à segunda não é de bom tom, seja qual for o timbre em que se pretende fazer ouvir).

E assim se enchem as ruas de vozes que ajudam outras a chegar onde é preciso.

Senhores trabalhadores de todas as profissões, pessoas descontentes e injustiçadas por esse Portugal fora, seja qual for o motivo da vossa revolta, distribuam panfletos, façam uso das novas tecnologias, façam o que tiverem que fazer para percebermos o que vos chateia. Porque enquanto não o fazem vão ser acusados de estarem a manifestar-se para terem o fim de semana grande ou para ir às compras. A não ser que essa seja uma razão: tirar um dia de greve.
 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Festival da Canção

O Festival da Canção mudou. Longe vão os tempos em que se cantavam letras sobre amores de verão, sobre viagens pelo mundo, sobre amores desencontrados, sobre noitadas até às quinhentas, sobre amores felizes, sobre cantar sem desafinar em playback (clap clap), sobre primeiros amores, etc...
Talvez num reflexo da crise, e a uma semana de uma manifestação contra o estado da classe política, os grandes vencedores do festival da canção este ano foram os Homens da luta com o tema “Luta é alegria”.
Se é bom ou se é mau não sei. Tendo em conta que já fomos representados por artistas que exalavam vergonha alheia, é bom; tendo em conta que já tivemos músicas bem produzidas (há muito, muito tempo, eu sei), é mau.
Mas a verdade é que nem este festival, nem o da Eurovisão são o que eram. Já ninguém trauteia músicas da Rosa Lobato Faria, do José Calvário e do Ary dos Santos até à exaustão, e ninguém se lembra quem ganhou o festival há dois ou três anos atrás sem recorrer à wikipedia.
Portanto, agora que cheguei ao final desta pequena reflexão, ao menos os Homens da Luta puseram o festival outra vez na boca do mundo. Pode ser que, para o ano, fiquemos todos acordados até de madrugada, qual noite dos Óscares, para ver quem vence.




segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Senhores que regem o país, metam os olhos nisto

As pessoas pensam sempre que mudar o mundo implica grandes ações, ou grandes inaugurações, ou grandes subsídios, ou grandes seja lá o que for. Para mim, mudar o mundo implica pequenos gestos que façam a diferença. Um exemplo disso é a manifestação convocada para dia 12 de março.  Três pessoas revoltadas com a situação pela qual estavam a passar, decidiram agir e, do seu pequeno mundo, estão a chegar a cerca de 27 mil mundos que ficaram com vontade de ir para a rua mostrar o que sentem. Estas três pessoas conseguiram mobilizar de forma apartidária e puramente cívica uma multidão. Não precisaram de apoios financeiros, nem de grandes discursos porque, quando a mensagem é pertinente, não são precisos grandes adornos para fazer com que as pessoas acreditem e, por isso, adiram de forma espontânea a uma ideia.
Senhores do poder, metam os olhos nisto: Não arranjem grandes desculpa mas sim pequenas soluções que sejam exequíveis. Deixem de olhar para os vossos umbigos laranjas, vermelhos, cor-de-rosa, pretos, azuis ou de tons semelhantes porque ser próativo não tem cor. E já agora, se não fosse pedir muito, acreditem em nós que ainda não demos nenhuma razão para sermos desacreditados, muito ao contrário de Vexas..
Manif. dia 12 de Março 2011