segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Gosto mas não gosto.

De uma forma geral, as pessoas são contra a publicidade. Acham que é enganadora, manipuladora e uma coisa supérflua. A verdade é que a publicidade é uma forma de comunicação legítima, até porque há leis que fazem com que tenha que ser verdadeira, muito embora todos desconfiem dela. Isto é uma tentativa de culpar terceiros do consumismo a que nos sujeitamos para ter a consciência tranquila. Mas a verdade é que, se eu não gostar de couve roxa, pode vir a melhor publicidade do mundo que eu não vou comprar nem querer comê-la. 

As pessoas esquecem que ela é uma ferramenta útil que nos ajuda a escolher coisas. Imaginem um supermercado sem marcas, onde os produtos estavam todos em embalagens iguais, onde a escolha seria uma coisa aleatória, um totoloto de produtos que, como consequência, não seriam diversificados. 

Imaginem-se a precisar de um canalizador e não ter forma de o contactar porque ele, por seu lado, não tinha forma de se fazer ouvir. 

Imaginem-se numa papelaria a comprar um jornal e não saber qual vos ia calhar porque as capas eram normalizadas. 

Todas estas pequenas coisas são abafadas por alguns radicalismos que não aceitam a publicidade como uma forma de comunicação que por vezes pode mudar o mundo de uma forma positiva. 



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Futuro, essa palavra tão relativa.

Poupar, para uma pessoa normal, requer fazer coisas como comer menos vezes fora (ou mesmo deixar de o fazer), não comprar tantas coisas supérfluas, pensar melhor em como gerir os seus rendimentos, mas uma coisa é certa: irá continuar a gastar dinheiro nas suas deslocações e na sua saúde, seja de que forma for. 

Ora bem, transpondo isto para uma perspetiva maior, o Estado pode e deve cortar em algumas despesas, aliás, não fazer tantas refeições (quando? Quando somos nós a pagar a conta), não devia gastar dinheiro em coisas supérfluas (quais? Imensas), devia pensar em gerir os seus rendimentos (quais? Não sei, por isso mesmo deviam pensar neles) mas, acima de tudo, nunca deve cortar na saúde, nos transportes nem na educação. Estas 3 áreas são cruciais para termos um futuro e para fazer funcionar uma sociedade que, neste caso, está em crise já há demasiado tempo. 

Sem transportes as pessoas não podem ir trabalhar, vão preferir utilizar o transporte particular contribuindo para dificultar a circulação dentro das cidades e para poluir mais o meio ambiente. Durante a noite está a ser incentivada a condução por pessoas embriagadas e os espaços de circulação de peões são invadidos por carros mal estacionados.

Relativamente à saúde e à educação, são dois direitos que nunca devem ser postos em causa. Sem eles, existe uma classe privilegiada, a única que terá acesso a uma saúde e uma educação decente tornando estas duas áreas numa regalia. 

Não percebo qual é a estratégia a longo prazo deste governo, e de outros governos. Não percebo como é que podem estar a pensar numa forma de nos salvar quando o único futuro que vêm para um país são 4 anos de mandato. 



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Não.sei.que.mais, unidade sindical!




O sindicalismo nasceu numa altura em que a máquina era uma ameaça para o homem trabalhador (homem e mulher, para não ferir suscetibilidades). Numa tentativa de combater uma vida de trabalho de escravo onde não havia direitos, as pessoas juntaram-se na luta de um interesse comum, na procura de uma vida mais digna. 


Com o passar dos anos o proletariado tem um inimigo que não é a máquina, nem as novas tecnologias. Muito embora continue a tentar sobreviver contra o capitalismo, já não trabalha (na sua maioria) com as mãos. O proletariado são as pessoas que vendem trabalho intelectual, que continuam a lutar pelos seus direitos, mas estão dispersos, já não são uma classe única e específica. 


E com isto, os dois principais dirigentes sindicais de Portugal perderam razão, mas o que me faz confusão é que não perderam força. Muito embora os anos passem. Continuam a mobilizar só porque sim, determinados grupos a greves sem fazerem uma negociação dos direitos como deve ser, por vezes nem sequer verosímil. O poder negocial limitou-se à força que têm de fazer greve, atrás de greve, atrás de greve, até deixar de fazer sentido. Quem sai prejudicado são todos os trabalhadores, os que acreditam que estão a ser defendidos e os que sofrem as consequências destas greves sem causa. 


E estes dois grandes sindicatos que se dizem pelos trabalhadores, ficam contentes porque, na verdade, só pensam na sua visão pessoal e egoísta de continuar a mobilizar através de demagogia. 


Não sou contra as greves, sou contra esse egoísmo hipócrita de quem luta por si camuflado de uma luta comum.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Não nos cortem as veias

Lisboa é uma cidade, logo, é um organismo vivo com um fluxo constante de gente, de cultura, de ideias, de opiniões que, por vezes, podem e devem divergir. Mas tendo em conta que fazemos todos parte deste organismo, é importante saber debater ideias para que todos consigamos fazer esta cidade mexer. 

Lisboa sempre foi uma cidade pluricultural, multirracial e foi isso que fez dela o que é hoje. Aliás, quando a privaram dos seus multis e pluris, os grandes pensadores fugiram para outros países da Europa (e nem com um estado laico deixou de haver essa pressão). 

Fugiu-nos a cultura, um dos principais bombeadores de pensamentos e um dos pilares da formação de qualquer pessoa. Faz-me confusão que os séculos tenham passado e, mesmo assim, cada vez mais ela seja passada para segundo plano. Os meus amigos artistas fogem para o estrangeiro, como se fossem perseguidos por um país que não compreende o que dizem e não reconhece a importância da sua linguagem. 

Vão-se esvaindo as ideias. A cidade vai ficando vazia. Nós vamos ficando vazios e nessa altura é fácil encherem-nos com qualquer coisa. Cuidado, meus amigos, cuidado não deixem a cultura morrer.



Lisbon's Blood Vessels – A mapping experiment from Pedro Miguel Cruz on Vimeo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Morte à morte

O valor da vida humana e o valor da sua dignidade andam a ser subvertidos a nível mundial. As mortes que têm marcado a atualidade são o espelho de uma sociedade cada vez mais egoísta e fria. A forma como vídeos e fotos são divulgados pelos órgãos de comunicação social e pela internet são aberrantes. Os corpos mutilados e feridos estão acessíveis a todos, através da passagem de um olhar pelas capas de jornais. A vida humana tem um valor muito grande, independentemente de estarmos a falar de um ditador ou de uma menina de dois anos. Fazer juízos de valor sobre quem é mais importante é um crime.  Quem somos nós para julgar e perceber quem merece ou não viver?

A dignidade humana é afetada por estas imagens e estas ideias cada vez mais frequentes quer em jornais de referência, quer em redes sociais. Quando a morte é banalizada, a vida de cada ser humano sofre as consequências. O resultado é uma despreocupação crescente, é haver uma revolução a nível mundial onde 99% das pessoas não são ouvidas, é o crescente egoísmo por um bem-estar pessoal e a desvalorização da vida em sociedade. 

Quem sofre é a moral e a ética que estão a morrer à velocidade da divulgação escandalosa de cada um destes temas. A responsabilidade não está só em quem divulga mas em quem consome este tipo de informação. O sangue está nas mãos de todos mas parece que ninguém o vê nem sequer o quer limpar. 


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Onde está quem não votou?

Agora, voltando um pouco atrás no tempo, irrita-me a quantidade de pessoas que não foram votar e que andam e andaram pelas ruas a manifestar-se. O voto é a expressão do que se quer para o nosso país. A verdade é que, estando ou não contra este governo, foi uma maioria democrática que o elegeu. Se há tantas pessoas contra, a sua voz devia ter sido ouvida no devido tempo. 

É nisto que dá a abstenção. Espero que sirva de exemplo.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As nossas armas

Este sábado percebi uma coisa: ser polícia é tramado. Acredito que, muitos dos polícias que ali estavam, se queriam juntar a todos, gritar as palavras de ordem que se propagavam pelas bocas de quem os rodeava e deviam ter os seus próprios cartazes escritos mentalmente sem os puder colar nas grades da assembleia. 

Eles, que têm várias manifestações marcadas, tiveram que estar calados, tiveram que impor respeito para manter a ordem, provavelmente uma desordem na cabeça deles. 

Mesmo assim, ainda tiveram que aturar com alguns insultos descabidos que saiam da boca dos mais fracos, dos que fazem uma luta fácil e sem respeito, felizmente uma minoria. Foram recompensados com um aplauso geral pedido por um dos oradores da assembleia popular. 

É importante respeitarmos todos os cidadãos, porque estamos todos a passar pelo mesmo. Se olharmos bem para as condições de trabalho das autoridades e as razões pelas quais querem também reivindicar, percebemos claramente que eles também fazem parte dos 99%. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

As comunidades da comunidade

As novas tecnologias têm permitido criar redes de pessoas com interesses comuns. Nesse sentido sempre achei interessante projetos como o Freecycle. Este é um espaço sem fins lucrativos, onde as pessoas que já não querem determinados objetos que estão em bom estado, anunciam que os vão abandonar. Quem precisar deles só tem que combinar ir buscá-los. Desta forma reutiliza-se coisas que podiam ser deitadas fora, seguindo o nosso ditado popular em que o lixo de uns é o tesouro de outros. 


Dentro desta ideia, nasceu em Portugal o Vivências de Bairro, uma página no Facebook onde se partilha informação do mesmo género do Freecycle, e onde se acrescenta mais alguma sobre procura de casas, espaços, etc..

E como estes dois, sei de mais alguns casos interessantes onde se começam a juntar pessoas para se entreajudarem, numa simbiose que reflete o espírito comunitário.


Se souberem de mais algum sítio interessante, partilhem por aqui.




segunda-feira, 10 de outubro de 2011

I'm not an addict, it's cool, I feel alive

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Hoje em dia dou por mim a pensar “Como é que eu fazia antes da internet?”. O Google, a Wikipedia, o Facebook, Skype, o Priberam, entre muitos outros fazem parte regular do meu dia-a-dia e são ferramentas indispensáveis com as quais já não prescindo de trabalhar.

Francamente, criei alguma resistência em relação a alguns destes programas , mas quando aderi percebi o que é que estava a perder. Que fique claro: não sou uma pessoa dependente das redes sociais, sou dependente da internet pura e dura. Consumo-a todos os dias em doses cada vez menos moderadas. 

Passo bem sem televisão, sem jornais físicos, mas sem internet é que não. O meu corpo fica descompensado, preciso só de um bocadinho, nem que seja ver o tempo para o dia seguinte, de saber as paragens de autocarro, ver o mail. 

Ainda por cima o uso é cada vez mais facilitado e posso consumir em todo o lado sem censura. 

Aaah!... Esta é a verdadeira droga do sec. XXI, a dependência das dependências, pensem lá bem: quantos de vós precisam do Facebook para dar os parabéns a alguém?





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

1º Edição dos "Prémios Portugal Português"

Prémio "A elite na Judite" vai para.... Isaltino Morais!
 
O senhor Isaltino Morais anda em liberdade, mas ainda não se sabe se vai ser preso. Se tal acontecer, o simpático político, vai ser o primeiro presidente de câmara que estará encarcerado a exercer funções, porque o mandato não caduca com a sua detenção. Não sei que tipo de modificações vão ter que ser feitas para ele manter as suas reuniões, a sua secretaria pessoal, etc.. Mas parece-me extremamente interessante ter que se ir assinar um despacho na prisão.

Parabéns por ajudar a equipar melhor as prisões portuguesas! 


Prémio "Mais troikos que os troikanos" vai para... O Governo Português!!
 
Se o plano da troika está pensado para que a nossa dívida seja paga, porque é que o governo tem que tomar medidas para lá das propostas? Será para  espremer ainda mais quem não pode para e salvarem o seu bem-estar da sua classe?

Parabéns pelos esforço redobrado de nos dificultar a vida! 


Prémio "Who is who?"  vai para.... Agência de talentos WHO!
 
Esta agência conseguiu ter vários apoios financeiros pelo projeto que desenvolveu, mas nunca promoveu ninguém a não ser dívidas entre as pessoas que contratou para trabalhar nunca pagando a nenhum dos talentos. Melhor, só agora é que o caso está a vir a público porque, apesar de terem milhares de processos em cima, só a DGCI é que conseguiu penhorar bens e deixaram os seus agenciados no lodo.

Parabéns por terem conseguido ficar com o dinheiro de jovens cheios de esperança, enquanto o Estado só conseguiu penhorar os vossos bens!
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Tenho certeza que rapidamente será feita uma segunda edição destes prémios. Obrigado a todos que nos acompanharam neste evento e tenham um ótimo dia!


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

SOS

Dear US authorities,

If you really want to catch more criminals you should check Assembleia da República and Palácio de Belém. The most dangerous people of our country have been hiding there for more than 10 years. If you could just take a few of them it would be great.

Thank you very much,

Portuguese People.

PS - Please don't say nothing to German, I feel like Merkel want's to keep them there.

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Caras autoridades norte americanas,

Se quiserem  apanhar daqueles criminosos mesmo a sério, têm que ir até à Assembleia da República e ao Palácio de Belém. As pessoas mais perigosas do nosso país escondem-se lá há mais de 10 anos. Se pudessem levar alguns deles, ficávamos muito agradecidos.

Obrigadinha pela disponibilidade,

Povo português.

PS - Por favor não digam nada à Alemanha, dá-me ideia que a Merkel quer mantê-los lá.




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A razão de Darwin

Depois de tudo o que fomos apelidados, descobri o nome da minha geração: A Geração Darwinista.

 A minha geração viveu a infância sem computadores, internet e outras coisas que tais. Durante a adolescência adaptámo-nos facilmente a todas as tecnologias emergentes para sobreviver e conseguir comunicar num mundo que já não era o mesmo em que crescemos. Da mesma forma, o emprego deixou de ter a conotação que tinha no tempo dos nossos pais que nos educaram para lutarmos por uma licenciatura como garantia de um futuro, para encontrar uma empresa respeitável, trabalhar nela e ficar lá o resto das nossas vidas.

Enquanto crescíamos e nos licenciávamos o mundo foi mudando. Quando finalmente chegámos ao mercado de trabalho as regras tinham sido alteradas mais uma vez e, mais uma vez, tivemos que nos adaptar para sobreviver. Recibos verdes, freelancers, tirar mais um curso técnico aqui e ali para tentar complementar a nossa área, etc..

Agora apareceu a crise. Mais que nunca vamos ter que nos adaptar a uma nova adversidade onde a seleção natural vai ter um papel fundamental. Quem não recorrer à criatividade, ao risco, à aposta em alternativas, pode ser aniquilado do seu futuro, e morrer no mercado de trabalho ou ficar para trás num mundo que começa a andar mais depressa que nós. As licenciaturas que tirámos têm que ser vistas como uma ferramenta para traçar um percurso que pode ir para lá do que estávamos à espera.

Vejo muitas "espécies" que já estão condenadas, que se acomodaram a determinadas situações sem pensarem em alternativas e num futuro mais distante.

Felizmente, também há muita gente que se deu bem e tem uma vida estável. Mas seja como for, e tendo em conta as vicissitudes cada vez menos previsíveis, é sempre bom estar preparado para sobreviver, numa vida que vai sendo um Beagle à deriva.



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aviso

Por motivos de ordem ética e de propaganda desnecessária, o Fusível Ativo recusa-se a voltar a falar de um determinado indivíduo que habita numa das ilhas do território nacional, e cuja orientação política é associada a uma determinada fruta, muito embora a sua personalidade seja associada a outra muito encontrada na sua terra de origem. 
Este aviso é válido para os próximos tempos, não sendo aplicável a um período considerado "para todo o sempre e mais além".




Pedimos desculpas pelo incómodo. 


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Bem vindo à realidade

Não é impensável para ninguém pedir patrocínios para avançar com projetos que não podemos sustentar ou que serão mais rentáveis com o apoio de um particular. Felizmente, as empresas aceitam. Muitas vezes até parte das próprias empresas criar espaços onde promovem cidadãos que se destacam, seja pela sua arte, seja pelos seus feitos como pessoas. Quando isto acontece a opinião pública aplaude. 

Quando uma câmara municipal procura financiamento, o processo é o mesmo que o comum dos mortais: ou se endivida, ou procura um patrocinador/investidor. A diferença é que a opinião pública, neste caso, revolta-se e acha errado. Nunca vi uma ação onde houvesse uma opinião positiva neste tipo de financiamento municipal. É sempre considerado mau muito embora, a maior parte das iniciativas, tenham sucesso e adesão. 

A Baixa/Chiado - PT Blue Station foi uma forma de ganhar algum dinheiro de uma forma diferente. Não acho mal e não acho horrendo, até porque só no nome da estação é que está objetivamente representada a marca. Até acho bem mais agradável este tipo de intervenções do que pejar espaços públicos com cartazes publicitários, por vezes muito agressivos (como por exemplo uma campanha terrível que tinha uma senhora a fazer um manguito em pleno largo do rato, e nem sequer estava virada par a sede do PS). 

Esta polémica que se gera sempre que surge algo diferente é normal, mas parece que as pessoas não reparam no que as rodeia. A publicidade está espalhada por toda a cidade, muito embora estejamos tão habituados a certos meios que nem damos por isso. 

Terrível é haver mais de 15 minutos publicitários nos canais 1, 2, 3, 4 quando, legalmente, não é permitido; mau gosto é deixar certas marcas fazerem campanhas e promoções agressivas perto de escolas de ensino básico; chocante é ver certas novelas, também para um público jovem, fazerem promoção descarada de certos produtos quando também não é permitido legalmente; entre outros exemplos. 

Uma estação de metro não vai matar ninguém e se esta empresa for privatizada preparem-se para a estação McDonald’s ou El Corte Inglés.



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Onzes de setembros

Desde há 10 anos que, quando se aproxima o 11 de setembro fala-se de milhares de onzes de setembro esquecidos na história da humanidade.


A perda de vidas humanas não pode ser hierarquizada, e todos os acontecimentos que se deram nesta data ao longo da história têm o seu peso.


A verdade é que, nos últimos 10 anos, não houve um acontecimento com tanto impacto no mundo ocidental como os atentados na América em 2001. Nunca ninguém pensou que seria possível engendrar um esquema de tão grande magnitude para atingir um país que, na altura, parecia intocável. Este acontecimento afetou todo o mundo quer a nível económico quer a nível de segurança. Este foi um acontecimento tirado diretamente de um qualquer guião americano, de um filme que se tivesse aparecido anos antes ninguém acreditava puder tornar-se real.


A história da humanidade estará sempre a evoluir até a humanidade acabar. Mas a memória dos acontecimentos não é infinita e há coisas que afetam mais certas culturas que outras. A informação, neste caso tem um papel crucial. Sendo que o mundo ocidental é onde estamos inseridos, os nossos órgãos de comunicação social escolheram esse como tema recorrente deste mês.


E para quem sente que os media estão a abusar do tema, mudem de canal, não comprem jornais, não participem. Só assim é que eles percebem, porque como a maior parte deste tipo de problemas, as coisas só mudam quando agimos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Andersen Molière

Quando esta banda portuguesa entra em palco enche-o, não só por serem 7 elementos (o que ajuda), mas pelo detalhe que cada música tem. Os Andersen Molière transportam-nos para outro sítio, que não sei bem onde fica. Talvez, por isso, não seja um acaso o primeiro álbum ter nome de lugar, a "Aldeia dos Tristes", com direito a visita guiada dentro do CD (para o qual também vai um elogio pelo design).

E como destas coisas não interessa nada falar sem ouvir, oiçam aqui os Andersen Molière e comprem CDs que isso de só ter Mp3 não é bem a mesma coisa.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A alheira frita com ovo estrelado e batata frita vs um Mcqualquercoisa

Eu proponho taxar:

- Os bitoques com mais de um ovo a cavalo;

- As pessoas que molham pão com manteiga no molho dos caracóis;

- Os gelados daquela marca americana que tem um nome a imitar as línguas escandinavas;

- As francesinhas;

- Os doces conventuais;

- O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo (muito embora não o seja).

Aliás, os gordos em geral deviam pagar mais impostos para ver se aprendem. Esqueçam a educação e a aposta em ensinar o que é uma alimentação saudável. É mais fácil acabar com a liberdade de escolha, tornando-a mais elitista. Desta forma, só quem tem dinheiro poderá ter direito a pecar no que diz respeito ao que come.

Assim temos, com certeza, um SNS autossustentável.





segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Carta Aberta

Dear Mr. Woody Allen,

I couldn’t help to notice that you’ve being promoting Europe in your movies. I don’t know if you know, but Portugal is in a kind of an economical crisis. So, I was wondering if you could do your next movie in Lisbon.

Portugal has a great weather, really cheap labor work, a beautiful landscape, delicious food and great actors. Lisbon rests near the Tagus river and it’s really cosmopolitan, we even say Smurfs instead of Estrunfes.

Plus, you can get any governmental department to give you money, you just have to say that you need a “cunha” and it will lead you to places. This is a word with no translation, but so important to our people as “saudade”, although with a completely different meaning. Or you can just speak with Mariano Gago, he is great at getting financial support even when he doesn’t even wants. A great connection.

Now, to simplify all the process, I’ll make some suggestions for your casting. Lets assume, hypothetically speaking, that you would want a neurotic character. Well, you could use Alberto João Jardim, a great guy when you need some insane drama, and when I say insane drama I mean some extreme crazy passionate material, evolving underpants, lots of alcohol and the crazy  belief that government is after him.

If you have any trouble with your script being boring, you can always add an lesbian scene with Soraia Chaves and Daniela Ruah. Actually, if you put that scene in your movie you don’t need a plot.

I think I’m done, but if you have any question or you need any other advice, just contact me.

See you soon.

PS - Thank you Loulé for all the support.


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Caro Sr. Woody Allen, 



Não pude deixar de reparar que tem promovido várias cidades europeias. Não sei se sabe, mas Portugal está numa espécie de crise financeira. Estava a pensar se não podia utilizar Lisboa no seu próximo filme. 



Portugal tem um tempo espetacular, mão-de-obra barata, uma paisagem linda, comida deliciosa e ótimos atores. Lisboa está situada na margem do rio Tejo e é muito cosmopolita, até dizemos Smurf em vez de estrunfes. 



Ainda por cima consegue ter dinheiro para o seu filme através de qualquer departamento do governo, só tem que dizer que precisa de uma cunha. Esta palavra não tem tradução mas é tão importante para o nosso povo como saudade, apesar de ter um significado completamente diferente. Ou então, pode apenas falar com o Mariano Gago, ele é ótimo no que diz respeito a obter apoio financeiro, mesmo quando não o quer. Um excelente contacto. 



Agora, para simplificar todo o processo, vou fazer algumas sugestões para a escolha de atores. Vamos assumir que, hipoteticamente falando, o senhor queria uma personagem neurótica. Pode perfeitamente usar o Alberto João Jardim, um tipo excelente quando se precisa de ação, e quando digo ação estou-me a referir a material extremo, louco e apaixonado, que envolve roupa interior, muito álcool e pensamentos neuróticos como, por exemplo, achar que o governo anda a persegui-lo. 



Se tiver algum problema com o enredo, pode sempre fazer uma cena lesbiana com a Soraia Chaves e a Daniela Ruah. Na verdade, se puser esta cena no seu filme não precisa de enredo. 



Acho que é tudo, mas se tiver mais alguma questão ou quiser mais algum conselho, contacte-me.

Até breve. 

PS - Agradecimentos a Loulé por todo o apoio.





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Esquizofrenia nacionalista

As nossas fronteiras, para além de limitarem o nosso território, limitam a nossa felicidade. Um português em Portugal é diferente de um português no estrangeiro. Aliás, completamente diferente.

Quando se sai do país para viajar, ficamos contagiados com o espírito nacionalista que toma conta de nós de rompante. Vamos comer a Espanha e dizemos que em Portugal é que se come bem, bebemos um vinho em França e elogiamos o vinho nacional, comemos pão na Alemanha e gabamos Mafra e o Alentejo, vamos às praias de Itália e orgulhamo-nos das nossas serem mais bonitas. 

Quando emigramos somos considerados um povo trabalhador, a entreajuda prevalece porque partilhamos as mesmas origens, origens essas de que temos muito orgulho. Uma cerveja ou um café português sabem a casa e partilham-se com os amigos autóctones as comidas que trouxemos, numa degustação gourmet de azeite, chouriço e bacalhau.

Depois há aquele dia em que voltamos. Mal pomos um pé em Portugal, a magia desaparece. Puf! A comida já não é a mesma coisa, o vinho tem mais aditivos do que uva, o pão é só fermento, as praias estão cheias de gente e só existem duas marcas de cerveja que sabem quase ao mesmo. Não temos vontade de trabalhar, por isso há que ser esperto e, se possível, culpar outro pelos nossos erros.

A fronteira de Portugal, para os portugueses, é uma espécie de portal para o cinzentismo. Faz sentido, por isso, que tenhamos sido nós a inventar o fado e a saudade. 

Já está na altura de deixar entrar no nosso país o espírito positivo português, de preferência sem pagar portagem.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Who is the firestarter?

Uma revolução social acontece quando um grande número de pessoas se une e se insurge contra algo para fazer passar uma mensagem coletiva. A forma de o fazer nem sempre é a correta, mas não quer dizer que não haja um grave problema, ou que não haja algo para dizer. Sim, este post vai ser sobre as manifestações no Reino Unido.

Devido à forma criminosa que os protestantes adotaram, fala-se em motim em vez de revolução social. As desculpas para trocar o nome às coisas acontecem devido a várias razões, como por exemplo, não querer admitir este problema ou não querer perceber que o povo tem poder. A verdade é que os jovens ingleses estão descontentes e não vale a pena disfarçar.

Não sei se por coincidência, o governo britânico fez cortes orçamentais nos serviços sociais. Como consequência, vários serviços dedicados aos jovens deixaram de existir. Em bairros onde os problemas de pobreza e segregação são evidentes, o stress tem que sair por algum lado (senhores do governo português, leiam
este parágrafo duas vezes ou mais).

E não me venham cá com coisas que se eles tivessem fome roubavam supermercados em vez de máquinas fotográficas. O Robin dos bosques, quando tirava aos ricos para dar aos pobres, não lhes roubava batatinhas (também não as havia na altura) porque batatinhas não pagam impostos, nem rendas. Todos sabemos que, no mundo ocidental um ecrã plasma vale bem mais que um punhado de arroz.

Atenção que o descontentamento e a revolta não justificam o crime e devem ser julgadas as pessoas que quebraram a lei. Mas esta foi definitivamente uma revolução de uma geração descontente, tenham ou não tenham telemóveis topo de gama.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Bota e perdigota


Não compreendo o conceito "sacrifício suave", muito menos quando quem o aplica é um primeiro-ministro que subiu ao poder há menos de 3 meses. Durante esse período de tempo andou a dizer que esta é uma altura de contenção, de austeridade e vamos ter que apertar o cinto. Mas ele aperta apenas os cordões do fato de banho na praia. É que isto de ter quase 3 meses de mandato no currículo cansa, principalmente quando a maior parte das medidas que impôs, alegadamente não foi o governo que as quis, foram uma consequência e uma imposição da Troika
Mas não há problema, as novas tecnologias estão aqui para salvar tudo. Enquanto bebe uma margarita, Passos Coelho pode publicar no facebook mensagens espetaculares para os portugueses que este ano nem sequer vão conseguir ir dar um mergulho à Costa da Caparica porque, infelizmente, para eles os sacrifícios nunca vieram acompanhados de adjetivos simpáticos. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Não é a season que é silly

Chegou agosto.

Os lisboetas enchem-se de uma letargia gigante. Como consequência, uns vão de férias, outros ficam a trabalhar a meio gás porque há menos para fazer, mas também se quer fazer menos (e, lá fora, as esplanadas estão à espera).

Quando se passeia pelas ruas, nota-se que os passeios são realmente para os peões. Não estão lá os carros que ocupam este espaço durante todo o ano. Aliás, não estão em vários sítios, para desgosto da EMEL.

Os portugueses abandonaram a cidade cedendo espaço aos turistas. Eles passeiam-se pelas ruas e pelos nossos ouvidos, por vezes em dialetos incompreensíveis, mas têm acesso a uma moeda europeia que compreendemos muito bem, mesmo que não estejamos cá para a receber.

O café do costume está fechado, ou irá fechar brevemente. O jornal não tem conteúdos. O supermercado não tem tantas filas. Desapareceram quase todas as pessoas, ao ponto de até dar prazer ir tratar de assuntos na função pública.

Devia haver um ato oficial para chamar este mês "a gosto". 




quarta-feira, 27 de julho de 2011

E que tal fazer referendos?

Em tempos de crise o governo toma várias decisões complicadas, umas mais do que outras. Todas elas têm consequências menos boas para o povo, mas depois há umas que não percebemos e gostávamos de intervir, como por exemplo: Porque é que o governo tem fazer um orçamento retificativo para apoiar a banca?

O mais escandaloso é que os bancos têm mostrado lucros de ano para ano e contribuíram bastante para que a crise se agravasse através de um incentivo parvo a créditos para um consumo supérfluo (títulos do Diário Económico hoje: O BPI conseguiu um lucro de 79,1 milhões de euros no primeiro semestre; Lucro do banco do BCP na Polónia cresce 57% no semestre).

Por outro lado, não deveria ser o Estado a dar o exemplo e cortar nas suas despesas? Os funcionários públicos, que são os trabalhadores que usufruem de mais regalias no nosso país, deveriam ser os primeiros a terem cortes, porque somos nós que pagamos cada um dos seus privilégios.

Então porque é que esses mesmos funcionários vão ter uma sobretaxa de IRS corrigida para não serem penalizados nos descontos obrigatórios da ADSE, mas as pessoas que passam recibos verdes (que na sua grande maioria são os trabalhadores mais precários do nosso país) têm que pagar uma percentagem de um subsídio que nunca ganharam nem nunca vão ganhar?

Sinto o país à volta, sinto que estão a ser tomadas muitas medidas pouco esclarecedoras a todos os níveis. Começo a sentir uma certa impotência, derrotismo e injustiça.

A frase que mais se repete é que o espírito de sacrifício é sempre pedido aos que menos podem. Esta continuará a ser uma frase que nos vais acompanhar cada vez que picarmos o bilhete nos transportes públicos, cada vez que formos ao supermercado comprar bens essenciais, cada vez que virmos governo atrás de governo a lutar por interesses políticos em vez de interesses nacionais.
A verdade é que tenho medo do meu futuro.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Com o mal dos outros posso eu bem

Esta felicidade que temos em ver alguém pior que nós é perigosa. Isto acontece a todos os portugueses no seu dia-a-dia, mas quando acontece a nível nacional e político é perigoso, quase a roçar o parvo. A justificação permanente de que "Nós não somos como a Grécia, estamos muito melhor", é errada. Nós não somos realmente como a Grécia, por isso é irrelevante a nossa situação ser melhor ou pior que a dos gregos, porque o nosso país e a nossa economia não funcionam da mesma forma.

Não é pela Grécia estar pior que devemos ficar contentes, a desgraça dos outros não devia ser motivo para ficarmos descansados, e muito menos para acharmos que é mais fácil dar a volta por cima. Não se iludam, estamos mal, aliás, estamos muito mal. A corrupção e as injustiças são evidentes. A visão ampliada de que os políticos são o nosso mal é errada.

Quando olho à minha volta é claro que Portugal não está bem. Conheço casos de pessoas que trabalham cerca de 14 horas por dia em empresas privadas, sem receberem o equivalente pelo seu esforço e pelo seu desgaste; conheço pessoas que trabalham em empresas do Estado e, por serem demasiado competentes, foram postas na prateleira porque as chefias se sentiam ameaçadas; nos serviços públicos, mais concretamente nos hospitais, já foram várias as vezes em que vi casos simples como pernas partidas, serem diagnosticadas como entorses; entre outras coisas que me preocupam severamente, e cada vez mais, no nosso país.

Esta constante comparação com outros não ajuda a enfrentarmos com a devida preocupação os problemas que temos pela frente, muito pelo contrário, ameniza-os de uma forma infantil. Faz-me lembrar quando tinha que anunciar uma má nota aos meus pais e tentava justificar-me explicando que não sei quem também tinha tido uma nota terrível. A resposta era sempre a mesma: não quero saber da nota dos outros, os pais deles que se entendam, são as tuas notas que me preocupam. 

Acho que o nosso país precisa de pais mais exemplares.




sexta-feira, 15 de julho de 2011

Isso não é nada legal

Não é ilegal meter baixa médica sem estar doente? 

E não é um bocado escandaloso fazê-lo com o conhecimento público? 

Estejam certos ou errados no seu descontentamento com o sistema, estes polícias não deviam ser também penalizados por esta forma de protesto? 

Pior: não são eles os representantes máximos da ordem pública? 


Não perca o próximo episódio, porque nós também não!



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ler devagar

A Ler Devagar é um conceito especial em Lisboa. É um espaço que junta várias atividades à volta dos livros (sendo que eles não são o centro de cada evento).
A oferta é grande a nível de títulos, de debates, exposições, concertos, entre outros, num menu sensorial aberto a todas as bolsas, já que a maioria dos eventos são gratuitos.

A Ler Devagar nunca está igual quando a visitamos, nem que seja pelas paredes cobertas de livros sempre em mutação. Fala-se e lê-se em várias línguas, porque encontramos edições e pessoas de todas as nacionalidades.

Um café rápido transforma-se facilmente numa vagarosa estadia pela tarde fora. É por isso que apetece voltar regularmente.

   Rua Rodrigues de Faria, 103 - Edificio G.03 - 1300-501 Lisboa LX Factory (antiga Gráfica Mirandela, em Alcântara) - Tel. 213259992
 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bitaite, laracha, bocas, palpite, espingardar

Se há povo que sabe reclamar, somo nós, os portugueses. Mas se começamos por ser contidos, se alguém se junta à causa sai um rojo de críticas conjuntas direcionadas a quem de direito, mas sempre a uma distância de segurança.

Esta crítica verbal nunca passa disso mesmo. Em vez de agir, preferimos ficar a mandar bitaites, criar uma equipa que nos perceba e que nos ajude a dizer "não há direito". Ora, haver direito há, temos é que defendê-lo, enfrentar o que nos indigna de frente, pedir com licença e tirar as pedras do caminho, de preferência com estilo.

Quando alguém não se levanta num transporte para dar o seu lugar a outro que precise, a indignação não faz com que mude, mas um "olhe desculpe, pode dar-me o seu lugar?" ajuda; se somos mal atendidos em sítios públicos ou privados, não vale a pena ficarmos irritados e comparar o nosso mal com quem passou pelo mesmo. É preciso pedir o livro de reclamações ou chamar um responsável.

São estas ações que contribuem para um melhoramento dos serviços, porque os próprios serviços/comportamentos/atendimento podem não perceber que falham se não forem chamados à razão.

Sempre que reclamei, que me lembre, houve consequências a meu favor que me tornaram uma pessoa menos amarga e queixosa, porque quando vemos que é feito algo para acabar com a indignação, sentimos mais empatia pela entidade responsável pelo nosso desconforto. Vamos para casa mais satisfeitos porque as coisas funcionam e a voz de cada um, por mais pequena que seja, pode e deve ser ouvida. O melhor disto tudo é que, se todos lutarmos por este direito e optarmos por reclamar em vez de espingardar, conseguimos mudar uma sociedade. O principio é simples: Basta agir.