segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pequenos nadas



Os clichés e os ditados populares jogam na mesma modalidade, muito embora os ditados façam parte da primeira liga e os clichés estejam na liga de honra. Mas o que interessa não é ganhar, é participar, e o conceito em si é o mesmo: conhecimento empírico resumido numa pequena frase. 

Português que se preze, tem presente no seu discurso um conjunto destas frases e não pensa duas vezes antes de as utilizar. Cruzamo-nos na rua e, em 5 minutos de conversa, fogem-nos da boca para fora. Assim, num breve encontro, por mais madrasta que a vida seja, o importante é ter saúde, muito embora com o mal dos outros possamos nós bem.A análise politica fica facilitada, porque isto dos políticos são todos iguais e, a verdade, é que para além das eleições, quem se lixa é sempre o mexilhão.

Um tema que dá pano para mangas é o tempo. Eles dão tempo na rádio, na net e na televisão e a cavalo dado não se olha o dente, muito embora no ano passado não estar nada assim, até estava uma temperatura completamente diferente. Mas eles é que sabem. 

Nos encontros e reencontros com estas bengalas argumentativas e explicativas, falamos com a nossa identidade, salvo seja. Sabe muito bem telas sempre na boca, sem querer ferir suscetibilidade, já que a língua portuguesa é muito traiçoeira.




segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ornatos


Há coisas que ficam abandonadas a um canto, cobertas de uma indiferença que as deixa apodrecer. 

Sem ninguém dar por nada, alojam-se num espaço escondido, atrás de um móvel ou debaixo da vida, e vão ganhando um bolor ideológico. Ficam sentadas no mesmo sítio ano após ano após ano, e ganhamos-lhes pó. Lentamente começam a fazer parte das nossas vidas e esquecemo-nos do seu odor fétido, da sua incomodidade, ao ponto de as considerarmos, ao fim de alguns anos, inofensivas.

Depois comemo-las estragadas, causam-nos enjoos, dores de barriga, vómitos e expelimos essas coisas do nosso sistema. Ficam onde as deixámos. Primeiro como lembrança de uma má experiência, depois, tal como uma palavra repetida muitas vezes, deixam de fazer sentido e tornam-se uma coisa coberta de indiferença. 

E deixamo-las ali, abandonadas a um canto, a apodrecer outra vez no mesmo sítio. 




sexta-feira, 20 de julho de 2012

HIstórias do tamanho da minha altura

O pequeno livro do tamanho de qualquer pessoa, vai voltar a ter atenção. Desta vez, a Fnac do Colombo vai recebê-lo e apresenta-lo a quem ainda não o conhece. 

As histórias vão ser contadas pela Joana Caldeira (escritora) e Maria Vidigal (ilustradora) que vão oferecer um pequeno presente a quem quiser levar um livro para casa. 

Fica aqui o convite para sábado, dia 21, pelas 15h na Fnac do Colombo.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Inidentidade


Hoje em dia consideramo-nos todos revolucionários porque aderimos a eventos políticos no facebook; consideramo-nos todos fotógrafos, porque tiramos montes de fotos nas nossas máquinas digitais; consideramo-nos todos artistas porque colamos umas coisas ou fazemos bijuteria; consideramo-nos todos escritores, porque temos blogs, ou coisas parecidas, onde escrevemos o que nos passa pela cabeça; consideramo-nos todos cultos porque lemos os títulos gordos de todos jornais na internet; consideramo-nos uns bichos sociais porque temos montes de amizades virtuais; achamos todos que somos cozinheiros porque fizemos um workshop de sushi no mês passado; consideramo-nos todos ecologistas, porque separamos o lixo de vez em quando; consideramo-nos todos aptos para treinadores, porque seguimos todos os anos o mundial ou o euro (e porque temos o melhor jogador do mundo); consideramo-nos solidários porque damos comida para o banco alimentar uma vez por ano.

Consideramo-nos todos muito mais do que somos mas, na realidade, andamos a desenrascar uma vida. Afinal, o que é que somos realmente?



segunda-feira, 9 de julho de 2012

É como encontrar um palheiro numa agulha


Só se fala de um determinado membro do governo e da sua prestação académica. Neste caso todo, o que me anda a fazer confusão é que existem muitos exemplos como ele, uns ainda mais descarados (olha o Alberto João para aqui chamado de novo), e ninguém os chateia. 

O nosso problema não é ter um Miguel Relvas, é termos muitos Miguéis Relvas por aí e sermos condescendentes com essa situação. Só quando um jornalista se irrita é que estas informações, que nos estão mais inacessíveis, chegam a público e ao Público. 

E, nessa perspetiva, os jornalistas que tanto se têm sentido ultrajados e magoados, também não exercem da melhor forma o seu papel como divulgadores de informação verdadeira, uma informação que segue um trabalho de pesquisa que, por sua vez, segue (ou seguia) uma deontologia. 

Os jornalistas criticam as pressões dos políticos, os políticos arranjam influência nos grandes grupos económicos, os donos desses grandes grupos pensam deséticamente no seu trabalho prejudicando trabalhadores e a economia, os trabalhadores culpam o governo, que não gosta de jornalistas, que não gostam de políticos, mas que obedecem a grupos económicos que não gostam de trabalhadores, até trabalhadores que são jornalistas, que não dizem nada dos grandes grupos económicos que são geridos por pessoa que devem favores a políticos, que criticam esses grupos económicos, mas que se submetem às suas influências, e por aí fora… 

Não percebo como é que, no meio de toda esta confusão, só salte um indivíduo à baila. Não é estranho? 



quarta-feira, 20 de junho de 2012

O que é que isso interessa? Não sai no exame.


Daniel Oliveira aqui no expresso

Quarta feira, 20 de junho de 2012


Num país com baixos índices de escolarização e altos níveis de iliteracia, os pais tendem a confundir a preparação, a cultura e o conhecimento dos seus filhos com as notas que eles têm em exames. Este "conhecidómetro" instantâneo transformou-se no alfa e no ómega do nosso sistema educativo. Pouco interessa o que realmente se aprende na escola e qual a utilidade do que se aprende para o desenvolvimento intelectual, cultural, técnico e emocional (desculpem, "emocional" não, que é "eduquês") da criança (desculpem, "criança" não, que é "piegas") e do adolescente. A escola tem apenas uma função: preparar para os examesA.
Um pai um pouco mais exigente, que tente acompanhar os estudos do seu filho, depara-se sempre com a mesma avassaladora e pragmática resposta: "pai, isso não me interessa, não sai no teste"; "mãe, não é assim que está no livro". A nossa escola promove duas coisas: a completa ausência de sentido crítico e a capacidade de memorização. Não desprezo a segunda, muitíssimo longe disso. Mas, se não me levarem a mal, não chega.
Na escola portuguesa também se despreza cada vez mais a capacidade de desenvolver projetos, em grupo ou individualmente, promove-se pouco o desejo de ir mais longe do que é debitado nas aulas e dá-se muito pouco valor à expressão oral. Depois de centenas de exames, um aluno com excelentes notas pode acabar a escola sem saber desenvolver oralmente uma ideia e sem conseguir argumentar num debate. Porque o essencial da avaliação é feita através de provas escritas, sem consulta, e iguais para todos.
Compreende-se esta opção: é aquela que melhor serve o raciocínio do burocrata. E para o burocrata a exigência não se mede por o gosto por aprender (ui, o que eu fui escrever!) e pelo desenvolvimento de capacidades que são forçosamente diferentes, de pessoa para pessoa. O burocrata abomina, pela sua natureza, as variações que lhe estragam os gráficos.
Os testes e exames não servem para avaliar o que se aprendeu nas aulas e fora delas, as aulas é que servem para os alunos se prepararem para os testes e exames. E avaliados de uma forma que, com raríssimas exceções, nunca mais vão voltar a experimentar na sua vida. Nunca mais, em toda a minha vida, me tive de sentar numa secretária e despejar por escrito o que, como a esmagadora maioria dos alunos, tinha decorado uns dias antes.
O ministro Nuno Crato passa por um reformador. Porque alguém meteu na cabeça das pessoas que há uma qualquer relação entre a "escola moderna" (um movimento pedagógico considerado libertário) e as práticas e teorias em vigor nas escolas públicas e no Ministério da Educação. Na realidade, a escola sonhada por Nuno Crato é muito próxima da escola que realmente temos. Ele apenas decidiu agravar todos os seus vícios: a "examinite" aguda, o domínio absoluto do que a gíria estudantil chama de "encornanço" e o predomínio burocrático da avaliação como princípio e fim das funções do ensino. Lamentavelmente, como poderemos ver comparando o nosso sistema educativo com os melhores da Europa - o finlandês, por exemplo, que tem os melhores resultados no mundo apenas tem, que eu saiba, um exame no fim do ensino secundário -, este sistema não prepara profissionais competentes, pessoas interessadas e cidadãos conscientes. Este sistema burocrático, pensado por burocratas, apenas forma excelentes burocratas.
Nuno Crato já tinha criado os exames no final do 2º ciclo e, absoluta originalidade em toda a Europa, no final do 1º ciclo. Promete agora a introdução de mais exames nacionais, no final de cada ciclo, em mais disciplinas. Não tenho a menor dúvida que a medida é popular. Popular entre muitos pais, que podem ver as capacidades dos seus filhos traduzidas em números, sem terem de acompanhar o que eles realmente sabem. Popular entre muitos professores com menos imaginação que têm assim metas bem definidas, sem a maçada de trabalhar com a singularidade de cada aluno.
A escola, como uma fábrica de salsichas, é o sonho do ministro contabilista, do professor sem vocação e do pai sem paciência. Não vale a pena é enganar as pessoas: não se traduz em qualquer tipo de "exigência" (uma palavra com poderes mágicos, capaz de, só por ser dita, transformar a EB 2 3 de Alguidares de Baixo no Winchester College) nem em mais qualificação profissional e humana dos jovens portugueses. Os países que conseguiram dar à Escola Pública essa capacidade seguiram o caminho oposto. Aquele que Nuno Crato abomina.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Costas com costas


A nova taxa de segurança alimentar vai entrar em vigor. Diz o governo que esta medida é essencial já que irá garantir a qualidade dos produtos. Como? Porque com esta taxa foi criado o Fundo Sanitário e de Segurança Alimentar que financia os custos do controlo desta área, passando por várias vertentes distintas que vão desde a proteção dos animais até à segurança alimentar. 

Tudo isto me fez pensar numa coisa: Mas onde raio anda a ASAE? Não é suposto ser ela a tratar desta área? Em vez de se criar um fundo onde o único interesse pela comida são os tachos, porque é que não se reveem os poderes das entidades já existentes adaptando-as e mudando-as conforme as necessidades? 

Esta politica do “faz-se de novo” e que nunca é pensada a longo prazo faz-me sentir que não vivemos todos na mesma realidade, que há uma discrepância gigante entre os interesses e os papeis que cada um escolhe no nosso país. 

E essas realidades díspares são espelhadas não só na política mas em todas as formas. Por exemplo, a seleção que nos representa, que representa o nosso país e todos os portugueses no campeonato europeu de futebol, é a que mais gasta, numa ostentação que demonstra uma grande falta de respeito e que nos simboliza de forma errónea. 

Parece que somos um país feito de pessoas que não falam umas com as outras nem estão cientes da vida umas das outras. 

Talvez por isso tenha havido esta vaga de manifestações onde cada um puxa a brasa à sua sardinha mas ninguém tem sardinhas para comer. E voltamos à comida e às injustiças porque, no fundo, quem vai pagar esta taxa de segurança alimentar não vão ser as grandes superfícies, vamos ser nós. 



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Estamos que nem a Nicole o o Tom naquele filme


"PORTUGAL É EXEMPLO DE COESÃO SOCIAL E DE COMO SAIR DA CRISE"
Sublinhou o ministro da Economia

O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) foi tornada uma empresa pública, contra tudo o que tinha sido acordado com a Troika, ao deixar bem claro que devia ser posto um travão forte em relação este tipo de opções por parte do Estado.

“CAVACO PEDE URGÊNCIA NA ADOPÇÃO DE NOVAS POLÍTICAS DE EMPREGO"

Surpresa das surpresas, foi escolhido para liderar esta instituição João Pereira Rato que, coincidência das coincidências, simpatiza com o partido laranja que, mais outra coincidência, é o partido que está no governo.
E numa altura de crise, qual é o salário de um presidente de uma empresa pública? O mesmo que o do Primeiro-ministro.

"PRIVATIZAÇÃO DOS INFANTÁRIOS DA SEGURANÇA SOCIAL CAUSAM DESPEDIMENTOS COLETIVOS"

Numa altura em que se anda a vender o património ao desbarato, em que se anda a privatizar quase todas as empresas públicas, há umas que seguem um critério pouco claro e, normalmente, são essas que deviam ser as mais bem explicadas.


"CORRUPÇÃO POTENCIA CRISE EM PORTUGAL"



segunda-feira, 4 de junho de 2012

O verão tão perto


Os astros assim o quiseram e a combinação cósmica aconteceu: Rock in Rio, santos populares e futebol. Este terá sido o melhor fim de semana para a maior parte da população portuguesa e o pior para esse peixe da família dos Clupeidas, a sardinha. 

Devemos ter voltado a impressionar e a derrotar os nossos amigos europeus com consumo de cerveja; a extensão do bailarico deve ter batido recordes já que começava na Bica e acabava no Parque da Bela Vista; mesmo que não se quisesse ver o jogo era inevitável, já que os ecrãs invadiram os cafés e esplanadas. 

O que me impressionou é que havia gente em todos os sítios. 65 mil no estádio da luz, mais uns belos milhares no Rock in Rio, nos bailaricos que percorrem Lisboa é mais difícil ter números oficiais.

E o resultado deste fim de semana foi o seguinte: Portugal teve uma prestação terrível, o Rock in Rio sacou mais uns milhões e foi-se embora de barriga cheia (o mote deles é solidariedade, mas só uma ínfima percentagem vai para quem mais precisa), o Santo António que tanto se celebra nem sequer é o verdadeiro padroeiro de Lisboa.

Este ano, até estranhei serem só crianças a pedir tostõezinhos.






segunda-feira, 21 de maio de 2012

Projetos em Portugal


Então vamos lá ver se a gente se entende:

Em 2005 o PS estava no governo e decide criar as novas oportunidades para gerar, tal como o nome indica, mais oportunidades a jovens e adultos de forma a obterem equivalência ao 12ºano de escolaridade. Até aqui, quase tudo bem (não sei se concordo muito com a idade mínima de 18 anos para poder concorrer a este programa, já que é esta a idade com que se acaba este período escolar. Acho um pouco injusto para com os alunos que se esforçaram ao longo dos anos. Discutível.). 

Vamos relembrar o panorama económico a partir desta data: Começa a crise económica.

As pessoas endividaram-se ao limite, o Estado endividou-se ao limite, as autarquias endividaram-se até ao limite e quem não se endividou ao limite, chegou ao limite porque os impostos aumentaram, os produtos do dia-a-dia aumentaram, o lazer aumentou (diminuiu na oferta, mas isso é outra história), enfim, ficámos todos numa situação muito fragilizada, ao ponto de termos que pedir ajuda internacional. 

Outra das grandes consequência foi a subida drástica do desemprego, que não se deve ao facto de haver menos qualificação nem menos competências, mas sim a uma consequência e urgência do mercado em poupar.

Posto isto, voltamos ao tema principal. Houve cerca de meio milhão de inscrições nas novas oportunidades, um número significativo de interessados. Após cinco anos do projeto, e após um investimento de 1800 milhões de euros (sim, 1800 milhões de euros) quer-se acabar com ele porque não traz resultados. 

Como foram medidos estes resultados? Em estatísticas que mediram o número de pessoas  empregadas após completarem o 12ºano, esse belo indicador onde cabe mais de 20% da população atual.

Segundo os critério do Governo, devíamos era acabar com o emprego porque os resultados que demonstram não têm sido nada positivos. 


Aqui fica uma ideia: Em vez de acabar com o projeto, porque não corrigi-lo tendo em conta os problemas que foram detetados e/ou adaptá-lo às novas necessidades do mercado para não deitar à rua o dinheiro investido?

Já agora, aqui vai mais outra ideia descabida, o Governo podia acabar com os empréstimos de mão cheia, esses é que tem provado resultados drásticos e nefastos a toda a população e isto inclui o governo, essa grande massa a que todas Vexas. pertencem mas não percebem que tem dividas porque têm sempre os bolsos cheios.


99% vs 1%

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Não nego o ego


Se há coisa que o homem tem que mais nenhum outro animal tem, para além do polegar oponível, para além de ser bípede é um ego que não nos cabe em lado nenhum.

A pretensão de sermos e querermos ser o animal mais inteligente do mundo e, quem sabe, do universo leva-nos a comportamentos extremos.

Achamos que a vida não pode existir noutros planetas se não for com as condições que nos são propícias a nós (passo a redundância); achamos que dominamos as outras espécies quando existem muito mais insetos do que humanos; achamos que somos os mais desenvolvidos mas somos o único animal que consegue ser ganancioso o suficiente para estragar o seu próprio habitat, o mesmo que é insubstituível, para poder ter poder para poder ser efémero.

E é neste ego que tentam caber todos os seres humanos, líderes mundiais, líderes empresariais, líderes políticos líderes caseiros. 

Se há coisa que o Homem deve aprender é que, normalmente, e por experiência comum, quem tem a mania normalmente não é grande espingarda.

Por que é que acham que o E.T. queria tanto ligar para casa?


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Portugal e o culturismo


A cultura em Portugal está gradualmente a desaparecer. Um bocado à imagem de quando cortávamos o nosso próprio cabelo, ou o cabelo de um boneco, em criança: corta-se um pouco ali, outro bocadinho ali para acertar e, quando se dá por isso, estamos com um penteado mais que foleiro e sem cabelo para ajeitar. 

Sem ministério da cultura, a dita fica sem forma de dar nas vistas. Isto não quer dizer que, quando havia esse tal ministério, ela fosse o centro das atenções, muito pelo contrário. É por isso que faz falta o governo dedicar-se a ela. 

Sem um investimento na nossa cultura, passamos a ser um povo que executa, um povo que não sabe ser criativo e sem identidade. Esta é uma das características fundamentais a qualquer área de trabalho. Sem uma lufada de ar fresco, tornamo-nos vazios e autómatos. Estamos a ficar sem cinema, estamos a ficar sem exposições, estamos a ficar sem música, estamos a ficar sem teatro, entre outros. E isto porque se corta o tal bocadinho ali, outro acolá. 

Toda esta atitude política (nossa e deles) faz-me lembrar um poema da altura do nazismo na Alemanha: 


Quando os nazistas levaram os comunistas,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era social-democrata.

Quando eles levaram os sindicalistas,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era sindicalista.

Quando levaram os judeus,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era judeu.

Quando eles me levaram,

não havia mais quem protestasse

 Poema atribuído a Martin Niemöller



segunda-feira, 23 de abril de 2012

O que é meu é nosso


Propriedade parece um conceito simples mas está constantemente a ser transformado. Se, por um lado, a propriedade das terras já foi de inteiro pertence de reis e nobreza, hoje qualquer pessoa pode adquirir um pouco de terra (se tiver dinheiro para isso).

Com o passar dos séculos, esta mudança também se tem verificado ao nível de alguns países da União Europeia. A propriedade deixou de ser uma coisa imutável. Talvez porque o espaço na cidade escasseia, também se aproximou o artigo ao substantivo, tornando a propriedade em apropriação.

Em certos países esta é uma forma reconhecida de pessoas arranjarem casa ou espaços para divulgarem as suas ideologias, sejam elas culturais, políticas ou comerciais. 

Muito embora pareça anárquico, as regras são simples: Para que um espaço desabitado/inutilizado se torne nosso, temos que permanecer lá por mais de um período de tempo definido por lei, temos que pagar as contas e, mais importante, não podemos interferir de forma negativa na vida de terceiros como consequência dessa apropriação.

A vantagem é ter um espaço urbano menos degradado e feito para e pelos cidadãos. 

O Estado é o que melhor exemplifica a importância desta atitude quando, em obras de interesse nacional, se apropria (ou desapropria terceiros, aqui a linha que define os dois conceitos é muito ténue) de terrenos.

Não devemos nós, cidadãos portugueses, ter os mesmo direitos que essa entidade tão grande que é o Estado?



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Os haréns de Portugal

O Procurador-Geral da república quer investigar a fundo o futebol dizendo que, e citando o próprio, "O universo do futebol, virgem intocável durante anos e anos, deve ser investigado como qualquer outro". 

A meu ver é um ótimo começo para também começar a investigar a fundo outra grande virgem: a classe política. É que se o futebol é intocável, pergunto-me o que poderemos chamar às instituições políticas em Portugal? 


Os políticos e os dirigentes desportivos são a classe mais parecida, logo, devem ser tratados de forma semelhante. Se a virgem vai ser violada, façam sexo também com a outra. Até porque são estes últimos que nos andam a tirar a virgindade, dia após dia, ano após ano. 


Se o senhor PGR está preocupado, garanto-lhe que pode começar por estes dois grupos para descobrir muitas carecas e nem precisa de ir muito fundo. Basta ler os jornais diariamente. 


Vá em frente, senhor PGR, tem os nossos aplausos, mas leve todos pelo caminho, não se acanhe, ou tem razões para tal? 






segunda-feira, 9 de abril de 2012

Perguntas que vou acumulando ao longo destes tempos

 A que propósito vem a extensão do período de congelamento dos subsídios de férias e de natal? 

Como é que há tanta dificuldade em pagar portagens no norte e sul do país com as super mega novas fantásticas tecnologias? 


Como é que numa área demasiado larga em volta da assembleia da república só existem 5 lugares com parquímetro e são zona amarela? 


Como é que se está a pensar sobreviver daqui a uns anos se o Estado vende o que dá lucro e fica com o que não dá? 


Como é que a economia pode ser desenvolvida se estamos a apostar nas receitas em vez de cortar nas despesas? 


Porque é que a Maternidade Alfredo da Costa vai fechar? 
O que é que quer mesmo dizer “Estado laico”? 


O tipo que representa o nosso país, já que estamos em crise e austeridade, não devia ter um papel mais ativo para ultrapassarmos este momento? Até porque, sei lá, ele é ECONOMISTA. 


Porque é que as pessoas não apanham os cocós dos cães dos passeios? 



quarta-feira, 4 de abril de 2012

É a vida...

Há semana que, por mais esforço, é impossível escrever. As tristezas atingem tamanhos que não controlamos nem sabemos contornar.


Fica a homenagem digital. Conservemos-lhe a memória.




segunda-feira, 26 de março de 2012

Divide et impera

Quanto mais uma nação estiver dividida, mais forte fica o poder de quem estiver a implementar uma estratégia.  A quebra de estruturas faz com que a força dissipe evitando a força comum. Esta estratégia, que combina as forças políticas, militares e económicas, tem sido usada por toda a história, principalmente no que diz respeito aos grandes impérios. 

Os grupos pequenos, têm uma força menor se agirem separados. Vamos dar um exemplo hipotético: Se houvesse mais do que um sindicato de professores, seria fácil para um governo negociar com o que mais lhe convinha e deixar os outros de fora porque, na realidade, teria ouvido o sindicato.
Outro exemplo hipotético: Imagine-se que havia um país que tinha muitas manifestações feitas por várias entidades diferentes levando à banalização deste meio reivindicativo. Se conseguirmos imaginar este cenário percebemos, rapidamente, que esta expressão social poderia deixar de ter força.

Continuando com o exemplo anterior meramente especulativo: se no dia de uma grande manifestação - vamos-lhe dar o nome fictício de Greve Total – a força de protesto estivesse dividida em dois grupos diferentes, isso ia tiraria o impacto dessa “Greve Total”, já que fasear uma manifestação tira-lhe força e alivia as forças políticas.

O que vale é que isto são tudo uns grandes ses e as estratégias mais eficazes da história já ficaram para trás no tempo.


quarta-feira, 21 de março de 2012

O mistério do comboio verde

Continuando com os comboios, tenho feito algumas viagens no intercidades e nunca há serviço de bar. Avisam sempre que é temporário e tratar do assunto com a maior brevidade possível. As viagens sucedem-se e o serviço de bar continua temporariamente indisponível.

Mas afinal o que se passa no intercidades que nos deixa à sede 3 horas a fio?

O que me constou foi que o contrato de concessão terminou e não foi renovado. Será que o aluguer está assim tão alto? Será que não querem fazer mais dinheiro? Será que isto é verdade? Será que é mentira?
Será que eles comem o stock todo?


segunda-feira, 19 de março de 2012

Transparente como água


O plano Nacional de Barragens gerou uma febre por construir este tipo de empreendimentos energéticos por todo o país, sem divulgar quais são as vantagens destas construções, qual é o retorno que têm e o que é que ficamos a ganhar. 

A verdade sobre este assunto é que as novas barragens produzem 0% de energia líquida, já que consomem a totalidade do que produzem para bombear água. 

Numa visão sempre a pensar nos interesses nacionais, o Estado comprometeu-se a pagar 49 milhões de euros por ano a estas centrais, haja, ou não, produção de energia. Estes 49 milhões representam 20% do dinheiro emprestado pela Troika. 

Se pegarmos nestes dados e pensarmos na linha do rio Tua, vemos como os sucessivos governos de Portugal nunca pensam a longo prazo. A falta de visão faz com que não haja um investimento com retorno garantido no nosso país. 

Neste caso especifico, esta linha centenária podia criar 11 vezes mais emprego, por milhão investido em comparação com a barragem, se fosse mantida aberta e modernizada. Como seria isso possível? Simples: 

- Esta linha pode ser ligada a Puebla de Sanabra, Espanha, onde vai passar a linha de alta velocidade espanhola fazendo com que se chegue a Madrid numa hora e meia; 

- Bragança, através do aeródromo e de uma ligação férrea decente, facilmente entrava no circuito das lowcost, o que favorecia muito a nossa economia; 

- Se a linha não for submersa, pode ser uma enorme atração de turismo férreo, muito à imagem do que já é feito, por exemplo, em Espanha. A ligação com o Douro seria um desses motivos, entre outros; 

- Até agora já foram perdidos cerca de 2 milhões de euros com o encerramento desta linha, quer a nível de comércio local, quer a nível de receitas de bilheteira. 

Outro ponto importante que devemos lembrar é que esta é uma região do país esquecida e abandonada. Sempre tivemos dificuldade em arranjar formas de tornar o interior mais dinâmico e sustentável. Esta seria uma forma disso acontecer. 

Já não bastava os bancos estarem sempre a ganhar, também vamos ajudar os carteis da energia.



NOTA - Aqui neste programa da Biosfera está tudo explicado com mais pormenor. Vejam porque vale a pena.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Histórias do Tamanho da Minha Altura

Depois de ter sido lançado em Lisboa na Ler devagar, onde se destacou por ser o livro infantil mais vendido de 2011, Histórias do tamanho da minha altura vai ser lançado no Porto.


Tudo se vai passar na Fnac do Norteshopping às 16h. Quem quiser aparecer será recebido com a leitura do livro e pelas 3 autoras. 



terça-feira, 13 de março de 2012

WHO are you

Caras vítimas da WHO,

No Fusível Ativo, temos sempre a preocupação de dar a conhecer situações como a vossa, mas não pudemos fazer mais do que as divulgar. Felizmente, nunca fomos lesados por essa empresa, muito embora tenhamos sofrido uma ameaça da pessoa que está à frente da WHO depois de termos escrito este post aqui.

Temos recebido alguns mails de apoio ao tal post, temos recebido outros de pessoas que se querem revoltar. As únicas coisas em que podemos ajudar são:

- Mandem-nos o vosso caso que nós divulgamos o mais possível, de forma anónima. Quantos mais casos nos mandarem, mais fácil será dar a conhecer o que se passa;

- Com a autorização de quem estiver interessado, pormos-vos em contacto uns com os outros para que juntos possam unir forças contra esta situação inacreditável.

Conhecemos vários casos, de há já vários anos, em que as pessoas se vão iludindo com a possibilidade de reaver o dinheiro e vão ficando caladas. Na nossa opinião, este silêncio é egoísta já que tem permitido que se propaguem mais e mais casos de dívida.

Deem voz e cara à vossa luta, avancem. 


segunda-feira, 12 de março de 2012

Geração à quê?

Parece que faz um ano que houve uma grande manifestação, parece que andava tudo por ai a rebelar-se. parece que, há um ano, estava uma tarde agradável, que havia desespero, que havia desculpas, que havia espírito de luta. há um ano, estávamos descontentes, estávamos a marcar a diferença, estávamos a dar o nosso corpo ao manifesto.

Há 12 meses, falou-se, ouviu-se, viu-se, gritou-se, esperneou-se, exigiu-se, cantou-se, saltou-se, abraçou-se, arrepiou-se.

Depois prometemos a nós próprios, comprometemo-nos com outros que ia ser diferente, que nós é que éramos os verdadeiros, não íamos ser como eles, porque somos diferentes.

E agora cá estamos todos à espera, sentados, de braços cruzados e com o rabinho tremido de sair da zona de conforto, mesmo que essa zona não seja muito confortável.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Notícias

Foi exatamente naquela casa que a vítima entrou antes de sair. Subiu estes degraus, abriu a porta. Dizem que gostava muito de café, já que todos os dias bebia uma bica no café ao lado desta porta. A dona do café diz que esta era uma pessoa pacata, boa pessoa, respeitadora e não previa o que aconteceu. 

Nessa fatídica manhã, a vítima acordou por volta das 8, é o que diz a dona do café já que exatamente às nove e quarenta e oito já se encontrava no estabelecimento com ar de quem tinha tomado banho. Ela tomava banho todos os dias, pelo que diz o nariz da dona do café. Era só mais um dia, normal a outros dias.

Foi atrás desta porta que estamos a ver que tudo aconteceu. Era uma segunda-feira de manhã e a vítima preparava-se para sair do tal banho a que se habituara todos os dias na sua rotina, um banho que já era tão natural que era impossível prever o perigo que podia conter.

Devido à água acumulada no chão, a vítima pôs o pé em falso, talvez por não ter o tapete indicado, como já tinha apontado um amigo da vítima outras vezes, e que nos deu a descrição da casa de banho em primeira mão. Este amigo, que prefere ficar anónimo, já tinha alertado várias vezes para esta situação, mas a vítima teimava em não fazer nada em relação ao assunto.

As consequências foram trágicas, a vítima escorregou e partiu um braço em menos de um segundo. Um final drástico e inesperado, para quem pensava que sair do banho de forma rotineira nunca se poderia transformar num acidente.

Cristina Guerreiro e Miguel Barbosa, Toucadinha, TBI.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Treinadores de bancada

Se há  coisa que descredibiliza e me desaponta muito, são pessoas que exigem mudança mas não mudam; que pedem um esforço, mas não se esforçam; que dizem para irmos em frente mas não nos dão a mão. Essas pessoas ficam presas a uma zona de conforto, logo, são as últimas a mudar, porque mudar implica uma escolha. 

Depois é vê-los a fazer coisas menos inteligentes como mudar de sentido a meio da Av. João XXI (que é como quem diz, fugir com o rabo à seringa), é vê-los mandar bitaites sobre a economia e a crise, assumirem que não são ricos, quando têm um património invejável; é vê-los pedir sacrifícios durante as férias, quando eles próprios tiram férias, entre outros exemplos menos bons.

Estas pessoas, que querem tanto mas não se mexem, não percebem que mudar é um compromisso de partes em que, mesmo que uma tenha que mudar, a outra tem que lhe dar a mão, tem que estar lá nos bons e maus momentos mostrando apoio e compreensão (literalmente, não é só blá blá blá).

Se o país precisa de mudança, então temos todos que mudar em conjunto para que o bem comum seja respeitado e seja conquistado numa relação que vai bem para lá do "até que a morte nos separe".


Autoria de Banksy; tirada daqui

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Estar vivo é o contrário de estar morto

Quando alguém morre, passa de besta a bestial, ou de normal a magnífico. Morta é que uma pessoa dá nas vistas e mata os seus defeitos. O que era feito da Whitney Houston? Quem, dos seus grandes amigos que ficaram tão tristes, a elogiou e quis gravar com ela enquanto viva?

Quem era o Angélico não sei quê? Porque é que só ouvimos falar dos seus brilhantes e multifacetados talentos depois de morrer?

Como é que o João Amaral, que fez tanta frente ao PCP, foi convidado a sair teve o partido em peso no seu funeral a dar-lhe elogios atrás de elogios, que até metia nojo?
Maria José Pinto Nogueira, essa grande mulher da direita, que toda a esquerda odiava e mas que teceu os mais nobres reconhecimentos.

Mas o que é que a morte trás aos mortos que, de repente todos acham que a pessoa defunta era fantástica? Será um estigma social de hipocrisia? O medo de sermos o próximo e querermos ganhar  um lugar no céu?

Para mim morto ou vivo, cada pessoa vive daquilo que é, sem ser enaltecido com a ausência de vida. Os que cá ficam, sabem o que guardam da pessoa e a pessoa em causa, já leva com ela todas as criticas tecidas em vida, não dá para voltar atrás.

Vamos mas é louvar a vida e os vivos que esses é que precisam de elogios e incentivos.  Caso contrário, arriscamo-nos a que a taxa de suicídio aumente, numa procura de reconhecimento já que a crise anda a deitar a baixo muitos egos.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Manifesto


Parabéns Fusível Ativo!

Chegámos ao primeiro ano blogador. As nossas melhores expectativas foram atingidas com 12.000  visualizações de páginas (mais coisa menos coisa). Queremos, por isso, agradecer a todos os que passam por aqui.

Como é dia de festa e cantam as nossas almas, o blog redistribuiu os posts aleatoriamente, numa celebração estonteante! Se acharem que temos posts novos, não temos, foi mesmo uma falha técnica.

Nós decidimos celebrar de uma forma mais convencional com os seguintes presentes:

- A partir de agora, para além dos posts regulares, vamos ter cartazes quinzenais a ilustrar alguns dos posts já feitos, num regresso ao passado;


- Vamos deixar de ter os classificados, porque não teve o sucesso que esperávamos, mas continuaremos a anunciar qualquer evento relevante na página principal;


Esperemos que gostem das novas mudanças e que continuem a visitar o Fusível Ativo.





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Coisas engraçadas da vida

Dentro deste tema podia falar de episódios do quotidiano e de coincidências interessantes. E é isso mesmo que vou fazer: 

Não foi assim há tanto tempo que o governo tomou posse e deixou bem claro que não queria fazer o TGV (muito embora até tenha sido um governo com a mesma cor a lançar a ideia, mas isso é outra história que envolve a incoerência dos nossos político). Ironia do destino, afinal até acham boa ideia e estão a dar início ao processo. Por acaso, e só mesmo por acaso, as carruagens são de uma marca alemã e os carris de uma marca francesa. 

O Governo anunciou rapidamente os cortes que ia fazer de forma a mostrar trabalho e empenho. A verdade é que, só anunciar medidas não faz automaticamente que elas aconteçam. Por exemplo, houve um grande alarido quando se decidiu acabar com a Parque Expo mas a verdade é que o concelho de administração ainda não foi nomeado, entretanto não entram projetos novos porque ninguém sabe se esta empresa sobreviverá ou não e, todos os trabalhadores andam de mãos nos bolsos porque não têm nada para fazer. Ou seja, se tinham que tomar esta medida, se calhar deviam ter esperado uma altura mais oportuna onde conseguissem agilizar facilmente o processo em vez de deixarem não sei quantas pessoas num stress crónico e sem nada para fazer. 

Eleições na Madeira. Consta que ganhou o partido que todos estavam à espera que ganhasse. Até aí tudo bem. Mas é engraçado como o Governo que, só por acaso é da mesma cor do que ganhou naquela ilha, ainda não se ter pronunciado sobre a divida que esta ilha tem, nem ter tomado a iniciativa de começar a averiguar o que aconteceu. A atitude que acharam mais correta foi manter o silêncio. Vamos ver até quando mas, cá para mim, parece que desde ontem (dia das eleições) está para vir a qualquer momento uma qualquer opinião, estejam atentos ao twiter e facebook dos nossos representantes.
Mas a vida é mesmo assim, feita de coincidências todas iguais, mas há umas que são mais iguais que outras. 


Maratona invisivel

Todos sentimos a corrida das bolsas, mas não temos acesso à primeira bancada, nem percebemos bem as regras (falo por mim), nem percebemos bem onde é que se passa. Só conseguimos ver os resultados através de outros resultados de outros mercados, de outros países com outras moedas.

Faz-me alguma espécie que uma coisa tão confusa seja a que rege a economia de que todos dependemos.

Será de propósito?

Tirem o dinheiro dos bancos!

Muito embora os nossos votos sejam de um 2012 cheio de coragem de força de vontade e associativismo, queremos relembrar que ainda nos encontramos numa situação económica frágil.

Eric Cantona fez um apelo, há já algum tempo, de um protesto que não foi levado a cabo mas que é uma excelente forma de reivindicar, sem violência, sem motins, sem polícia, sem confrontos de maior. É uma forma pacífica de provar que o poder está no povo, que se todos os “pobres” levantarem o seu dinheiro, os 1% não conseguem sustentar esta imaterialidade monetária, números que vemos mas nunca sentimos, dinheiro que não existe efetivamente. Eles movimentam-no como lhes convém. Fazem dinheiro com o nosso dinheiro, e ainda nos cobrarem impostos e taxas.

Nesse sentido fazemos um apelo: Pedimos a todos que, entre o dia 13 e 14 de fevereiro, levantem todo o dinheiro das vossas contas. Nos dias seguintes voltamos a depositar, mas o objetivo é que os bancos sintam o que é estar sem dinheiro, o que é estar preso a um bem que pensam ser deles, mas que é nosso.

Vamos mostrar-lhes o amor que temos por um espírito solidário, que todos estamos metidos nesta crise, que não nos podem manipular, chantagear e, mais importante, que o povo é quem mais ordena.

Entre dia 13 e 14 de Fevereiro, levantem todo o dinheiro das vossas contas.