segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Bela adormecida


Há pouco tempo tive o prazer de explorar um dos modernos escondidos de Trás-os-Montes, nascidos nos anos 50, como consequência da construção das centrais hidroelétricas daquela região. Para alojar os trabalhadores e engenheiros, foram criadas várias aldeias modernas, seguindo as tendências arquitetónicas da altura. Os arquitetos Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos, fizeram surgir pequenos oásis que se destacavam do resto da paisagem num aglomerado de infraestruturas que acomodavam, da melhor forma, quem as habitasse. 

Chamam-lhe o moderno escondido e, agora, há algumas dessas aldeias que estão em ruínas. São, simplesmente, os vestígios de um tempo atarefado, de obras, de modernização tecnológica e de esperança. Um património arquitetónico único em Portugal, a ser consumido pela corrosão do esquecimento, o pior inimigo do nosso património e da nossa cultura. 

Fica ali, num canto adormecida, um pouco da nossa história à espera de um final feliz. 



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Se não fosse pedir muito...

Mário Soares diz que Portas deve demitir-se "o quanto antes"

Fusível Ativo diz "só o Portas?"




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A minha sina

Daqui a 20 anos, as pessoas que tiverem 50 vão ser o vestígio de uma geração que foi escoada para o estrangeiro. Vão ser o resto; vão sobreviver entre os escombros ideológicos de um país em desrecuperação.

Daqui a 20 anos, a geração dos 50 anos vai perceber que os PPRs foram uma utopia criada por quem tinha 50 anos há anos atrás, que “conta poupança” é um conceito intangível e que ordenado mínimo é igual a salário médio.


Daqui a 20 anos, a geração dos 50 que cá ficar, vai trabalhar em áreas em que nunca se tinha imaginado. Uma pequena percentagem verá nisto uma oportunidade, mas a maioria estará nesta situação por arrasto de uma constante procura de um emprego, na sua área de formação, que nunca apareceu.

Daqui a 20 anos, gostava muito de estar aqui, em Portugal, mas não sei se consigo, até porque, hoje, ninguém consegue prever o que será dos seus próximos 20 anos.




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Amor formal

Sou dum tempo sem paixões exacerbadas, sem declarações românticas, de uma geração que só declara impostos. Resumimos o que sentimos em SMS, em colonizações de pensamentos e frases que andam por ai batidas, numa réplica de coisas sentidas por outros.

Já não temos tempo. Entre horas, sempre a mais, de trabalho, tudo o resto parece um luxo que consome o nosso bem cada vez mais precioso, por ser cada vez mais escasso: o tempo.

lá se vai o amor pelos outros, o amor pelos hobbies e, pior, o amor-próprio que está sentado numa secretária 12 horas por dia.


O nosso amor está em crise e ninguém dá por isso. 




O amor hiper-realista 



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Conferências Ativas

Deixamos aqui o primeiro convite para a primeira conferência organizada pelo Fusível Ativo. Vai ser dia 20 de outubro, pelas 15h no espaço alkantara. Qualquer dúvida, é só ir aqui.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cavaco, deixa-me ir morar contigo!

Na última sexta-feira senti um arrepio quando cheguei à nossa casa, agora habitada pelo Aníbal. Perdão, senhor Aníbal que, com esta pessoa, não há “tu cá tu lá”. Ele vem de uma realidade paralela onde conceitos como “ser pobre” ou “ser economista” têm significados completamente diferentes dos nossos. 

Juntou-se um número considerável de pessoas solidárias umas com as outras, porque estar ali significava um descontentamento profundo, e comum, com o que se passa no nosso país. As palavras eram espalhadas numa onda de vozes que se propagavam rapidamente entre os presentes e chocavam com outras que vinham do sentido oposto numa tempestade de descontentamento. 

Entre um grupo de militares fortemente aplaudido e uma criança que decidiu gritar em plenos pulmões “o governo é cocó”, só não encontrei, para meu espanto, aqueles estudantes eternamente de luto que tenho visto todos os dias pelas ruas do bairro alto, mais mortos que vivos, num passo zombie a abrir caminho entre os milhares de copos de plástico espalhados pelo chão; que uivam durante a noite dificultando-me o sono. 

Apeteceu-me pegar num deles e dizer “Então, pá? Não percebes que esta luta é de todos, mas o teu futuro é maior que o meu, logo as consequências na tua vida vão ser maiores do que na minha vida?”. Mas tive pena dele, de mim, de nós. Segui em frente, com esperança de dia 29 ver mais estudantes num nojo diferente. 



Contas e essas coisas

‎"Governo prepara-se para subir IRS e taxar subsídios no privado"

Então? Não era desta que iam taxar os mais ricos?


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Diz-me com quem andas...

"Miguel Relvas garante confiar em Paulo Portas"

Vindo de quem vem e vendo a quem se destina, ficamos todos muito mais tranquilos.





quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pois...


"Soares diz que Governo está "moribundo" e deve ser substituído"

O problema é saber em que década lhe foi dada a primeira facada.




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A culpa não é da Troika


Após o último sábado, chegou-se à conclusão que nunca uma manifestação foi tão grande, o que comprova o descontentamento do povo, as injustiças sociais, a falta de trabalho, o receio pelo futuro, etc.

Os fatores que deram origem ao protesto foram disseminados na nossa sociedade há muito tempo, foram crescendo lentamente e agora desabrocham a olhos vistos, numa densa acumulação de consequências que não nos deixam ver o passado. 

Focamo-nos, por isso, no que nos está mais perto, no que nos é mais imediato.
As atenções e a raiva viram-se para a Troika, para o FMI, para o Banco Central Europeu e para a Merkel.  

Não foram eles que nos trouxeram aqui (muito embora tenham contribuído, nestes últimos tempos, para um declínio), foi uma sucessão de governos e governantes que sempre privilegiaram as grandes empresas e os grandes grupos económicos, deixando o resto das classes  desprotegidas; Foram as ascensões mágicas de quem passa rapidamente de ministro a gestor privado; foi a constante descredibilização de quem tem poder e/ou de quem nos representa, desde vários autarcas habituados a desvios, a economistas fantásticos que estão no governo; é termos pessoas que se calam constantemente em momentos em deviam falar; falam muito quando deviam estar caladas e por ai fora.

Ou seja, quando a Troika e o FMI saírem daqui, quando a Merkel se reformar, quem é que vai tomar conta do nosso país? Em quem é que acreditamos? Quem irá suceder a este governo, ao governo a seguir?

E ai lembro-me que atravessamos uma crise económica mas, também, uma crise de valores. 









Relativamente às obras do marquês

"O objetivo das mudanças é retirar carros da zona e reduzir a poluição"

E que tal não terem feito um túnel que traz o trânsito diretamente para o meio da cidade?



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Rentré

"Crato garante que erros nas colocações de professores serão corrigidos."

Se usarem no sujeito "fulano", escusam de escrever a notícia todos os anos, é só um copy paste.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O meu comodismo é igual ao teu


Pela internet, chovem mensagens críticas sobre a passividade em relação à situação política e financeira que se vive em Portugal. As pessoas apontam o dedo, ou melhor, apontam com todos os dedos que têm, até os dos pés. A censura é dirigida aos portugueses, ao comodismo, à aceitação e ao conformismo.

O que estas pessoas se esquecem é que elas próprias são os portugueses acomodados. Já aqui referi a tendência da desresponsabilização da culpa, quando alguém nascido cá se dirige ao nosso povo como “os portugueses são isto e aquilo”. Se somos todos portugueses, o correto é dizermos “nós somos isto e aquilo”. Incluam-se, assumam-se ou mudem de nacionalidade. 

Os ativistas virtuais conquistaram esta revolução, logo, esta é uma revolução sem força física. Se acham mal reajam com atos, porque as palavras são só o rastilho de uma revolução. Não é que seja errado, mas já nos deram muitos rastilhos, o problema é que ninguém acende um fósforo, um que seja. 






terça-feira, 4 de setembro de 2012

1000 horas inventadas

Já falámos aqui da Patricia Geraldes e hoje falamos outra vez. A artista plástica vai inaugurar, este sábado dia 8 pelas 16h, uma exposição intitulada "1000 horas inventadas". 

Tudo vai acontecer no Poço de Ideias, um pequeno espaço na Rua Poço dos Negros, nº15 e 17. 

Apareçam.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Rouba mas faz

Há já alguns anos atrás, houve uma história cuja a distância no tempo me faz recordar apenas a ideia geral, mas a qual queria partilhar, com todos os lapsos a que tenho direito:

Havia no Brasil uma favela (uma das que ainda deve existir, já que a pobreza não escolhe ser semeada) dominada por traficantes de armas, de drogas e de medo. Um dos habitantes da favela, farto da situação, decidiu fazer justiça pelas suas próprias mãos, de forma a acalmar o seu bairro. Pegou numa arma, foi a casa de cada um dos terroristas favelianos e matou-os.

O individuo foi rapidamente preso e julgado, sendo condenado à prisão por homicídio. A população da favela, indignada, juntou-se numa luta e numa manifestação coletiva pela liberdade deste salvador que só trouxe o bem àquela comunidade, esquecendo que este salvador tinha ceifado vidas humanas, da mesma forma cruel que as suas vítimas o fizeram. 

Quando só vemos os fins sem vermos os meios, corremos o risco de sermos tão cruéis, ou ainda piores dos que acusamos. Da mesma forma, estes “salvadores” são postos em pedestais sem nunca ser criticado o seu caminho até ao andor. Uma vez sagrados, esquece-se o passado, esquece-se o pior de humano que existe neles e em nós, para louvar um presente imediato e um futuro sempre próximo mas muito longe da verdade.


Amorasamente dedicado a:

Alberto João Jardim
Aníbal Cavaco silva e políticos em geral
Avelino Ferreira Torres
Fátima Felgueiras
Isaltino Morais
Jorge Nuno Pinto da Costa
Valentim Loureiro e respetiva família

Peço desculpa se me esqueci de alguém, mas sintam-se integrados, sabem que estarão sempre no meu coração.


Para ilustrar: a virgem que teve um filho.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pequenos nadas



Os clichés e os ditados populares jogam na mesma modalidade, muito embora os ditados façam parte da primeira liga e os clichés estejam na liga de honra. Mas o que interessa não é ganhar, é participar, e o conceito em si é o mesmo: conhecimento empírico resumido numa pequena frase. 

Português que se preze, tem presente no seu discurso um conjunto destas frases e não pensa duas vezes antes de as utilizar. Cruzamo-nos na rua e, em 5 minutos de conversa, fogem-nos da boca para fora. Assim, num breve encontro, por mais madrasta que a vida seja, o importante é ter saúde, muito embora com o mal dos outros possamos nós bem.A análise politica fica facilitada, porque isto dos políticos são todos iguais e, a verdade, é que para além das eleições, quem se lixa é sempre o mexilhão.

Um tema que dá pano para mangas é o tempo. Eles dão tempo na rádio, na net e na televisão e a cavalo dado não se olha o dente, muito embora no ano passado não estar nada assim, até estava uma temperatura completamente diferente. Mas eles é que sabem. 

Nos encontros e reencontros com estas bengalas argumentativas e explicativas, falamos com a nossa identidade, salvo seja. Sabe muito bem telas sempre na boca, sem querer ferir suscetibilidade, já que a língua portuguesa é muito traiçoeira.




segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ornatos


Há coisas que ficam abandonadas a um canto, cobertas de uma indiferença que as deixa apodrecer. 

Sem ninguém dar por nada, alojam-se num espaço escondido, atrás de um móvel ou debaixo da vida, e vão ganhando um bolor ideológico. Ficam sentadas no mesmo sítio ano após ano após ano, e ganhamos-lhes pó. Lentamente começam a fazer parte das nossas vidas e esquecemo-nos do seu odor fétido, da sua incomodidade, ao ponto de as considerarmos, ao fim de alguns anos, inofensivas.

Depois comemo-las estragadas, causam-nos enjoos, dores de barriga, vómitos e expelimos essas coisas do nosso sistema. Ficam onde as deixámos. Primeiro como lembrança de uma má experiência, depois, tal como uma palavra repetida muitas vezes, deixam de fazer sentido e tornam-se uma coisa coberta de indiferença. 

E deixamo-las ali, abandonadas a um canto, a apodrecer outra vez no mesmo sítio. 




sexta-feira, 20 de julho de 2012

HIstórias do tamanho da minha altura

O pequeno livro do tamanho de qualquer pessoa, vai voltar a ter atenção. Desta vez, a Fnac do Colombo vai recebê-lo e apresenta-lo a quem ainda não o conhece. 

As histórias vão ser contadas pela Joana Caldeira (escritora) e Maria Vidigal (ilustradora) que vão oferecer um pequeno presente a quem quiser levar um livro para casa. 

Fica aqui o convite para sábado, dia 21, pelas 15h na Fnac do Colombo.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Inidentidade


Hoje em dia consideramo-nos todos revolucionários porque aderimos a eventos políticos no facebook; consideramo-nos todos fotógrafos, porque tiramos montes de fotos nas nossas máquinas digitais; consideramo-nos todos artistas porque colamos umas coisas ou fazemos bijuteria; consideramo-nos todos escritores, porque temos blogs, ou coisas parecidas, onde escrevemos o que nos passa pela cabeça; consideramo-nos todos cultos porque lemos os títulos gordos de todos jornais na internet; consideramo-nos uns bichos sociais porque temos montes de amizades virtuais; achamos todos que somos cozinheiros porque fizemos um workshop de sushi no mês passado; consideramo-nos todos ecologistas, porque separamos o lixo de vez em quando; consideramo-nos todos aptos para treinadores, porque seguimos todos os anos o mundial ou o euro (e porque temos o melhor jogador do mundo); consideramo-nos solidários porque damos comida para o banco alimentar uma vez por ano.

Consideramo-nos todos muito mais do que somos mas, na realidade, andamos a desenrascar uma vida. Afinal, o que é que somos realmente?



segunda-feira, 9 de julho de 2012

É como encontrar um palheiro numa agulha


Só se fala de um determinado membro do governo e da sua prestação académica. Neste caso todo, o que me anda a fazer confusão é que existem muitos exemplos como ele, uns ainda mais descarados (olha o Alberto João para aqui chamado de novo), e ninguém os chateia. 

O nosso problema não é ter um Miguel Relvas, é termos muitos Miguéis Relvas por aí e sermos condescendentes com essa situação. Só quando um jornalista se irrita é que estas informações, que nos estão mais inacessíveis, chegam a público e ao Público. 

E, nessa perspetiva, os jornalistas que tanto se têm sentido ultrajados e magoados, também não exercem da melhor forma o seu papel como divulgadores de informação verdadeira, uma informação que segue um trabalho de pesquisa que, por sua vez, segue (ou seguia) uma deontologia. 

Os jornalistas criticam as pressões dos políticos, os políticos arranjam influência nos grandes grupos económicos, os donos desses grandes grupos pensam deséticamente no seu trabalho prejudicando trabalhadores e a economia, os trabalhadores culpam o governo, que não gosta de jornalistas, que não gostam de políticos, mas que obedecem a grupos económicos que não gostam de trabalhadores, até trabalhadores que são jornalistas, que não dizem nada dos grandes grupos económicos que são geridos por pessoa que devem favores a políticos, que criticam esses grupos económicos, mas que se submetem às suas influências, e por aí fora… 

Não percebo como é que, no meio de toda esta confusão, só salte um indivíduo à baila. Não é estranho? 



quarta-feira, 20 de junho de 2012

O que é que isso interessa? Não sai no exame.


Daniel Oliveira aqui no expresso

Quarta feira, 20 de junho de 2012


Num país com baixos índices de escolarização e altos níveis de iliteracia, os pais tendem a confundir a preparação, a cultura e o conhecimento dos seus filhos com as notas que eles têm em exames. Este "conhecidómetro" instantâneo transformou-se no alfa e no ómega do nosso sistema educativo. Pouco interessa o que realmente se aprende na escola e qual a utilidade do que se aprende para o desenvolvimento intelectual, cultural, técnico e emocional (desculpem, "emocional" não, que é "eduquês") da criança (desculpem, "criança" não, que é "piegas") e do adolescente. A escola tem apenas uma função: preparar para os examesA.
Um pai um pouco mais exigente, que tente acompanhar os estudos do seu filho, depara-se sempre com a mesma avassaladora e pragmática resposta: "pai, isso não me interessa, não sai no teste"; "mãe, não é assim que está no livro". A nossa escola promove duas coisas: a completa ausência de sentido crítico e a capacidade de memorização. Não desprezo a segunda, muitíssimo longe disso. Mas, se não me levarem a mal, não chega.
Na escola portuguesa também se despreza cada vez mais a capacidade de desenvolver projetos, em grupo ou individualmente, promove-se pouco o desejo de ir mais longe do que é debitado nas aulas e dá-se muito pouco valor à expressão oral. Depois de centenas de exames, um aluno com excelentes notas pode acabar a escola sem saber desenvolver oralmente uma ideia e sem conseguir argumentar num debate. Porque o essencial da avaliação é feita através de provas escritas, sem consulta, e iguais para todos.
Compreende-se esta opção: é aquela que melhor serve o raciocínio do burocrata. E para o burocrata a exigência não se mede por o gosto por aprender (ui, o que eu fui escrever!) e pelo desenvolvimento de capacidades que são forçosamente diferentes, de pessoa para pessoa. O burocrata abomina, pela sua natureza, as variações que lhe estragam os gráficos.
Os testes e exames não servem para avaliar o que se aprendeu nas aulas e fora delas, as aulas é que servem para os alunos se prepararem para os testes e exames. E avaliados de uma forma que, com raríssimas exceções, nunca mais vão voltar a experimentar na sua vida. Nunca mais, em toda a minha vida, me tive de sentar numa secretária e despejar por escrito o que, como a esmagadora maioria dos alunos, tinha decorado uns dias antes.
O ministro Nuno Crato passa por um reformador. Porque alguém meteu na cabeça das pessoas que há uma qualquer relação entre a "escola moderna" (um movimento pedagógico considerado libertário) e as práticas e teorias em vigor nas escolas públicas e no Ministério da Educação. Na realidade, a escola sonhada por Nuno Crato é muito próxima da escola que realmente temos. Ele apenas decidiu agravar todos os seus vícios: a "examinite" aguda, o domínio absoluto do que a gíria estudantil chama de "encornanço" e o predomínio burocrático da avaliação como princípio e fim das funções do ensino. Lamentavelmente, como poderemos ver comparando o nosso sistema educativo com os melhores da Europa - o finlandês, por exemplo, que tem os melhores resultados no mundo apenas tem, que eu saiba, um exame no fim do ensino secundário -, este sistema não prepara profissionais competentes, pessoas interessadas e cidadãos conscientes. Este sistema burocrático, pensado por burocratas, apenas forma excelentes burocratas.
Nuno Crato já tinha criado os exames no final do 2º ciclo e, absoluta originalidade em toda a Europa, no final do 1º ciclo. Promete agora a introdução de mais exames nacionais, no final de cada ciclo, em mais disciplinas. Não tenho a menor dúvida que a medida é popular. Popular entre muitos pais, que podem ver as capacidades dos seus filhos traduzidas em números, sem terem de acompanhar o que eles realmente sabem. Popular entre muitos professores com menos imaginação que têm assim metas bem definidas, sem a maçada de trabalhar com a singularidade de cada aluno.
A escola, como uma fábrica de salsichas, é o sonho do ministro contabilista, do professor sem vocação e do pai sem paciência. Não vale a pena é enganar as pessoas: não se traduz em qualquer tipo de "exigência" (uma palavra com poderes mágicos, capaz de, só por ser dita, transformar a EB 2 3 de Alguidares de Baixo no Winchester College) nem em mais qualificação profissional e humana dos jovens portugueses. Os países que conseguiram dar à Escola Pública essa capacidade seguiram o caminho oposto. Aquele que Nuno Crato abomina.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Costas com costas


A nova taxa de segurança alimentar vai entrar em vigor. Diz o governo que esta medida é essencial já que irá garantir a qualidade dos produtos. Como? Porque com esta taxa foi criado o Fundo Sanitário e de Segurança Alimentar que financia os custos do controlo desta área, passando por várias vertentes distintas que vão desde a proteção dos animais até à segurança alimentar. 

Tudo isto me fez pensar numa coisa: Mas onde raio anda a ASAE? Não é suposto ser ela a tratar desta área? Em vez de se criar um fundo onde o único interesse pela comida são os tachos, porque é que não se reveem os poderes das entidades já existentes adaptando-as e mudando-as conforme as necessidades? 

Esta politica do “faz-se de novo” e que nunca é pensada a longo prazo faz-me sentir que não vivemos todos na mesma realidade, que há uma discrepância gigante entre os interesses e os papeis que cada um escolhe no nosso país. 

E essas realidades díspares são espelhadas não só na política mas em todas as formas. Por exemplo, a seleção que nos representa, que representa o nosso país e todos os portugueses no campeonato europeu de futebol, é a que mais gasta, numa ostentação que demonstra uma grande falta de respeito e que nos simboliza de forma errónea. 

Parece que somos um país feito de pessoas que não falam umas com as outras nem estão cientes da vida umas das outras. 

Talvez por isso tenha havido esta vaga de manifestações onde cada um puxa a brasa à sua sardinha mas ninguém tem sardinhas para comer. E voltamos à comida e às injustiças porque, no fundo, quem vai pagar esta taxa de segurança alimentar não vão ser as grandes superfícies, vamos ser nós. 



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Estamos que nem a Nicole o o Tom naquele filme


"PORTUGAL É EXEMPLO DE COESÃO SOCIAL E DE COMO SAIR DA CRISE"
Sublinhou o ministro da Economia

O Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) foi tornada uma empresa pública, contra tudo o que tinha sido acordado com a Troika, ao deixar bem claro que devia ser posto um travão forte em relação este tipo de opções por parte do Estado.

“CAVACO PEDE URGÊNCIA NA ADOPÇÃO DE NOVAS POLÍTICAS DE EMPREGO"

Surpresa das surpresas, foi escolhido para liderar esta instituição João Pereira Rato que, coincidência das coincidências, simpatiza com o partido laranja que, mais outra coincidência, é o partido que está no governo.
E numa altura de crise, qual é o salário de um presidente de uma empresa pública? O mesmo que o do Primeiro-ministro.

"PRIVATIZAÇÃO DOS INFANTÁRIOS DA SEGURANÇA SOCIAL CAUSAM DESPEDIMENTOS COLETIVOS"

Numa altura em que se anda a vender o património ao desbarato, em que se anda a privatizar quase todas as empresas públicas, há umas que seguem um critério pouco claro e, normalmente, são essas que deviam ser as mais bem explicadas.


"CORRUPÇÃO POTENCIA CRISE EM PORTUGAL"



segunda-feira, 4 de junho de 2012

O verão tão perto


Os astros assim o quiseram e a combinação cósmica aconteceu: Rock in Rio, santos populares e futebol. Este terá sido o melhor fim de semana para a maior parte da população portuguesa e o pior para esse peixe da família dos Clupeidas, a sardinha. 

Devemos ter voltado a impressionar e a derrotar os nossos amigos europeus com consumo de cerveja; a extensão do bailarico deve ter batido recordes já que começava na Bica e acabava no Parque da Bela Vista; mesmo que não se quisesse ver o jogo era inevitável, já que os ecrãs invadiram os cafés e esplanadas. 

O que me impressionou é que havia gente em todos os sítios. 65 mil no estádio da luz, mais uns belos milhares no Rock in Rio, nos bailaricos que percorrem Lisboa é mais difícil ter números oficiais.

E o resultado deste fim de semana foi o seguinte: Portugal teve uma prestação terrível, o Rock in Rio sacou mais uns milhões e foi-se embora de barriga cheia (o mote deles é solidariedade, mas só uma ínfima percentagem vai para quem mais precisa), o Santo António que tanto se celebra nem sequer é o verdadeiro padroeiro de Lisboa.

Este ano, até estranhei serem só crianças a pedir tostõezinhos.






segunda-feira, 21 de maio de 2012

Projetos em Portugal


Então vamos lá ver se a gente se entende:

Em 2005 o PS estava no governo e decide criar as novas oportunidades para gerar, tal como o nome indica, mais oportunidades a jovens e adultos de forma a obterem equivalência ao 12ºano de escolaridade. Até aqui, quase tudo bem (não sei se concordo muito com a idade mínima de 18 anos para poder concorrer a este programa, já que é esta a idade com que se acaba este período escolar. Acho um pouco injusto para com os alunos que se esforçaram ao longo dos anos. Discutível.). 

Vamos relembrar o panorama económico a partir desta data: Começa a crise económica.

As pessoas endividaram-se ao limite, o Estado endividou-se ao limite, as autarquias endividaram-se até ao limite e quem não se endividou ao limite, chegou ao limite porque os impostos aumentaram, os produtos do dia-a-dia aumentaram, o lazer aumentou (diminuiu na oferta, mas isso é outra história), enfim, ficámos todos numa situação muito fragilizada, ao ponto de termos que pedir ajuda internacional. 

Outra das grandes consequência foi a subida drástica do desemprego, que não se deve ao facto de haver menos qualificação nem menos competências, mas sim a uma consequência e urgência do mercado em poupar.

Posto isto, voltamos ao tema principal. Houve cerca de meio milhão de inscrições nas novas oportunidades, um número significativo de interessados. Após cinco anos do projeto, e após um investimento de 1800 milhões de euros (sim, 1800 milhões de euros) quer-se acabar com ele porque não traz resultados. 

Como foram medidos estes resultados? Em estatísticas que mediram o número de pessoas  empregadas após completarem o 12ºano, esse belo indicador onde cabe mais de 20% da população atual.

Segundo os critério do Governo, devíamos era acabar com o emprego porque os resultados que demonstram não têm sido nada positivos. 


Aqui fica uma ideia: Em vez de acabar com o projeto, porque não corrigi-lo tendo em conta os problemas que foram detetados e/ou adaptá-lo às novas necessidades do mercado para não deitar à rua o dinheiro investido?

Já agora, aqui vai mais outra ideia descabida, o Governo podia acabar com os empréstimos de mão cheia, esses é que tem provado resultados drásticos e nefastos a toda a população e isto inclui o governo, essa grande massa a que todas Vexas. pertencem mas não percebem que tem dividas porque têm sempre os bolsos cheios.


99% vs 1%

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Não nego o ego


Se há coisa que o homem tem que mais nenhum outro animal tem, para além do polegar oponível, para além de ser bípede é um ego que não nos cabe em lado nenhum.

A pretensão de sermos e querermos ser o animal mais inteligente do mundo e, quem sabe, do universo leva-nos a comportamentos extremos.

Achamos que a vida não pode existir noutros planetas se não for com as condições que nos são propícias a nós (passo a redundância); achamos que dominamos as outras espécies quando existem muito mais insetos do que humanos; achamos que somos os mais desenvolvidos mas somos o único animal que consegue ser ganancioso o suficiente para estragar o seu próprio habitat, o mesmo que é insubstituível, para poder ter poder para poder ser efémero.

E é neste ego que tentam caber todos os seres humanos, líderes mundiais, líderes empresariais, líderes políticos líderes caseiros. 

Se há coisa que o Homem deve aprender é que, normalmente, e por experiência comum, quem tem a mania normalmente não é grande espingarda.

Por que é que acham que o E.T. queria tanto ligar para casa?


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Portugal e o culturismo


A cultura em Portugal está gradualmente a desaparecer. Um bocado à imagem de quando cortávamos o nosso próprio cabelo, ou o cabelo de um boneco, em criança: corta-se um pouco ali, outro bocadinho ali para acertar e, quando se dá por isso, estamos com um penteado mais que foleiro e sem cabelo para ajeitar. 

Sem ministério da cultura, a dita fica sem forma de dar nas vistas. Isto não quer dizer que, quando havia esse tal ministério, ela fosse o centro das atenções, muito pelo contrário. É por isso que faz falta o governo dedicar-se a ela. 

Sem um investimento na nossa cultura, passamos a ser um povo que executa, um povo que não sabe ser criativo e sem identidade. Esta é uma das características fundamentais a qualquer área de trabalho. Sem uma lufada de ar fresco, tornamo-nos vazios e autómatos. Estamos a ficar sem cinema, estamos a ficar sem exposições, estamos a ficar sem música, estamos a ficar sem teatro, entre outros. E isto porque se corta o tal bocadinho ali, outro acolá. 

Toda esta atitude política (nossa e deles) faz-me lembrar um poema da altura do nazismo na Alemanha: 


Quando os nazistas levaram os comunistas,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era social-democrata.

Quando eles levaram os sindicalistas,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era sindicalista.

Quando levaram os judeus,

eu não protestei,

porque, afinal,

eu não era judeu.

Quando eles me levaram,

não havia mais quem protestasse

 Poema atribuído a Martin Niemöller



segunda-feira, 23 de abril de 2012

O que é meu é nosso


Propriedade parece um conceito simples mas está constantemente a ser transformado. Se, por um lado, a propriedade das terras já foi de inteiro pertence de reis e nobreza, hoje qualquer pessoa pode adquirir um pouco de terra (se tiver dinheiro para isso).

Com o passar dos séculos, esta mudança também se tem verificado ao nível de alguns países da União Europeia. A propriedade deixou de ser uma coisa imutável. Talvez porque o espaço na cidade escasseia, também se aproximou o artigo ao substantivo, tornando a propriedade em apropriação.

Em certos países esta é uma forma reconhecida de pessoas arranjarem casa ou espaços para divulgarem as suas ideologias, sejam elas culturais, políticas ou comerciais. 

Muito embora pareça anárquico, as regras são simples: Para que um espaço desabitado/inutilizado se torne nosso, temos que permanecer lá por mais de um período de tempo definido por lei, temos que pagar as contas e, mais importante, não podemos interferir de forma negativa na vida de terceiros como consequência dessa apropriação.

A vantagem é ter um espaço urbano menos degradado e feito para e pelos cidadãos. 

O Estado é o que melhor exemplifica a importância desta atitude quando, em obras de interesse nacional, se apropria (ou desapropria terceiros, aqui a linha que define os dois conceitos é muito ténue) de terrenos.

Não devemos nós, cidadãos portugueses, ter os mesmo direitos que essa entidade tão grande que é o Estado?