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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Carta Aberta

Dear Mr. Woody Allen,

I couldn’t help to notice that you’ve being promoting Europe in your movies. I don’t know if you know, but Portugal is in a kind of an economical crisis. So, I was wondering if you could do your next movie in Lisbon.

Portugal has a great weather, really cheap labor work, a beautiful landscape, delicious food and great actors. Lisbon rests near the Tagus river and it’s really cosmopolitan, we even say Smurfs instead of Estrunfes.

Plus, you can get any governmental department to give you money, you just have to say that you need a “cunha” and it will lead you to places. This is a word with no translation, but so important to our people as “saudade”, although with a completely different meaning. Or you can just speak with Mariano Gago, he is great at getting financial support even when he doesn’t even wants. A great connection.

Now, to simplify all the process, I’ll make some suggestions for your casting. Lets assume, hypothetically speaking, that you would want a neurotic character. Well, you could use Alberto João Jardim, a great guy when you need some insane drama, and when I say insane drama I mean some extreme crazy passionate material, evolving underpants, lots of alcohol and the crazy  belief that government is after him.

If you have any trouble with your script being boring, you can always add an lesbian scene with Soraia Chaves and Daniela Ruah. Actually, if you put that scene in your movie you don’t need a plot.

I think I’m done, but if you have any question or you need any other advice, just contact me.

See you soon.

PS - Thank you Loulé for all the support.


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Caro Sr. Woody Allen, 



Não pude deixar de reparar que tem promovido várias cidades europeias. Não sei se sabe, mas Portugal está numa espécie de crise financeira. Estava a pensar se não podia utilizar Lisboa no seu próximo filme. 



Portugal tem um tempo espetacular, mão-de-obra barata, uma paisagem linda, comida deliciosa e ótimos atores. Lisboa está situada na margem do rio Tejo e é muito cosmopolita, até dizemos Smurf em vez de estrunfes. 



Ainda por cima consegue ter dinheiro para o seu filme através de qualquer departamento do governo, só tem que dizer que precisa de uma cunha. Esta palavra não tem tradução mas é tão importante para o nosso povo como saudade, apesar de ter um significado completamente diferente. Ou então, pode apenas falar com o Mariano Gago, ele é ótimo no que diz respeito a obter apoio financeiro, mesmo quando não o quer. Um excelente contacto. 



Agora, para simplificar todo o processo, vou fazer algumas sugestões para a escolha de atores. Vamos assumir que, hipoteticamente falando, o senhor queria uma personagem neurótica. Pode perfeitamente usar o Alberto João Jardim, um tipo excelente quando se precisa de ação, e quando digo ação estou-me a referir a material extremo, louco e apaixonado, que envolve roupa interior, muito álcool e pensamentos neuróticos como, por exemplo, achar que o governo anda a persegui-lo. 



Se tiver algum problema com o enredo, pode sempre fazer uma cena lesbiana com a Soraia Chaves e a Daniela Ruah. Na verdade, se puser esta cena no seu filme não precisa de enredo. 



Acho que é tudo, mas se tiver mais alguma questão ou quiser mais algum conselho, contacte-me.

Até breve. 

PS - Agradecimentos a Loulé por todo o apoio.





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Esquizofrenia nacionalista

As nossas fronteiras, para além de limitarem o nosso território, limitam a nossa felicidade. Um português em Portugal é diferente de um português no estrangeiro. Aliás, completamente diferente.

Quando se sai do país para viajar, ficamos contagiados com o espírito nacionalista que toma conta de nós de rompante. Vamos comer a Espanha e dizemos que em Portugal é que se come bem, bebemos um vinho em França e elogiamos o vinho nacional, comemos pão na Alemanha e gabamos Mafra e o Alentejo, vamos às praias de Itália e orgulhamo-nos das nossas serem mais bonitas. 

Quando emigramos somos considerados um povo trabalhador, a entreajuda prevalece porque partilhamos as mesmas origens, origens essas de que temos muito orgulho. Uma cerveja ou um café português sabem a casa e partilham-se com os amigos autóctones as comidas que trouxemos, numa degustação gourmet de azeite, chouriço e bacalhau.

Depois há aquele dia em que voltamos. Mal pomos um pé em Portugal, a magia desaparece. Puf! A comida já não é a mesma coisa, o vinho tem mais aditivos do que uva, o pão é só fermento, as praias estão cheias de gente e só existem duas marcas de cerveja que sabem quase ao mesmo. Não temos vontade de trabalhar, por isso há que ser esperto e, se possível, culpar outro pelos nossos erros.

A fronteira de Portugal, para os portugueses, é uma espécie de portal para o cinzentismo. Faz sentido, por isso, que tenhamos sido nós a inventar o fado e a saudade. 

Já está na altura de deixar entrar no nosso país o espírito positivo português, de preferência sem pagar portagem.