segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Todos iguais, todos diferentes


No meu trabalho eu não me posso abster das minhas responsabilidades. Não posso, simplesmente, não participar. As consequências são óbvias e rapidamente imputáveis. 
É exigido de mim que cumpra o que me comprometi a fazer e eu, por ter aceite essa responsabilidade cumpro. Não é bom nem mau, é o que é.

Na assembleia da república parece que essa responsabilidade é vista de uma forma frívola, muito embora todos os 230 deputados serem contra a abstenção quando se candidatam a qualquer órgão de soberania. Eles, que representam sufragicamente a nossa escolha, são os primeiros a fugir ao principio básico que defendem na democracia; eles, que são eleitos para defender os nossos interesses têm a opção de não se dignarem a fazê-lo, numa desresponsabilização umbilical, exatamente contrária à posição que deviam ter. 

A visão distorcida de responsabilidade reflete algumas razões para estarmos onde estamos. Até todos sermos reconhecidos como cidadãos iguais é difícil acreditar que vamos superar esta fase de crise em conjunto e sem desigualdades.





Obrigada Miguel Cardoso pela inspiração noturna.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Bela adormecida


Há pouco tempo tive o prazer de explorar um dos modernos escondidos de Trás-os-Montes, nascidos nos anos 50, como consequência da construção das centrais hidroelétricas daquela região. Para alojar os trabalhadores e engenheiros, foram criadas várias aldeias modernas, seguindo as tendências arquitetónicas da altura. Os arquitetos Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos, fizeram surgir pequenos oásis que se destacavam do resto da paisagem num aglomerado de infraestruturas que acomodavam, da melhor forma, quem as habitasse. 

Chamam-lhe o moderno escondido e, agora, há algumas dessas aldeias que estão em ruínas. São, simplesmente, os vestígios de um tempo atarefado, de obras, de modernização tecnológica e de esperança. Um património arquitetónico único em Portugal, a ser consumido pela corrosão do esquecimento, o pior inimigo do nosso património e da nossa cultura. 

Fica ali, num canto adormecida, um pouco da nossa história à espera de um final feliz. 



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Se não fosse pedir muito...

Mário Soares diz que Portas deve demitir-se "o quanto antes"

Fusível Ativo diz "só o Portas?"




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A minha sina

Daqui a 20 anos, as pessoas que tiverem 50 vão ser o vestígio de uma geração que foi escoada para o estrangeiro. Vão ser o resto; vão sobreviver entre os escombros ideológicos de um país em desrecuperação.

Daqui a 20 anos, a geração dos 50 anos vai perceber que os PPRs foram uma utopia criada por quem tinha 50 anos há anos atrás, que “conta poupança” é um conceito intangível e que ordenado mínimo é igual a salário médio.


Daqui a 20 anos, a geração dos 50 que cá ficar, vai trabalhar em áreas em que nunca se tinha imaginado. Uma pequena percentagem verá nisto uma oportunidade, mas a maioria estará nesta situação por arrasto de uma constante procura de um emprego, na sua área de formação, que nunca apareceu.

Daqui a 20 anos, gostava muito de estar aqui, em Portugal, mas não sei se consigo, até porque, hoje, ninguém consegue prever o que será dos seus próximos 20 anos.




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Amor formal

Sou dum tempo sem paixões exacerbadas, sem declarações românticas, de uma geração que só declara impostos. Resumimos o que sentimos em SMS, em colonizações de pensamentos e frases que andam por ai batidas, numa réplica de coisas sentidas por outros.

Já não temos tempo. Entre horas, sempre a mais, de trabalho, tudo o resto parece um luxo que consome o nosso bem cada vez mais precioso, por ser cada vez mais escasso: o tempo.

lá se vai o amor pelos outros, o amor pelos hobbies e, pior, o amor-próprio que está sentado numa secretária 12 horas por dia.


O nosso amor está em crise e ninguém dá por isso. 




O amor hiper-realista