segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O Estado da arte

A cultura em Portugal está a ser descorada. Ela é um pilar fundamental para qualquer país, para qualquer povo e para qualquer pessoa. É difícil que seja sempre rentável e, como tal, os financiamentos são tema constante neste campo, pois a falta dos mesmos podem torná-lo infértil.

Existem projetos que, devido ao seu retorno cultural, devem ter sempre um investimento do Estado ou de particulares. Outros, no entanto, devem ganhar um estado particular de autonomia, para dar lugar a novos projetos. As pessoas que estão há mais tempo na área lamentam-se da vida difícil. Imaginem o que custa ter talento mas não ter reputação, porque esse lugar está sempre ocupado.

Se há festivais de espetáculos que se repetem ano após ano e não dão frutos (ou pelo menos não se pagam), se há cineastas que tem carreiras de décadas, mas ainda não conseguem autonomia monetária para os seus filmes florescerem (como patrocínios, parcerias ou outros), não deveriam esses financiamentos ser transferidos para novos talentos e novos projetos emergentes?

Não se deveria dar oportunidade a outros que lutam com as mesmas dificuldades para crescer, mas que não têm a mesma força de impressão que um nome sonante? 
A ideia pode ser facilmente confundida com produção em massa e/ou para massas, ou com o trabalho “comercial”. Mas comercializar a cultura é tão mau como intelectualiza-la para elites do meio. Os intelectuais portugueses, por vezes, são muito intelectuais e os comerciais talvez sejam muito comerciais. Poderia ser interessante tornar estes dois tipos de pessoas mais ecléticas. 

E isto não é uma ofensa às artes. Vamos ser realistas, um artista gosta de fazer dinheiro com a sua criatividade e não deixa de ser menos sério por causa disso. Não sei como é que funcionavam os artistas rupestres, mas, desde que existem trocas comerciais, a arte tem um valor, e quem a faz deve abraçar esse facto, porque ser artista é, também, ter uma profissão. 

Quando se trabalha, nem todos os dias são perfeitos e nem todos os dias se faz o que se quer. Ainda bem. Isto permite abrir perspetivas, explorar, superar desafios e aprender, ou achar que não é nada disto que queremos fazer para o resto das nossas vidas.
Se o Estado e os particulares tivessem, ou quisessem, investir muito dinheiro na cultura, era espetacular. Mas isso não existe e, mesmo assim, não defenderia o subsídio vitalício para determinados projetos, porque a estagnação também mata a cultura.
Para terminar, faço aqui uma grande ressalva às exceções, lembrando que não estão em causa os financiamentos e o seu bem para a cultura; estão em causa os projetos e as pessoas que se encostam neles de tal forma que os tomam por garantidos, só porque, em tempos, foram uma boa ideia.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Normalidade definida por anormais

A coadoção por casais do mesmo sexo é um assunto que aborda várias questões éticas que não estão nada relacionadas, mas mesmo nada, com a sexualidade. Estamos a discutir direitos que deviam ser iguais para todos e não são. Além disso, esta decisão teve por base o conceito de “família normal” que os deputados definiram. Só mesmo uma sociedade retrógrada acha impensável ponderar novos conceitos de família. Podia falar de casos de pais divorciados, mães solteiras, pais divorciados que partilham casa com amigos do mesmo sexo, crianças que são educadas pelos avós, crianças que são educadas por um tio ou uma tia, etc... Mas nem vou por aí.

Vamos apenas supor que eu vivo num país Africano e o governo desse país define que casais caucasianas não podem adotar crianças porque não estão dentro dos parâmetros de “família normal” deste país. Como é que isto se chama? Vou dar uma pista: começa com D e acaba em iscriminação. Ou então vamos supor que os deputados determinam que também não é saudável para uma criança ter pais de diferentes religiões (não vá ele achar que esfregar a barriga do Jesus gordo dá sorte, Deus nos proteja), ou que a raça lusitana está em perigo e, como tal, casais nórdicos não podem adotar porque vão poluir a cabecinha das nossas criancinhas latinas com deuses celtas e saunas onde estão todos nus (que nojo!).

Agora é a parte do chorrilho de pessoas que vão dizer “ah, não é a mesma coisa porque coiso”. Então porque é que um casal gay, não casado, pode adotar? Sim, vai ter que dizer que vive com um “amigo/a”, mas pode. Isto também tem um nome: hipocrisia.

Senhores deputados, tenham juízo, porque começam a restar muito poucos adjetivos depreciativos para vos atribuir, e guardem os assuntos de casa em casa, e os assuntos dos cidadãos para o parlamento, sim?



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

F(r)ações

Fazemos parte de uma categoria que se chama primeiro mundo do mundo, numa escala feita com dois lugares de 3, ou seja, ou se é do primeiro mundo ou se é do terceiro mundo, porque não há lugar para medianos. 

Esta escala também é aplicada a um nível mais pequeno: Em alguns países estamos divididos em primeiros cidadãos e terceiros cidadãos, na escala de cidadãos. A grande diferença entre os dois grupos (tal como nos dois grupos do mundo) é que, enquanto uns não têm máximos, os outros têm que se contentar com os mínimos. 

Do kit mínimo fazem parte: um luxo mínimo, um gasto mínimo porque, neste kit o ordenado também é mínimo. 

O kit sem máximos, ironicamente, é composto por uma máxima: Desviar não é roubar.

E são a todos os terceiros do mundo, e dos países, a quem é pedido para acreditar, para ter confiança, para ter ânimo, para ter fé e, acima de tudo, para ter esperança porque, em último caso é esta a última a morrer e, ao menos assim, morre-se também com o mínimo de expectativas.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Os inTOCáveis

Excelentíssimos senhores TOCs,

Quero acreditar que muitos de vós são boas pessoas, que fazem o vosso trabalho de forma correta. Muito embora pratiquem um serviço que, devido à lei, muitos dos cidadãos são obrigados a comprar, sei que procuram o melhor para os vossos clientes, não abusando do vosso poder e disponibilizando-se para responder a dúvidas que surjam no dia-a-dia. Ou seja, que procurem ter a contabilidade dos vossos clientes, lá está, organizada.

Então, pergunto-vos, o que acontece se vocês não cumprirem o vosso trabalho? O que acontece se, por erro vosso, um cliente tenha que pagar juros sobre, vamos supor, uma segurança social que ficou por pagar de um ano anterior, muito embora tenha sido esse mesmo TOC a fazer o fecho anual de contas? E se isso se repetir noutros impostos? E se, por acaso, o cliente decidir chamar a atenção e responsabilizar o contabilista e, por acaso, depois dessa chamada de atenção esse TOC "esquece-se" de submeter no portal das finanças as seguintes contas?

Gostava que me esclarecessem estas questões. Não quero que pague o justo pelo pecador, manchando o vosso bom nome e funcionamento. Sabem, é que, por vezes, contratar uma pessoa por imposição faz com que, algumas delas, não ajam da forma mais correta. Acho que isso se chama abuso de poder, ou qualquer coisa como “como não tens opção e és tu que vais pagar pelos nossos erros ou então fecham-te a empresa, estou a borrifar-me para ti”.

Deixo desde já os meus agradecimentos pelos esclarecimentos que possam vir a surgir.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Feira da Ladra


Já vendemos património, num demónio há muito exorcizado; já vendemos todo o ouro, até em forma de papel, em dinheiro que não foi visto por ninguém, aliás, quem o viu ficou com os olhos em bico; a colher de pau foi vendida por uns tipos com a cara semelhante ao objeto; “vendemos” bancos e fizemos fusões sem acentos porque assentos - destes - há sempre para dar e vender.

Vendemos, vendemos, vendemos mas não conseguimos saldar nem dúvidas, nem dívidas que teimam em aparecer. Ninguém percebe que, para se fazer dinheiro a sério, só é preciso vender os escrúpulos e a consciência e fica tudo bem, porque isto aqui é um a saldo.





segunda-feira, 4 de agosto de 2014

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Esfolar cabritos

São várias as empresas que fazem este tipo de "seleção" para "contratar" pessoas com um "briefing" muito "livre". "Empresas".

Só para que fique claro, dependendo das empresas, este tipo de trabalhos pode chegar aos milhares de euros.

O que se segue é um copy paste:


"Bom dia,

Desde já obrigada pelo envio do teu email e interesse na nossa proposta.

Como viste, procuramos um designer freelancer para se juntar a uma equipa jovem e com vários projectos na área dos eventos em desenvolvimento e expansão a nível europeu.

Lançamos o desafio através de um briefing e convidando ao envio da respectiva proposta para pudermos escolher a que mais for ao encontro do que procuramos (ou que supere as expectativas!).

O designer cuja proposta for a seleccionada, passará a trabalhar connosco como freelancer em regime remunerado (ou seja, pagamento por cada trabalho realizado). 

Briefing para realizaçao de proposta para o logotipo da marca:

- Logotipo para simbolizar a marca da empresa: Azuuye Productions

- Tipo de actividade da empresa: produção e organização de todo o tipo de eventos 

- Target: jovens e jovens adultos classe média e média alta, com cursos superiores (ou não), maioritariamente trabalhadores, que gostam de viajar, ir a festivais, dançar, conhecer pessoas novas. E, em simultâneo, empresas de todas as áreas que precisem de recorrer a outsourcing para organização de um evento. 

- A nossa comunicação é em Inglês, pois o target pode ser qualquer pessoa de qualquer parte do mundo, daí a necessidade da escolha de uma língua universal.

- Keywords/ADN da marca: criatividade, inovação, qualidade, know-how, "fresh", "young", "adventure", "powerful"...

- Cores predominantes: roxo e laranja (não é mandatório, mas gostaríamos de algo nestes tons)

Importante:
- Gostaríamos de ver o nome da empresa separado do logotipo.
- Pedimos ainda que a imagem desenvolvida se relacione com a essência do pôr-do-sol (não precisa de ser explícito, claro! - mas que sirva como inspiração!) 

Aguardamos a tua melhor proposta até 31 Julho.



Obrigada,"

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Opiniões


Este post é exclusivamente para considerar a minha opinião sobre um assunto, assunto esse que tem vindo a estar presente na minha vida, no meu dia-a-dia, dentro e fora do trabalho. Além de atormentar o meu labor e lazer, é um assunto que quero comunicar, explanar e tornar do conhecimento de quem quiser ler, de quem quiser saber o que me martiriza. 


Já tentei resolver de várias formas, umas melhores e outras piores, chegando sempre à mesma conclusão, conclusão essa que se prende às mais diversas análises que me levaram a embarcar nesta reflexão profunda e determinante para uma vida que caminha lado a lado com uma resolução, muito embora esses dois caminhos sejam, aparentemente, mais que paralelos. 

Essa resolução passa por descodificar e perceber o assunto primeiramente abordado, de forma a que encontre uma encruzilhada que me rume a novas direções, sejam elas para trás, sejam elas para a frente, mas que me desentorpeçam a razão e a parvoíce, características fulcrais para minha existência. 

Essas decisões estão dependentes de uma opinião que é minha, tendo o peso que vale para quem quiser tê-la em conta, ou não. Nesse sentido, hoje escrevo para dar soluções, para dar respostas, para elucidar-me mim e outros que, como eu, se encontram num caminho que bifurca em 4 ou mais ruelas escuras, num oxímoro sem razão aparente. 

Mas quem é que precisa de razão num mundo irrazoável? Quem precisa de lógica num mundo sem sentido? E, ao colocar estas questões, percebo que já dei demasiadas respostas aos mais curiosos e dou por findo este texto que elucida, já em demasia, as minhas opiniões sobre os temas da atualidade. 



segunda-feira, 15 de julho de 2013

quinta-feira, 4 de julho de 2013

McCoelho

E se governo cair? Assusta-me um bocado este fast-food governativo em que comemos o que nos servem sem vermos os ingredientes. Consta que, quando se está de ressaca, não há nada melhor do que comer McDonalds. Ora, o nosso governo é um MacMenu servido em ressaca eleitoral. 

Estas iguarias vão nos ser novamente servidas, numa altura em que ninguém quer comandar um barco que está a ir ao fundo. Os senhores que se seguirem, vão ser a escória, um menu onde a carne de plástico já nem tem plástico, em que o refrigerante já só tem aroma de aroma, onde uma batata frita, ao fim de um dia, é uma arma branca.

E, o pior de comer junkfood alarvemente, é que, por mais cheios que fiquemos, damos um arroto e a fome tresvariada volta a aparecer.





Estatísticas

"Um em cada quatro portugueses conhece uma vítima de bullying"


Um em cada 4 portugueses são do governo?


quarta-feira, 3 de julho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013

George Orwell mal sabias tu...

Este animal já está mesmo com ar de porquinho e bem podia ir privatizar a água para o raio que o parta.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Explosão


Por todo o mundo têm surgido manifestações que começam de uma forma aparentemente inócua, e que se tornam rapidamente numa voz do povo contra medidas e governos.

Dizem que é quando rebenta a bolha que isto acontece, o que me faz pensar que em Portugal as bolhas não rebentam. Aliás, em Portugal não há bolhas, já só há calos. Por isso, bem nos podem espremer à vontade que daqui não sai nada, nem uma gota de revolta e mesmo que saia, é uma gota que cai numa mesa de um qualquer café, que facilmente se limpa com um tira
 nódoas barato. 

As mentes estão calejadas, as atitudes estão calejadas, os vícios estão calejados. Aqui não há bolhas e, por isso, o pus fica preso dentro de cabeças que pensam ter mais coisas lá dentro do que realmente têm, mas estão apenas infetadas.




segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Nãotureza


Todos nós já ouvimos a história da semente do pai que é posta na barriga da mãe para dar origem a nós, seres únicos, com características inigualáveis, para o bem e para o mal. 

E se o parlamento europeu, por questões de controlo de natalidade e para promover a harmonia europeia, decidisse que só determinadas farmacêuticas pudessem distribuir sémen devidamente aprovado e catalogado? Ou seja, uma pré-seleção das pessoas que poderiam nascer e crescer na Europa, pessoas provenientes de sementes com determinadas características e devidamente registadas (isso das raças diferentes é muito bonito mas fica feio). A consequência era terrível e devastadoras, era um monopólio genético que geraria milhões e criaria monopólios da gestão da raça humana. Só a leve possibilidade de isso acontecer mete medo.

A lei das sementes que está prestes a ser aprovada no parlamento europeu é exatamente a mesma coisa. Tirar à natureza a sua função, pôr nas mãos de uma elite a escolha de produzir, semear e proliferar. Esta decisão interfere, também, com um direito essencial a cada ser humano: a alimentação.

Muito gostam os poderosos de brincar aos deuses, de ter poder que facilmente é desvirtuado pela ganância. As consequências destas atitudes umbiguistas são desastrosas para 99% da população.
E nestes cataclismos da humanidade os media não tocam...


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mesmo a tempo

Trataremos do assunto com a maior brevidade que nos for possível. 

Ora aqui está a teoria da relatividade explicada numa simples frase. O Einstein devia ter vindo a Portugal para perceber que o nosso povo é que desenvolveu a teoria da relatividade do tempo. Obras em 3 anos? Relativo. Quanto tempo é que um político fica na prisão? Relativo. Quanto tempo se demora nos serviços públicos? Surpresa!

Mais do que a relatividade do tempo os portugueses sabem manipular o tempo: temos pessoas que conseguem ficar paradas no tempo como, por exemplo, representante máximo do nosso país, que tenta mostrar essa capacidade fantástica pelo mundo fora (e nós sabemos como ele o faz exemplarmente a nível nacional) e não tem o reconhecimento que lhe é devido.

O tempo não nos contorna, não ao povo Lusitano, aliás, nós manipulamos as horas, os minutos e os segundos, houvesse mais tempo no tempo e mais nós sabíamos contornar, porque nós somos bons a contornar impostos, leis, a contornar chatices e muito maus a contornar rotundas. 




Portugal há 100 anos atrás
Portugal agora
   

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Gostava de ter sido eu a escrever



Assumidamente roubado ao Portugal contemporâneo neste post aqui


O Zé não é empreendedor

Um dos argumentos comuns para justificar a estagnação económica do país nos últimos 10 anos é a de falta de sentido empreendedor. Os empresários, diz-se, são mal-preparados e fazem os possíveis para fugir aos impostos. Por outro lado, fala-se numa falta de sentido empreendedor da “geração mais bem preparada de sempre”.

Para percebermos um pouco o motivo desta falta de sentido empreendedor, imaginemos o caso do Zé, um jovem engenheiro informático saído da universidade. O Zé desenvolveu um hardware especial adaptado a empresas que fazem apps. Acabado o curso, decidiu começar a comercializar o produto. O negócio começa bem e o Zé já encontrou um cliente disposto a pagar a pagar 3000 euros por mês para comprar uma unidade desse hardware. Nada mau para uma start-up, pensa ele. Precisando de ajuda, ele fala com um dos seus colegas de curso que se dispõe a fazê-lo desde que receba 1000€ líquidos por mês (12 mil € por ano). O Zé tem, portanto, um modelo de negócio que não só irá criar 36000€ de valor acrescentado (PIB) anualmente, como gerará um emprego. Se a coisa correr bem, dentro de alguns anos, a empresa poderá criar muito mais valor e empregar muito mais pessoal qualificado. Criação de riqueza e emprego, precisamente o que a economia portuguesa mais precisa.

O Zé começa então a fazer as contas. O cliente da Zé, Lda avalia o produto em 3000€, mas a empresa apenas receberá 2400€, já que 600€ irão para pagar o IVA. O Zé descobre também que, para que o seu colega de curso receba 12 mil euros por ano, a Zé Lda terá que gastar nada menos do que 20.076€ (1673€ por mês) para cobrir a retenção de IRS, a TSU do empregado e a TSU do empregador.

Eliminados estes custos, o lucro começa a parecer bastante diminuto, mas o Zé ainda é obrigado a pagar IRC sobre esses lucros. Finalmente o Zé, para gozar dos lucros da empresa que montou, ainda tem que pagar IRS sobre os dividendos.



Feitas as contas, o Zé receberá cerca de 401€, menos do que um salário mínimo. Dos 3000 mil euros de valor acrescentado, o estado absorverá 1599€. Isto sem contar com impostos de selo, taxas diversas e as multas da ASAE por a sua garagem não ter condições para empregar o amigo.



O Zé precisaria de aumentar a escala da empresa para 3 empregados e 3 produtos vendidos por mês para poder receber 1200€. Mas isso seria demasiado ambicioso para uma start-up. Dizem ao Zé que há empresas grandes que pagam bastante menos impostos recorrendo a truques contabilísticos, mas o Zé não tem grandes condições para contratar contabilistas.
O Zé desiste da ideia e vai trabalhar para um Call Center. Dez anos mais tarde ouve falar da história de um milionário Irlandês que desenvolveu um produto muito semelhante ao do Zé e agora o vende para todo o Mundo. No Prós e Contras dessa semana discute-se a falta de sentido empreendedor dos jovens licenciados.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Talento nato


Isabel dos Santos: Tive sentido para os negócios desde muito nova. Vendia ovos quando tinha seis anos.

E o papá comprava cada um por 200 dólares.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Simplex

Resumidamente, esta é a forma para pôr a economia a mexer, principalmente se o Estado for o primeiro a dar o exemplo.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Suspiro...


Já percebemos, por muitos e vários anos de experiência, que o problema dos nossos governos sempre foi não conseguir cortar o mal pela raiz, não conseguir tratar dos problemas onde eles realmente se podem resolver. 


A economia está má, toda a gente sabe, estamos em crise, também não passa despercebido a ninguém. O melhor que o nosso ministro-adjunto dos assuntos parlamentares se conseguiu lembrar para ajudar os jovens, foi arranjar um embaixador do empreendedorismo jovem, assim uma espécie de personal trainer empresarial. Ora bem, senhor ministro, pode-nos dar o melhor que quiser mas, se não tivermos dinheiro para ir ao ginásio, do que é que nos adianta o treino personalizado? 

Medidas importantes seriam não taxar em cerca de 50% as microempresas, principalmente as que são feitas por jovens que estão a investir em novos projetos e a arriscar numa economia decrescente (sim, esses que decidiram ficar, muito embora o Primeiro Ministro, esse que lhe deu trabalho, tenha pedido para abandonarem o paÍs); e porque não baixar a segurança social de jovens trabalhadores em microempresas que, se o projeto correr mal nem sequer têm direito a subsídio de desemprego, mas se correr bem podem ajudar a economia nacional num empenho desreconhecido?

Senhor ministro, não entre nessa falsidade populista de se esconder atrás dum tipo jovem, que tem muita afinidade consigo porque ganha a vida da mesma forma: a argumentar. 

Pois que lhe fique aqui relembrado que o resto da população portuguesa já está farta de palavras e discursos porque esses, meu caro ministro, não matam nenhum mal pela raiz nem deixam raízes que se possam comer. 




quinta-feira, 21 de março de 2013

Heróis do mar com braçadeiras


Ando a repensar o significado de alguns conceitos. Um deles é independência, um subjetivo que se vai esbatendo num oximoro que, aparentemente, passa despercebido. 

Cresci com a ideia de que se lutava com orgulho pela independência para obter direitos; um estatuto a que se chegava, individualmente, quando nos tornássemos autónomos monetariamente, intelectualmente. A nível coletivo, cresci com a ideia de que esse era o ideal de uma nação: ser independente, ser autossustentável a nível de valores e de economia. 

Vivo num Estado laico, um Estado que não sofre nenhuma influência da igreja e que se quer independente. Ou seja, um que não deveria dar tolerância de ponto quando o Papa visita o nosso país. Por ser independente, por ser laico, quando quer suprimir feriados devia acabar com os dias santos e valorizar as datas que marcaram a nossa história. 

Mas quase que sinto que é um comportamento normal quando no nosso governo os deputados que querem ser independentes têm que, primeiro, fazer parte de um partido para depois se tornarem livres de influência do mesmo. 

Também podemos falar dos famosos trabalhadores independentes, escravos desse estatuto imposto para que as empresas e o próprio Estado possam fugir às suas obrigações fiscais e para poderem descartar os direitos dos trabalhadores.


E o que dizer sobre o nosso país independente que vive numa desunião europeia? Este Portugal sujeito a regras económicas restritas que tem que cumprir, independentemente das consequências, para continuar vivo mesmo que fique oco.

Já sou uma pessoa adulta e, para mim, o conceito de independência é sinónimo de desespero e submissão. 








quinta-feira, 14 de março de 2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Foi-se...

A crise anda por aí nas ruas. É uma senhora vestida de roupa gasta, um homem a esconder os olhos no chão e, no outro dia, fitou-me com ar de desespero no corpo de uma pessoa qualquer. 

Eu vejo-a por aí, tento evitá-la mas ela implica e esbarra-se comigo. Rouba-me o ordenado, cobra-me impostos insustentáveis e ainda se ri. Depois transforma-se em palavra na boca gulosa de alguém que diz que resolve mas não faz nada, que debita sem prazos soluções a crédito. 

Tenho cada vez mais amigos que fogem do país para ela não vir atrás. Resulta. Cada vez  mais, ela deixa-se ficar aqui, confortavelmente, a fazer de Portugal um lar. 

Ontem aproximou-se de mim para me pedir um cigarro, porque a crise fuma e bebe muito, mas eu não tinha. Não fumo. Pensei dar-lhe comida, num qualquer alívio da minha consciência, mas também não tinha. Mas eu como. Então ela abraçou-me num descarinho que ainda hoje não me largou. 









quarta-feira, 6 de março de 2013

Camuflado

Com uma manifestação tão cheia, sinto o pais tão vazio. Vazio de esperança, de motivação, de alegria e de gente que vai fugindo para procurar estes sentimentos que sentem perdidos, num outro sítio qualquer.

Há dias que também me custa encontrá-los no meu dia. Mas depois vejo projetos como a reMix, os concertos da Conserveira de Lisboa, a força e o trabalho da Zana, a Seven Wheels, a Micas Tricas, enfim, os projetos que nascem e crescem com pessoas que não têm medo da crise, nem da troika, nem de coelhos.

Depois volto a olhar à minha volta e, muito embora o pais esteja a ficar vazio, ainda está cheio de boas ideias.

Da manifestação em si... Falo mais tarde...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Obrigado, mas não obrigado.

O Estado pensa em tudo. Há muitos desempregados? Então da-se atenciosamente a todos os cidadãos uma profissão: fiscalizadores. Assim sendo, e como em qualquer trabalho, temos responsabilidades. Somos nós que devemos fazer cumprir as obrigatoriedades tributárias dos estabelecimentos comerciais, certificar que nos dão fatura, pedir sempre o recibo em vez de dizer obrigado. E, como em qualquer profissão, se não exercermos como devemos as nossas funções, corremos o risco de ser sancionados. 

Mas as perspetivas de promoção podem estar para vir brevemente, quiçá, daqui a uns tempos, podemos verificar as declarações de IRS, ver se estão a usar corretamente as máquinas que o Estado impôs como obrigatórias para cumprir exatamente a função que nos pede agora para fazer, conferir se as TSU 
são pagas a tempo e horas, entre outras surpresas. 

Concordo com esta medida. Acho bem porque nunca é de mais estar atento. O que o Estado se esqueceu com isto tudo, foi de definir o nosso ordenado.