sexta-feira, 26 de setembro de 2014

F(r)ações

Fazemos parte de uma categoria que se chama primeiro mundo do mundo, numa escala feita com dois lugares de 3, ou seja, ou se é do primeiro mundo ou se é do terceiro mundo, porque não há lugar para medianos. 

Esta escala também é aplicada a um nível mais pequeno: Em alguns países estamos divididos em primeiros cidadãos e terceiros cidadãos, na escala de cidadãos. A grande diferença entre os dois grupos (tal como nos dois grupos do mundo) é que, enquanto uns não têm máximos, os outros têm que se contentar com os mínimos. 

Do kit mínimo fazem parte: um luxo mínimo, um gasto mínimo porque, neste kit o ordenado também é mínimo. 

O kit sem máximos, ironicamente, é composto por uma máxima: Desviar não é roubar.

E são a todos os terceiros do mundo, e dos países, a quem é pedido para acreditar, para ter confiança, para ter ânimo, para ter fé e, acima de tudo, para ter esperança porque, em último caso é esta a última a morrer e, ao menos assim, morre-se também com o mínimo de expectativas.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Os inTOCáveis

Excelentíssimos senhores TOCs,

Quero acreditar que muitos de vós são boas pessoas, que fazem o vosso trabalho de forma correta. Muito embora pratiquem um serviço que, devido à lei, muitos dos cidadãos são obrigados a comprar, sei que procuram o melhor para os vossos clientes, não abusando do vosso poder e disponibilizando-se para responder a dúvidas que surjam no dia-a-dia. Ou seja, que procurem ter a contabilidade dos vossos clientes, lá está, organizada.

Então, pergunto-vos, o que acontece se vocês não cumprirem o vosso trabalho? O que acontece se, por erro vosso, um cliente tenha que pagar juros sobre, vamos supor, uma segurança social que ficou por pagar de um ano anterior, muito embora tenha sido esse mesmo TOC a fazer o fecho anual de contas? E se isso se repetir noutros impostos? E se, por acaso, o cliente decidir chamar a atenção e responsabilizar o contabilista e, por acaso, depois dessa chamada de atenção esse TOC "esquece-se" de submeter no portal das finanças as seguintes contas?

Gostava que me esclarecessem estas questões. Não quero que pague o justo pelo pecador, manchando o vosso bom nome e funcionamento. Sabem, é que, por vezes, contratar uma pessoa por imposição faz com que, algumas delas, não ajam da forma mais correta. Acho que isso se chama abuso de poder, ou qualquer coisa como “como não tens opção e és tu que vais pagar pelos nossos erros ou então fecham-te a empresa, estou a borrifar-me para ti”.

Deixo desde já os meus agradecimentos pelos esclarecimentos que possam vir a surgir.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Feira da Ladra


Já vendemos património, num demónio há muito exorcizado; já vendemos todo o ouro, até em forma de papel, em dinheiro que não foi visto por ninguém, aliás, quem o viu ficou com os olhos em bico; a colher de pau foi vendida por uns tipos com a cara semelhante ao objeto; “vendemos” bancos e fizemos fusões sem acentos porque assentos - destes - há sempre para dar e vender.

Vendemos, vendemos, vendemos mas não conseguimos saldar nem dúvidas, nem dívidas que teimam em aparecer. Ninguém percebe que, para se fazer dinheiro a sério, só é preciso vender os escrúpulos e a consciência e fica tudo bem, porque isto aqui é um a saldo.